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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A Serpente Apófis

Na sua passagem pelo reino das sombras, à noite, o deus-Sol enfrentava vários adversários, dentre os quais os mais perigosos eram as serpentes. O demônio líder de todos eles era a grande serpente Apófis (em egípcio Apep ou Aapep). Não existem evidências da existência dessa divindade antes do Império Médio (c. 2040 a 1640 aC), mas posteriormente, nos textos funerários, ela é normalmente descrita como uma longa serpente e às vezes se diz que é dotada de espiras firmemente comprimidas, como se fosse uma mola, para enfatizar seu enorme tamanho. Alguns textos a descrevem como tendo mais de 16 m de comprimento, com a primeira seção de seu corpo feito de pederneira. Ela era uma das serpentes que habitava o Nilo celeste e surgia do fundo das águas para atacar o deus-Sol e fazer sua barca soçobrar. Consequentemente, era uma constante ameaça à própria estabilidade do cosmos.

Nas ilustrações Apófis normalmente é mostrado sendo contido, desmembrado ou no processo de ser destruído, frequentemente por meio de inúmeras facas. Na tumba de Ramsés VI (c. 1151 a 1136 aC), no Vale dos Reis, o monstro aparece com 12 cabeças sobre seu dorso, representando aqueles que ele engoliu e que são libertados, embora que apenas por breves momentos, quando ele é derrotado. Depois que o barco de Rá consegue passar pela cobra, as cabeças estão destinadas a voltar para dentro do corpo do monstro, até serem libertadas novamente, só por um breve instante, na noite seguinte.

Existem ainda cenas de caráter diferente estampadas em tumbas e papiros funerários nas quais Rá ou Hátor se apresentam sob a forma de felinos para matar a serpente, cortando-a com uma faca. Em algumas cenas dos templos de Dendera, Deir el-Bahari, Luxor e Philae a serpente também é retratada simbolicamente. Nesses casos o faraó golpeia um objeto circular semelhante a uma bola, que representa o olho mau de Apófis.

Deus do mal, era associado a vários eventos naturais assustadores como:
  1. a escuridão inexplicavel de um eclipse solar,
  2. tempestades e
  3. terremotos.
O ataque desse monstro ao deus-Sol acontecia, segundo os relatos egípcios, a cada manhã, quando a barca solar estava prestes a emergir para a luz e, então, os aterradores rugidos da fera ecoavam na escuridão. Os artifícios que a serpente usava para impedir a passagem do barco eram as próprias ondulações do seu corpo, que são descritas como bancos de areia, ou ainda beber as águas do rio do mundo subterrâneo para fazer com que o barco de Rá encalhasse. A hipnose também é uma de suas armas, pois em algumas versões do mito Apófis hipnotiza Rá e todo o séquito que viaja com ele.

Embora Seth também seja um deus do mal, nesse caso ele atua como divindade protetora e, em alguns textos, se diz que foi o proprio Rá que o convocou para derrotar a serpente. O papel original de Seth era batalhar contra Apófis e impedi-lo de destruir a embarcação. Resistindo inclusive ao olhar fixo mortal da serpente e não se deixando hipnotizar, Seth finalmente derrota o gigantesco animal quando, da proa do barco solar, o trespassa com uma grande lança. Ocasionalmente a entidade malévola teria sucesso e o mundo seria mergulhado em trevas, idéia que pode querer refletir a ocorrência de um eclipse solar. Mas mesmo nesses casos o deus Seth e seu companheiro Mehen, outra deidade em forma de serpente, sairiam vencedores, pois fariam um buraco na barriga de Apófis para permitir que o barco solar escapasse.

Ouras narrativas contam que os companheiros de viagem de Rá e até mesmo os próprios mortos, que podiam se transformar em uma forma do deus Shu, eram envolvidos nesta batalha cíclica para a sobrevivência da criação e da ordem. Principalmente no Livro das Portas – uma narração sobre a viagem do deus-Sol pelo mundo noturno surgida no começo da XIX dinastia (c. 1307 a 1196 aC), Ísis, Neith e Selkis, juntamente com outras deidades secundárias e ajudadas por algumas espécies de macacos, capturam o monstro com redes mágicas. A seguir ele é dominado por deidades, entre as quais se inclue o deus de terra Geb e os filhos de Hórus, as quais cortam seu corpo em pedaços. A cada noite, porém, ele será revivido para atacar mais uma vez. Em outros relatos do mito, o deus-Sol é cercado ou engolido pela serpente que mais tarde o vomita, numa clara metáfora de renascimento e renovação.

Apófis não era uma divindade para ser adorada. Muito pelo contrário, ele foi incluído em vários cultos como um deus ou demônio contra o qual as pessoas deveriam estar protegidas. Assim sendo, foram produzidos vários textos mágicos e rituais para combater os efeitos dele no mundo. Existe um conjunto de textos conhecidos hoje em dia como o Livro de Apófis – uma coleção desses feitiços mágicos que datam do Império Novo (c. 1550 a 1070 aC), embora o exemplar melhor preservado, conhecido como o Papiro de Bremner-Rhind, atualmente de posse do Museu Britânico de Londres, tenha sido produzido no IV século aC. São fórmulas destinadas a derrotar o monstro, fornecendo proteção contra os seus poderes maléficos e também contra as cobras, vistas como manifestações perigosas da deidade, ainda que secundárias.

Os egípcios acreditavam que Apófis comandava um exército de demônios que infestavam o gênero humano e que só tendo fé nos deuses de luz as pessoas poderiam derrotar tal contingente. Ele era uma serpente gigantesta que já existia no começo dos tempos nas águas do caos primevo, antes da criação. Seu poder era tão grande que continuaria existindo num perene circulo vicioso de ataque, derrota e novo ataque. Por conta desse entendimento, anualmente os sacerdotes de Rá executavam um ritual denominado o Banimento de Apófis. Diante de uma efígie do demônio colocada no centro do templo eles rezavam para que toda a maldade no Egito entrasse na imagem. Então eles pisoteavam a efígie, quebravam-na, batiam-lhe com paus, despejavam lama sobre ela e, eventualmente, queimavam-na e a destruiam. Deste modo, acreditavam, o poder de Apófis seria afastado por mais um ano.

No período tardio (c. 712 a 332 aC), os textos mágicos de defesa eram lidos diariamente nos templos para proteger o mundo da ameaça do arqui-inimigo do deus-Sol. Associado à leitura havia todo um ritual durante o qual os sacerdotes cortavam em pedaços e queimavam um exemplar de cera da serpente. Outros rituais consistiam em desenhar na cor verde uma imagem da serpente em um pedaço virgem de papiro, o qual era então lacrado em uma caixa que era posta de lado durante determinado período antes de ser lançada ao fogo. Como o defunto também precisava ser protegido de Apófis, na tumba eram colocados vários rolos de papiro contendo fórmulas para trazer o monstro para o local da execução, onde ele seria cortado, esmagado e consumido pelo fogo. Essa também chamada serpente do renascimento recebeu, durante o Período Romano (30 aC a 395), o epíteto de aquele que foi cuspido e foi relacionado com a saliva da deusa Neith.


quinta-feira, 15 de julho de 2010

Serápis

Serápis ou Sárapis foi uma divindade da fusão helenístico-egípcia da Antiguidade Clássica. Seu templo mais célebre localizava-se em Alexandria, no Egito.

Sob Ptolomeu Sóter diversos esforços foram feitos para integrar a religião egípcia com a de seus soberanos helênicos. A política de Ptolomeu consistiu em encontrar uma divindade que conquistasse a reverência dos dois grupos étnicos do país, a despeito das maldições imprecadas pelos sacerdotes egípcios contra os deuses dos antigos soberanos estrangeiros (como o deus Seth, que foi louvado pelos hicsos). Alexandre, o Grande havia tentado usar Amon para este propósito, porém este deus era mais cultuado no Alto Egito, e não tinha tanta popularidade entre os habitantes do Baixo Egito, onde havia maior influência grega.

Os gregos tinham pouco respeito por figuras com cabeças de animais, e portanto uma estátua antropomórfica (forma humana), no estilo grego, foi escolhida como ídolo, e proclamada oficialmente como equivalente o deus egípcio Ápis, extremamente popular. Foi chamado inicialmente, em egípcio, de Aser-hapi (ou seja, Osíris-Ápis), que se tornou Serápis; era tido como sendo o deus Osíris em sua totalidade, e não apenas a sua ka (força vital).



História
Admite-se que o culto a Serápis tenha sido introduzido em Alexandria, por volta do séc IVaC com o propósito de reunir em um sincretismo as tradições religiosas egípcia e helênica.
  • do lado egípcio, o deus identificava-se com Osíris, o marido de Ísis;
  • do lado grego, aproximava-se de Dionísio e dos seus mistérios.
Nas duas tradições, esses deuses presidiam à vegetação e governavam o mundo subterrâneo.

Por um certo tempo, Serápis ganhou o status de deus masculino universal ("o único Zeus Serápis"), e seu culto, geralmente associado ao de Ísis, disseminou-se pelo mundo Greco-Romano.

Com o triunfo do Cristianismo, seus seguidores passaram a ser perseguidos e seus locais de culto destruídos. No reinado do imperador Teodósio, em 391, o grande Templo de Serápis, em Alexandria, foi atacado e destruído por ordem do bispo Teófilo, perdendo-se não só o enorme templo como também a Grande Biblioteca de Alexandria Filha (a Biblioteca Mãe foi queimada por Júlio César, por acidente).



Serápis é representado com o aspecto de um homem de idade madura e semblante grave, usando barba e longos cabelos. O seu atributo é a corbelha sagrada dos mistérios, símbolo da abundância, juntamente com a serpente de Asclépio, uma vez que ele era, igualmente, um deus curandeiro.






Fonte: Wikipédia

segunda-feira, 24 de maio de 2010

O deus Seth


Seth (ou Set) é o deus egípcio da violência e da desordem, da traição, do ciúme, da inveja, do deserto, da guerra, dos animais e serpentes. Seth era encarnação do espírito do mal e irmão de Osíris, o deus que trouxe a civilização para o Egito. Seth era também o deus da tempestade no Alto Egito. Era marido e irmão de Néftis. É descrito que Seth teria rasgado o ventre de sua mãe Nut com as próprias garras para nascer. Ele originalmente auxiliava Rá em sua eterna luta contra a serpente Apep na barca lunar, e nesse sentido Seth era originalmente visto como um deus bom.



A traição de Néftis
Algumas versões contam que na verdade ele foi traído por Néftis com Osíris, daí seu assassinato. O maior defensor dos oprimidos e injustiçados, tinha fama de violento e perigoso, uma verdadeira ameaça. Conta-se que Seth ficou com inveja de Osíris e trabalhou incessantemente para destruí-lo (versões contam que Néftis, esposa de Seth, fora seduzida por Osíris. Anúbis teria sido concebido desta relação).

Auxiliado por 72 conspiradores, Seth convidou Osíris para um banquete. No decurso do banquete, Seth apresentou uma magnífica caixa-sarcófago (ataúde) que prometeu entregar a quem nela coubesse. Os convidados tentaram ganhar a caixa, mas ninguém cabia, dado que Seth a tinha preparado para as medidas de Osíris. Convidado por Seth, Osíris entra na caixa. É então que os conspiradores, servos do proprio Seth trancam-na e atiram-na no rio Nilo. A corrente do rio arrasta a caixa até o mar Mediterrâneo, acabando por atingir Biblos (Fenícia). Ísis, desesperada com o sucedido, parte à procura do marido, procurando obter todo o tipo de informações dos que encontra pelo caminho. Chegada a Biblos Ísis descobre que a caixa ficou inscrustrada numa árvore que tinha entretanto sido cortada para fazer uma coluna no palácio real. Com a ajuda da rainha, Ísis corta a coluna e consegue regressar ao Egito com o corpo do amado, que esconde numa plantação de papiros. Contudo, Seth encontrou a caixa e furioso decide esquartejar em 14 pedaços o corpo, que espalha por todo o Egito.


Segundo alguns textos do período ptolomaico, teriam sido 16 ou 42 partes. Quanto ao significado destes números, deve-se referir que o 14 é o número de dias que decorre entre a lua cheia e a lua nova e o 42 era o número de províncias (ou nomos) em que o Egito se encontrava dividido.

Suas ações fizeram com que a maioria dos outros deuses se voltassem contra ele, mas Seth achava que seu poder era inatacável. Hórus, filho de Ísis e Osíris, conseguiu matar Seth, que acabou identificado como um deus do mal. Em algumas versões, Hórus castra Seth ao invés de matá-lo.

Aparência
Seth é intimamente associado a vários animais como:
  • cachorro,
  • crocodilo,
  • porco,
  • asno e
  • escorpião.
Sua aparência orelhuda e nariguda era provavelmente um agregado de vários animais, em vez de representar somente um. Ele também é representado como:
  • hipopótamo, considerado pelos egípcios como uma criatura destrutiva e perigosa.
Na maioria das versões Seth perde a orelha na luta contra Hórus e este perde o olho, porém o deus Toth decidiu parar com o combate devolvendo a orelha de Seth e o olho de Hórus e dizem que Seth viverá pela eternidade planejando conseguir a ex-coroa de Osíres hoje com Hórus.




Seth é o deus do caos, também do deserto e das terras estrangeiras. No Livro dos Mortos, Seth é chamado "O Senhor dos Céus do Norte" e é considerado responsável pelas tempestades e a mudança de tempo. A história do longo conflito entre Seth e Hórus é vista por alguns como uma representação de uma grande batalha entre cultos no Egito cujo culto vencedor pode ter transformado o deus do culto inimigo em deus do mal. Seth é, na verdade, a representação do supremo sacrifício em prol da justiça.





Fonte: Wikipédia

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Touro Ápis




O mais venerado e mais célebre dos animais sagrados é, sem dúvida, o touro Ápis (Hep em egípcio). Os antigos egípcios o consideravam como a expressão mais completa da divindade sob a forma animal. Era sempre representado na forma animal e nunca na forma humana com cabeça animal. Ele encarnava, ao mesmo tempo, os deuses Osíris e Ptah. O culto do touro Ápis, em Mênfis, existia desde a I dinastia pelo menos. Também em Heliópolis e Hermópolis este animal era venerado desde tempos remotos.







– Antiga divindade agrária, simbolizava a força vital da natureza e sua força geradora. Dizia a lenda:
Ptah, sob a aparência de fogo celeste, engravidou uma vaca virgem que concebeu um touro preto, o qual se tornou o porta-voz ou o duplo de Ptah. Esse touro negro sagrado de Mênfis deveria ter certos sinais ou manchas – na fronte, uma mancha branca quadrada; no dorso, a figura de um abutre ou de uma águia; sob a língua, um nó em forma de escaravelho; os pêlos da cauda numa mescla de branco e preto; e um crescente branco sobre o lado direito do corpo. Encontrado um bezerro com tais características pelos sacerdotes especiais chamados os Bastões de Ápis, o animal era conduzido a Mênfis em uma barca dourada e em grande pompa, depois de ter sido nutrido unicamente por mulheres durante 40 dias. Uma vez entronizado cerimoniosamente, vivia no seu santuário, ao lado do deus Ptah, a mais importante divindade menfita, da qual era tido como o arauto, a imagem viva. Sua mãe, um animal também reverenciado, era sua esposa legítima, mas tinha também vacas concubinas cuidadosamente escolhidas.

Distribuía oráculos, recebia oferendas, participava de procissões. Um festival dedicado ao deus se estendia por sete dias. O povo se reunia em Mênfis para ver os sacerdotes conduzirem o animal sagrado numa procissão de louvor. Enquanto vivia era alimentado com iguarias e honras. A partir do Período Saíta, iniciado em 664 aC, os oráculos alcançaram grande popularidade. Um dos mais procurados era justamente o do touro Ápis, em Mênfis. Além de se acreditar que qualquer criança que aspirasse a respiração do animal seria capaz de predizer o futuro, também se interrogava o próprio touro. O indivíduo que consultava o oráculo postava-se diante do animal e fazia a sua pergunta. A resposta do deus que o animal encarnava podia vir de várias maneiras. Por exemplo, o bovino podia aceitar ou não a comida que lhe ofereciam; podia, entrar ou não em uma determinada sala e cada uma de tais atitudes seria um agouro bom ou mau, conforme estabelecido anteriormente pelos sacerdotes.

Ao morrer, era mumificado, fechado num sarcófago, submetido a ritos funerários que se estendiam por 60 dias, tomava lugar numa tumba, ao lado de seus predecessores, era enterrado como se fosse um príncipe.

O túmulo mais antigo dessa divindade encontrado intacto é do reinado do faraó Horemheb (c. 1319 a 1307 aC), sendo a múmia bastante atípica. Era constituída apenas pela cabeça do touro, desprovida de carne e de pele, apoiada num grande bloco negro. Ao ser examinado, esse bloco mostrou ser um aglomerado de resina, ossos bovinos quebrados e fragmentos de folhas de ouro, tudo envolto em bandagens de fino linho. Os vasos canopos do touro estavam cheios de um material resinoso de origem não determinada. Escavando sob o piso da câmara mortuária, os arqueólogos encontraram uma dúzia de grandes vasos de barro não cozido contendo cinzas e ossos queimados. Como outros conjuntos similares de vasos também foram encontrados em outras tumbas do boi Ápis, alguns estudiosos afirmam que, pelo menos durante o Império Novo (c. 1550 a 1070 aC), o corpo do animal era cozido e comido pelo faraó e sacerdotes antes do enterro. Haveria, talvez, uma conexão entre essa descoberta e o assim chamado Hino Canibal do Texto das Pirâmides, que se refere ao fato do rei devorar os deuses para assimilar seus poderes. Seja essa hipótese correta ou não, nenhum outro animal sagrado parece ter sido devorado por seus antigos guardiães. Os touros Ápis subsequêntes foram mumificados inteiros e um papiro da XXVI dinastia descreve o método usado para isso.

Até a XVIII dinastia (c. 1550 a 1307 aC) cada um desses touros sagrados tinha sua sepultura particular. Foi Ramsés II (c. 1290 a 1224 aC), faraó já da XIX dinastia, quem mandou sepultá-los em uma câmara mortuária comum, conhecida como Serapeum, nome derivado da palavra grega Serápis, uma catacumba precedida por uma avenida de esfinges.

Estrabão, um geógrafo grego, deixou em sua obra indicações precisas sobre a localização desse estranho cemitério e baseado em tais informações foi possível encontrar, na necrópole de Saqqara, numerosas múmias de touros sagrados.


A câmara mortuária estava cavada depois de um corredor que penetrava 400 m no rochedo. Em nichos, os touros repousavam em magníficos sarcófagos de granito escuro ou de quartzo amarelo e vermelho, os quais medem 4 m de altura e pesam entre 60 e 80 toneladas. Um total de 24 sarcófagos dessa natureza foram encontrados nessas câmaras laterais que se abrem para o corredor principal cavado na rocha. Havia duas galerias abrigando os animais:



  1. a primeira, com comprimento de 68 m, foi mandada construir por Ramsés II;
  2. a segunda, com 198 m de comprimento, foi construída durante a XXVI dinastia (664 a 525 aC), em ângulo reto com a primeira.
O primeiro touro enterrado nessa segunda galeria morreu no ano 52 do reinado de Psamético I (664 a 610 aC) e o local continuou a ser utilizado até o período greco-romano. O culto do boi Ápis sobreviveu até que o imperador Honório o baniu e causou a destruição do Serapeum no ano 398. Como só havia um destes animais de cada vez, calcula-se que de 14 em 14 anos, aproximadamente, acontecia o funeral de um touro Ápis. Nenhuma múmia foi encontrada intacta. Escavações realizadas em 1964 trouxeram à luz galerias de vacas mumificadas, denominadas mães de Ápis, bem como de falcões, íbis e babuínos.

– O autor da descoberta do Serapeum, realizada em 1851, foi o pesquisador francês Mariette, que ao encontrar um desses túmulos escreveu:

Fiquei profundamente impressionado quando penetrei na sepultura do touro Ápis, que nenhum ser humano frequentara desde milênios... Mas que sorte! no fim de alguns dias, descobri um nicho murado que escapara às pesquisas dos pilhantes. Ramsés II fê-la murar, em 1270 aC, conforme explica a inscrição. A marca dos dedos do egípcio que pôs a última pedra do muro se vê ainda, nitidamente, sobre a cal, assim como a de seus pés sobre um rastro de areia esquecida. Nada faltava nesse retiro fúnebre onde um touro embalsamado repousava desde 4.700 anos.

Quando Ptolomeu I (304 a 284 aC) assumiu o controle do Egito, criou uma nova divindade, numa tentativa de unificar os gregos e os egípcios pelo estabelecimento de um deus que fosse familiar às duas culturas. Essa nova divindade foi chamada de Serápis (Osíris-Ápis) e combinava características dos deuses gregos Zeus, Asclépio e Dionísio com as do deus egípcio Osíris e as do culto do sagrado touro Ápis. Sua aparência era grega:
  • um homem barbado e de cabelos encaracolados, usando algo semelhante a um moderno vaso de flores na cabeça.
Mas também tinha algumas das características do touro Ápis e um nome egípcio. Era encarado pelos egípcios como um deus da fertilidade e do mundo subterrâneo e tolerado por eles, mas não verdadeiramente aceito. Nessa época, embora em vida o touro fosse considerado uma encarnação de Ptah e as efígies de Ápis continuassem a trazer o disco solar entre os chifres, após a morte o animal era comparado a Osíris (sua veste negra lembrava a cor do deus) e adorado sob o novo nome e aspecto, tendo se tornado o deus nacional do Egito durante o Período Ptolomaico (304 a 30 aC).


domingo, 24 de janeiro de 2010

A deusa Serket ou Selkhet

Serket a deusa escorpião da mitologia egípcia. O seu nome é uma abreviação da expressão Serket-Hetyt que significa "Aquela que faz respirar a garganta" , de acordo com outra interpretação, "Aquela que facilita a respiração na garganta"

1. no primeiro caso aludia-se ao facilitar da respiração dos récem-nascidos e
2. no segundo ao seu papel benéfico na cura de picadas de escorpião (sendo um dos efeitos destas picadas a sensação de sufoco)

É também conhecida como Selchis, Selkhet, Selkis, Selkhit, Selkit, Selqet, Serkhet, Serket-Hetyt, Serqet e Serquet.

A sua representação mais comum correspondia à de uma mulher com um escorpião na cabeça, tendo o escorpião a cauda erguida (ou seja estava pronto a picar). Em representações mais raras, surgia como um escorpião com cabeça de mulher, ou como serpente. Na XXI dinastia foi representada como uma mulher com cabeça de leoa, tendo a nuca protegida por um crocodilo.

A referência mais antiga que se conhece à deusa data do tempo da I dinastia (estela de Merika em Saqqara). Segundo alguns autores, o chamado Rei Escorpião terá prestado culto a esta deusa. Selket era uma deusa do Baixo Egito, embora não se conheça exatamente de que localidade. Contudo, o seu culto acabaria por difundir-se por todo o Egito.

De início não possuía as características benéficas que adquire mais tarde. Era a mãe (ou esposa) do deus serpente Nehebkau, cuja função era proteger a realeza e que vivia no mundo dos defuntos. Devido a esta associação, Serket era vista como guardiã de uma das quatro portas do mundo subterrâneo, prendendo os mortos com correntes. Quando Nehebkau tornou-se uma divindade benéfica, Serket seguiu o mesmo caminho.

Junto com as deusas Ísis, Néftis e Neit guardava as vísceras do defunto colocadas nos vasos canópicos. Serket protegia o deus Kebehsenuef (um dos quatro filhos de Hórus) que vigiava os intestinos. Também atribui a ela a capacidade de cegar a serpente Apopi cujo objetivo era evitar a viagem diária de Ré na barca solar. Era apresentada como filha deste deus. Recebia também o epíteto de "Senhora da Bela Mansão", sendo esta mansão a estrutura onde se realizava o processo de embalsamento.

Origem: Wikipédia

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Thot

Deus da sabedoria e do intelecto divino. Como deus da lua era o Ser Silencioso e o Belo da Noite. Toth era o patrono dos escribas, dos médicos e dos sacerdotes. Amante da verdade, da lei e do número, ele estava ligado a deusa Maât. Ele tinha forma de um íbis, babuíno e um homem com cabeça de íbis carregando uma paleta e uma pena de escriba. É o deus Thot que anota os resultados da pesagem do coração do morto, no Tribunal de Osíris.

É um sábio que, às vezes, é representado como um grande babuíno branco e outras vezes por um íbis sagrado. Hermópolis, é a sua cidade.

Senhor da voz, mestre das palavras, ele é famoso em toda parte por seus profundos conhecimentos. Seu espírito criativo produz invenções, criou:
  • os diferentes idiomas humanos,
  • os algarismos,
  • o cálculo,
  • a geometria,
  • a astronomia,
  • os jogos de xadrez e de dados,
  • o primeiro calendário e a
  • escrita (os hieróglifos, que é a escrita sagrada dos egípcios).

Durante muito tempo, os hieróglifos, constituíram um mistério indecifrável e, talvez, Thot tenha sido mesmo sábio, ao reservar certos conhecimentos secretos a alguns iniciados e escondê-los do grande público, tal parece ser o ponto de vista dos escribas (aquele cuja profissão é escrever e que gozam de consideração e poder), os únicos que conseguiam ler os sinais enigmáticos, grafados da direita para a esquerda.

Em Hermópolis, cidade de Thot, há uma quantidade impressionante de múmias de íbis e de babuínos.

O íbis é uma ave pernalta de bico longo e recurvado. Existe uma espécie negra e outra de plumagem castanha com reflexos dourados, mas era o íbis branco ou íbis sagrado, que era considerado pelos egípcios como encarnação do deus Thoth. Um homem com cabeça de íbis, era outra das representações daquele deus.

Na simbologia, o íbis representa o pássaro sagrado para os antigos egípcios, que o consideravam o inventor da escrita e o deus da sabedoria. Está relacionado à morte, ao julgamento das almas e à espiritualidade, e também associado à lua crescente.

O babuíno ou cinocéfalo é um grande macaco-africano, cuja cabeça oferece alguma semelhança com os cães. No antigo Egito este animal estava associado ao deus Thoth, considerado o deus da escrita, do cálculo e das atividades intelectuais.

Deuses particularmente numerosos parecem ter se fundido no deus Thoth: deuses-serpentes, deuses-rãs, um deus-íbis, um deus-lua e este deus-macaco.



No mito simbólico da morte de Osíris, diz a Tradição egípcia que Thoth ensinou à deusa Ísis a conjurar encantos contribuindo assim decisivamente para que aquela deusa pudesse reconstituir totalmente o corpo do seu irmão Osíris que havia sido desfeito em pedacinhos. Por isto, segundo consta, toda a magia egípcia fora ensinada por Thoth. (Filhos_de_Gaia)





Fonte: girafamania.com.br e Wikipédia

domingo, 27 de dezembro de 2009

Deuses: Chu, Tefnut, Geb e Nut

Chu (ou Shu)
é o deus egípcio do ar seco, do estado masculino, calor, luz e perfeição. Uma lenda conta que Chu foi criado por Deus nas águas de Nu a partir da masturbação divina e a partir de seu vômito surgiu Tefnut, sua irmã gêmea e consorte. Outra versão diz que ambos nasceram após Atum ter se masturbado. Juntos, Chu e Tefnut geraram Geb e Nut. Chu é o responsável por separar o céu da terra (sendo representado como um homem tendo Geb, a terra, em seus pés, e levantando Nut, o céu, com os braços, numa representação que se assemelha ao Atlas grego). É ele também quem traz a vida com a luz do dia. É representado como um homem usando uma grande pluma de avestruz na cabeça. Criou também as estrelas pelas quais os seres humanos podem elevar-se e atingir os céus e as colocou na cidade de Gaaemynu. Ele só se tornou popular a partir do Império Novo.


Tefnut (ou também Tefnet)
é a deusa que personificava a umidade e as nuvens na mitologia egípcia. Tefnut simbolizava generosidade e também as dádivas e enquanto seu irmão Shu afasta a fome dos mortos, ela afasta a sede. Irmã e esposa de Shu, formava com ele o primeiro par de divindades da Eneade de Heliópolis. Uma mulher, às vezes com cabeça de leoa que indicava poder, usando na cabeça o disco solar e a serpente uraeus. Filha de Rá. Mãe de Geb e Nut e avó de Osíris, Ísis, Seth, Néftis e Hathor.





Geb (ou Seb, como ficou conhecido mais tarde)
é o deus egípcio da terra. Era também um dos Eneade. Geb é o deus egípcio da terra, e também é considerado deus da morte, pois acreditava-se que ele aprisionava espíritos maus, para que não pudessem ir para o céu. Também estimula o mundo material dos indivíduos e lhes assegura enterro no solo após a morte. Geb então umedece o corpo humano na terra e o sela para a eternidade no túmulo. Suas cores eram o verde (vida) e o preto (lama fértil do Nilo). É o suporte físico do mundo material, sempre deitado sob a curva do corpo de Nut. Ele é o responsável pela fertilidade e pelo sucesso nas colheitas. Estimula o mundo material dos indivíduos e lhes assegura enterro no solo após a morte. Geb umedece o corpo humano na terra e o sela para a eternidade. Nas pinturas é sempre representado com um ganso sobre a cabeça. Seu animal representante era o ganso. E ele era comumente representado usando uma coroa com uma pluma e chifres em forma de carneiro. Filho de Shu e Tefnut, marido de Nut, e pai de Ísis, Néftis, Hathor, Osíris e Seth.


Nut é uma deusa egípcia
Significa o céu que acolhe os mortos no seu império. Tradicionalmente foi consagrada a essa deusa o dia 25 de fevereiro. Representava o céu e era significativamente invocada como a mãe dos deuses. É muitas vezes representada sob a forma de uma vaca, por alusão a uma metamorfose por que espontaneamente teria passado; e representada por uma belíssima mulher, trazendo o disco solar orlando sua cabeça. Com o seu corpo alongado, coberto por estrelas, forma o arco da abóbada celeste que se estende sobre a terra. É como um abraço da deusa do céu sobre Geb, o deus da Terra. Filha de Tefnut e Shu, esposa de Geb, mãe de Osíris, Isis, Seth, Néftis e Hathor. Osiris e Isis já se amavam no ventre da mãe e a maldade de Seth logo ficou evidente quando, ao nascer, este rasgou o ventre da mãe.



Fonte: Wikipédia

domingo, 20 de dezembro de 2009

deus Bés

Bés era uma antiga divindade egípica representada por um anão robusto e monstruoso. Era o bobo dos deuses, senhor do prazer e da alegria.

Um anão gordo e barbudo, feio ao ponto de se tornar cômico. Ele é muitas vezes representado com a língua de fora e segurando um chocalho. Quando esculpido ou pintado na parede, ele nunca aparece de perfil, mas sempre de frente, o que é único na arte egípcia. Também existem representações de Bes com características felinas ou leoninas.

Bes é um deus pouco vulgar. Ele não parece ser egípcio, mas de onde ele vem é desconhecido. Ele parece com deuses encontrados na África central e do sul. Bes era inicialmente o protetor do parto. Durante o nascimento, Bes dançava à volta do quarto, abanando o seu chocalho e gritando para assustar demônios que de outro modo poderiam amaldiçoar a criança. Depois da criança nascer, Bes ficava ao lado do berço entretendo o bebê. Quando a criança ria ou sorria sem motivo aparente, acreditava-se que Bes estava no quarto fazendo caretas.

Deus da família
Embora existisse devoção popular para com os grandes deuses do panteão egípcio, o povo preferia cultuar divindades mais rústicas que, provavelmente, poderiam atender melhor às suas modestas aspirações. O deus Bes, de origem africana ou semítica, era uma delas. Apesar de sua aparência medonha, era inteiramente inofensivo. Tinha o aspecto de um pequeno gnomo barbado que exibia seu corpo nu e disforme e mostrava a língua de maneira provocante. Com rosto em forma de máscara, de cabelos desgrenhados e dotado de cauda, frequentemente estava coberto com peles de leão. Devotava-se a distrair e proteger os homens contra todos os malefícios.

Sua face repulsiva e grotesca punha em fuga as forças malígnas e fazia rir aquele a quem ele amparava. Sendo uma divindade doméstica, protegia o dia-a-dia das pessoas, afastava o mau-olhado e era muito popular entre os egípcios. Considerado:
  • o patrono da música,
  • da boa mesa,
  • do divertimento,
  • das mulheres grávidas e dos partos,
  • o protetor da família e
  • companheiro de folguedos das crianças.

A origem dessa divindade familiar é obscura e não deixou traços na literatura religiosa. Em compensação ela está constantemente presente em objetos domésticos como pés ou cabeceiras de cama e artigos de toalete de todo tipo. Após a morte do indivíduo, Bes continuava protegendo o falecido em sua nova morada e prosseguia na função benéfica de repelir as forças maléficas.



O egiptólogo Alan W. Shorter assim descreve esse deus: "Bes é representado como um anão manco, sendo sua cabeça às vezes coberta por uma fileira de penas. Parece ter assumido originariamente a forma de um leão ou de algum outro membro selvagem da tribo dos felídeos, pois muitas vezes é figurado com orelhas, juba e rabo semelhantes aos dessas criaturas; já em outras versões o artista interpreta esses elementos como pertencentes a uma pele que o deus usa sobre o corpo. Esse deus era bastante popular, a julgar pela infinidade de berloques e amuletos confeccionados com sua figura. Especialmente associado aos prazeres humanos de toda espécie, sua figura cordial costumava adornar os pés das camas de casal, ou então era representado a tocar um pandeiro, incentivando seus adoradores a cantarem e a se divertirem. Nas figuras talhadas em alguns cetros mágicos de marfim, ele é mostrado no ato de estrangular e devorar serpentes, a fim de proteger a humanidade desses répteis nocivos."



Bes frequentemente é representado tocando vários instrumentos musicais, especialmente um tambor ou um pandeiro. Parece lógico estando ele associado à gravidez e ao parto, uma vez que a música é importante na celebração de um nascimento feliz. Vários fragmentos de pintura mural encontrados nas residências de Deir el-Medina mostram este deus dançando e tocando. Sem dúvida o papel mais importante atribuído a ele era a proteção da mãe e da criança durante o perigoso momento do parto. Um encantamento para evitar as complicações do nascimento deveria ser recitado 4 vezes diante de uma figura de barro da divindade colocada na cabeça da mulher em trabalho de parto. De acordo com um mito, ele apaziguara a enfurecida deusa Hátor numa ocasião em que ela, amuada, se refugiara em Philae, tocando pandeiro e harpa para ela e, em função disso, ele é visto tocando os dois instrumentos nas colunas do templo daquela deusa em Philae. Também existem várias representações de Bes portando uma faca, com a qual lutava contra as forças malígnas.

Origem: Wikipédia e fascinioegito

sábado, 12 de dezembro de 2009

Amon

Amon, Ámon ou Amun (em grego Ἄμμων Ámmon ou Ἅμμων Hámmon, em egípcio Yamānu) foi um deus da mitologia egípcia, visto como rei dos deuses e como força criadora de vida. Deus local de Karnak, constitui uma família divina com sua esposa Mut e seu filho Khonsu.




Origem do nome
O nome de Amon foi registrado pela primeira vez no idioma egípcio como ỉmn, que significa "O escondido". Como as vogais não eram escritas nos hieróglifos egípcios, egiptólogos reconstruíram a pronúncia de seu nome como Yamānu (/jamaːnu/).

Iconografia
O deus Amon podia ser representado de várias formas:
  1. como animal,
  2. como homem com cabeça de animal ou
  3. como homem.
Os animais associados a Amon eram o ganso e o carneiro, podendo por isso o deus ser representado sob estas formas. Contudo, a representação como ganso era rara. Como carneiro surgia com chifres curvos e cauda curta (ovis platyura aegyptiaca). Na forma híbrida podia surgir como homem com cabeça de carneiro.

Amon era representado como homem com barba postiça, de pele negra ou lápis-lazúli (alusão ao culto de Amon como deus celeste). Sua cabeça era encimada por um disco solar, uraeus, e duas plumas. Cada uma dessas plumas encontrava-se dividida verticalmente:
  • em duas secções, que refletiam a visão egípcia dualista (rio Nilo/deserto; Vida/Morte...)
horizontalmente:
  • em sete segmentos
Na parte posterior da coroa podia levar uma fita vermelha. Na mão direita segurava um ankh e na esquerda o ceptro uas. Em algumas representações Amon surge com um falo, resultado de sua associação com o deus Min.

Amon era também considerado o rei dos deuses. Muitas vezes era associado ao deus Rá (ou Ré), formando assim o deus Amon-Rá, o deus que traz o sol e a vida ao Egito. Era representado na forma de um homem em túnicas reais com duas plumas no cabelo.

O deus Amon era acompanhado de sua mulher Mut (representada num corpo de mulher mas com cabeça de abutre ou coroas).

Acreditava-se que Amon estava presente em todas as coisas, podendo assumir diversas formas. Unindo-se a Ra, o deus passou a ocupar uma posição de destaque após a fundação da 2ª dinastia pelo Faraó Amenemhet I, que tornou o Egito novamente um reino poderoso e unido.

A primeira referência conhecida ao deus aparece na pirâmide do famoso Rei Unas da 5ª dinastia, incluído no rol dos deuses primevos associados com Nu - "Os pais e mães" que estavam "nas profundezas".

Amon era primitivamente um deus estritamente local, cujo culto foi absorvido pelos egípcios, e que passou por tantos estágios e desenvolvimentos que é impossível apreender o conceito tribal original, que provavelmente era vago e rudimentar.





Amon Falava Através de oráculos, sendo que um dos mais célebres ficava em Siwa, no deserto líbio. Foi aí que Alexandre Magno — diz a lenda — ouviu do próprio deus a confirmação de que era seu filho. Os gregos identificaram Amon com Zeus e os romanos com Júpiter.




Fonte: Wikipédia e mitosbyaribi

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

O deus Ptah

Na Mitologia Egípcia Ptah – Tanen, Ta-tenen, Tathenen ou Peteh é o deus criador e divindade patrona da cidade de Mênfis que foi a capital do Egito no Antigo Império. Ptah é "aquele que afeiçoou os deuses e faz os homens" e "que criou as artes". Concebeu o mundo em pensamento e o criou por sua palavra. É um construtor. Ptah está associado às obras em pedra. Ápis era seu oráculo. Mais tarde, foi combinado com Seker e Osíris para criar Ptah-Seker-Osiris.

Marido de Sekhmet e, por vezes, de Bastet. Seus filhos incluem:
  1. Nefertem,
  2. Mihos,
  3. Imhotep e
  4. Maahes.
Em alguns mitos, é o criador de Rá. Nas artes, é representado como um homem mumificado com as mãos segurando um cetro enfeitado com ankh, was e djed (símbolos da vida, força e estabilidade, respectivamente). Uma vestimenta colante que lhe dá a impressão de estar sem pescoço e usando na cabeça uma calota. Venerado pelos trabalhadores manuais, particularmente pelos ourives. Tem o préstimo dos operários de Deir el-Medineh.

Origem: Wikipédia e imagick.org.br

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Anúbis

Anúbis, também conhecido como: Anupu, ou Anupo e cujo nome hieroglífico é traduzido mais propriamente como Anpu – é o antigo deus egípcio da morte e dos moribundos, por vezes também considerado deus do submundo.

  • deus do embalsamamento
  • presidia às mumificações
  • guardião das necrópoles e das tumbas.

Os egípcios acreditavam que no julgamento de um morto, era pesado seu coração. Caso o coração fosse mais pesado que a pena da verdade, sua alma era destruída para todo sempre, mas caso fosse mais leve, a pessoa em questão poderia ter acesso ao paraíso. Anubis era quem guiava a alma dos mortos no Além.

Os sacerdotes de Anúbis, chamados "stm" – usavam máscaras de chacais durante os rituais de mumificação. Uma das mais antigas divindades da mitologia egípcia, seu papel mudou à medida que os mitos amadureciam, passando de principal deus do mundo inferior a juiz dos mortos, depois que Osíris assumiu aquele papel.

A associação de Anúbis com chacais provavelmente se deve ao fato de estes perambularem pelos cemitérios. O Anúbis era pintado de preto, por ser escura a tonalidade dos corpos embalsamados. Apesar de muitas vezes identificado como "sab" o chacal, e não como "iwiw" o cachorro, ainda existe muita confusão sobre qual animal Anúbis era realmente. Alguns egiptologistas se referem ao "animal de Anúbis" para indicar a espécie desconhecida que ele representava. As cidades dedicadas a Anúbis eram conhecidas pelo grande número de múmias e até por cemitérios inteiros de cães.

A sua mãe é Néftis, que durante uma briga com o marido Seth passou-se por Isis e teve relações com Osíris. Anúbis é pai de Qeb-hwt, também conhecido como Kebechet.

Em épocas mais tardias, Anúbis foi combinado com o deus grego Hermes, surgindo assim Hermanúbis.

"Nós, os Chacais, sacerdotes de Anúbis, somos os guardiães de suas tumbas gloriosas ou sepulturas humildes. Somos os guardiães dos mortos. Somos os servos de Anúbis. Somos a Cinópolis." Capítulo dos Mortos, Livro de Maat


pesagem do coração

Origem: Wikipédia

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Os quatro filhos de Horus

Deuses ligados ao culto funerário, responsáveis por ajudar o defunto na viagem para o Além


vasos canopos


Filhos de Hórus é a designação dada a quatro deuses do Antigo Egito:
  1. Imseti,
  2. Hapi,
  3. Duamutef e
  4. Kebehsenuef.
Estes deuses estavam estritamente ligados ao culto funerário, não tendo sido alvo de nenhum culto em templos. Pouco se sabe sobre a origem destes deuses, que já eram vistos como filho do deus Hórus desde a época do Império Antigo. Nos Textos das Pirâmides são mencionados 14 vezes, sendo responsáveis por ajudar o defunto na sua viagem para o Além. No Livro das Portas colocam correntes nas serpentes aliadas de Apopi, o inimigo de Ré, que quer destruir a barca solar onde o deus viaja. Alguns textos referem-se a eles como estrelas, surgindo os seus nomes nas listas de estrelas da época do Império Novo. Cada um deste deuses era visto como o guardião de um dos órgãos internos do falecido. Durante o processo de mumificação os órgãos internos eram retirados e colocados nos chamados vasos canópos. A partir da 18ª Dinastia a tampa destes vasos passou a reproduzir a cabeça destes deuses (anteriormente reproduzia-se a face idealizada do defunto). Cada deus estava também associado a um ponto cardeal e a uma deusa.

  • Imseti – cabeça de homem, guardava o fígado, ponto cardeal o Sul, deusa titular: Ísis
  • Hapi – cabeça de babuíno, guardava os pulmões, ponto cardeal o Norte, deusa titular: Néftis
  • Duamutef – cabeça de chacal, guardava o estômago, ponto cardeal o Este, deusa titular: Neit
  • Kebehsenuef – cabeça de falcão, guardava os intestinos, ponto cardeal o Oeste, deusa titular: Serket


As divindades eram também relacionadas com o deus Osíris, presidindo ao ato de pesagem do coração (psicostasia) na "Sala das Duas Verdades", segundo uma passagem do Livro dos Mortos. Neste caso era representados de outra maneira, com os seus corpos com forma de múmia, em pé sobre uma flor de lótus.




terça-feira, 25 de agosto de 2009

Neter





Neter é uma palavra em egípcio sem tradução exata. A antiga religião egípcia, diferente do que muitos pensam, cultua apenas um único deus. Sendo este supremo, eterno, imortal, onisciente, onipresente e onipotente. Mas este deus aparece de várias formas e aspectos, os Neteru (plural de Neter no masculino e Netert no feminino).






Exemplo: a «água» que sendo líquida, sólida ou gasosa continua sendo água.

Dessa forma os Neteru tem sua própria personalidade, ações e são cultuados, também podem ser ditos como informações ou pistas para conhecer deus.

Exemplo: se é nos informado apenas o nome de alguém, não temos o mínimo conhecimento desse, mas quanto mais pistas e informações sobre ele, melhor o conhecemos.

Desse modo os arqueólogos e egiptólogos que estudaram sobre a antiga religião egípcia, traduziram neteru como deuses e deusas, dando totalmente a informação errônea de que tais são forças independentes.


Antiga religião egípcia

  1. Princípios cósmicos – Deus • Neter
  2. Neteru primordiais – Nun • Atum • Amon • Aton • Rá • Ka • Ptah
  3. Neteru geradores – Chu • Tefnut • Geb • Nut
  4. Neteru da primeira geração – Osíris • Ísis • Seth • Néftis
  5. Neteru da segunda geração – Hórus • Hathor • Toth • Maat • Anúbis • Anuket • Bastet • Sokar
  6. Outros neteru – Mafdet • Nekhbet • Serket • Sobek • Meretseguer • Iah • Montu • Uadjit • Bes • Hapi
  7. Animais sagrados – Ápis • Ammit • Mnévis • Benu
  8. Humanos deificados – Amen-hotep • Imhotep
Origem: Wikipédia

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

A rainha Ísis



Cada parte do corpo de Osíris deu origem a uma província, e assim todo o Egito foi assimilado ao seu ressuscitado esposo, animando a totalidade do país. Ísis sentia-se, em toda parte como na sua própria casa.


Por isso quando percorremos o Egito, descobrimos 3 lugares particularmente ligados a Ísis, de norte para sul:


  1. Behbeit el-Hagar – no Delta, é um local desconhecido dos turistas. Num labirinto de ruelas, o que resta do templo de Ísis, é um monte de enormes blocos de granito ornado com cenas rituais. Onde já foi um templo colossal.
  2. Dendera – lugar simbolicamente dedicado ao nascimento de Ísis, no Alto Egito. O santuário está praticamente preservado. Existem ainda o templo coberto e o mammisi (templo do nascimento de Hórus), e um pequeno santuário, onde segundo os textos, Ísis veio ao mundo com uma pele rosada e uma cabeleira negra. Foi a deusa dos céus que lhe deu vida, enquanto Amon, o princípio oculto, e Chu, o ar luminoso, lhe concediam o sopro vital.
  3. Filas – fronteira meridional do Antigo Egito , ilha-templo de Ísis; ali viveu a derradeira comunidade iniciática egípcia, aniquilada por cristãos fanáticos. Ameaçados de destruição pela inundação (a grande barragem de Assuã) os templos de Filas foram desmontados pedra por pedra e reconstruídos numa pequena ilha vizinha. A «pérola do Egito» foi salva da águas. De acordo com a vontade dos egípcios, os ritos continuam a ser celebrados graças aos hieróglifos gravados na pedra.

A eternidade de Ísis
Vitoriosa sobre a morte, sobreviveu à extinção da civilização egípcia, desempenhando um importante papel no mundo helenístico até o século V. Seu culto espalhou-se por todos os países da bacia mediterrânea e mais além. Tornou-se protetora de várias confrarias iniciáticas, que a consideraram o símbolo da onisciência, detentora do segredo da vida e da morte, capaz de assegurar a salvação dos seus fiéis. Ísis foi durante muito tempo uma temível concorrente do cristianismo. Aliás, se dissimulou Ísis sob as vestes da Virgem Maria, tomando o nome de "Nossa Senhora" a qual tantas catedrais e igrejas foram dedicadas.

Ísis, modelo de mulher egípcias
Uma civilização molda-se de acordo com um mito ou um conjunto de mitos. No mundo judaico-cristão, Eva é pelo menos suspeita e daí o inegável e dramático estado espiritual das mulheres modernas que se regem por esse tipo de crença. No universo egípcio não acontece, pois a mulher não era fonte de nenhum mal ou deturpação. Ao contrário, através da grandiosa figura de Ísis, que enfrentava as piores provações e descobria o segredo da ressurreição. Modelo das rainhas, foi também modelo das esposas, das mães e das mulheres mais humildes. Aliada à fidelidade, uma indestrutível coragem perante a adversidade, uma intuição fora do comum e uma capacidade fantástica para penetrar nos mistérios. A sua busca servia de exemplo a todas quantas procuravam viver a eternidade. (ver também: Ísis)





Ísis, criadora do universo, soberana do céu e das estrelas, senhora da vida, regente das divindades, maga de excelentes conselhos. Sol feminino que tudo marca com o seu selo, os homens vivem às tuas ordens, sem o teu acordo nada se faz.






Fonte: 'As Egípcias' de Christian Jacq

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Iniciadas nos mistérios de Hathor



Quem é Hathor?
O nome da deusa é composto de duas palavras: Hut e Hor, traduzido como "o templo de Hórus". Hathor é o espaço sagrado, a matriz celeste que contém Hórus, o protetor da instituição faraônica. Hathor é o céu e é também aquela que espalha pelas superfícies celestes a esmeralda, a malaquita e a turquesa para com elas fazer estrelas. É muitas vezes chamada de "a dourada", porque é o ouro das divindades, a matéria alquímica que forma o seu corpo.

"Única e sem paralelo no céu"

Hathor encarnava numa vaca imensa, da dimensão do cosmos, que oferecia generosamente o seu leite para que as estrelas vivessem. Goza de grande popularidade no Egito, sua residência preferida era no Alto Egito em Dendera – onde sobrevive um templo ptolomaíco de grande beleza e encanto.
  • Mãe das mães, gerava o Sol e derramava nos corações a alegria de viver.
  • Concedia a beleza, a juventude e o fogo do amor sob todas as suas formas, do desejo físico ao amor do divino.
  • Favorecia os casamentos e os tornava harmoniosos, mas somente quando o homem e a mulher escutavam a sua voz.
  • Ensina aos seus adeptos a dança e o sentido da festa, protetora dos vinhos, chama os seus fiéis à mesa do banquete divino.
Na sua qualidade de protetora e ama da alma dos justos, reside muitas vezes num sicômoro; com a madeira dessa árvore fabricavam sarcófagos. Era a mãe dos vivos e dos ressuscitados. Acolhe todos aqueles que empreendem a grande viagem para o outro mundo. Sorridente, enigmática, está na orla do deserto e tem na mão o sinal hieroglífico da vida, e a haste de papiro que simboliza o eterno crescimento da alma dos justos.

Para vencer as provas do Além, o homem deve tornar-se Osíris; o mesmo acontece com a mulher, que tem a vantagem de ser ao mesmo tempo Osíris e Hathor. Alimentada pelo leite da vaca celeste, a ressuscitada percorre para sempre o caminho das estrelas, dança com elas, ouve a música celeste e saboreia a sutil essência de todas as coisas.


A Confraria das sete Hathor
Na época dos Ptolomeus, os mistérios de Hathor eram celebrados nos mammisis por uma comunidade de mulheres intituladas "perfeitas, belas e puras". Esses ritos remontavam à Alta Antiguidade, mas como muitas outras vezes, foi o Egito crepuscular que os revelou.

As Hathor tocavam música, cantavam e dançavam depois de um passeio ritualístico pelos pântanos, onde haviam feito zumbir os papiros em honra da deusa, ritualizando a Criação do Mundo. A cerimônia terminava com uma oferenda de vinho, líquido que abria o caminho à intuição do divino. «As Hathor eram 7, número sagrado e particularmente ligado à espiritualidade feminina» que são também chamadas "as veneráveis". Seu papel consistia em:
  • afastar o Mal
  • manter a harmonia
  • favorecer todos os fenômenos do nascimento
Festivas, tocam tamboril e batem palmas. Tranquilas e recolhidas, dão as mãos para formar uma cadeia. Têm na fronte uma uraeus, e o seu toucado apresenta os chifres da vaca celeste emoldurando o globo solar.

A superiora das 7 Hathor segurava um cetro cuja extremidade tinha a forma de uma umbela de papiro. Sua irmãs envergavam, como ela, vestidos longos, enfeitadas com fitas vermelhas formando sete nós nos quais o Mal ficava encerrado. As 7 filhas da divina Luz, Rá, eram responsáveis pelo tempo de vida dos humanos e pelo seu destino. Presidiam simbolicamente a todos os nascimentos e vinham visitar as parturientes.

As serpentes uraeus que trazem na fronte lançam chamas purificadoras ou destrutivas, dependendo da autencidade do ser que as enfrenta. Podem conceder longevidade, estabilidade, saúde e descendência, mas também estabelecem as provas e o termo de um destino.

As fadas da Europa pagã foram suas herdeiras

Em Dendera e Edfu as 7 Hathor tocam tamboril e sistro em honra da deusa e do faraó que acabam de nascer. As iniciadas nos mistérios de Hathor manejavam 10 objetos sagrados, que podiam ser executados em miniaturas e em materiais preciosos:
  1. colar da ressurreição – cujos sons recriam o mundo
  2. clepsidra – relógio de água associado a Thot, senhor do tempo sagrado
  3. dois sistros – afastam a violência e proporcionam a tranquilidade
  4. símbolo hatórico real – 2 asas que protegem o Egito e o cosmos
  5. mammisi – lugar do repouso e templo onde se realiza o mistério do nascimento
  6. pote de leite – doce para o ka, alimento celeste que ilumina e rejuvenesce
  7. cântaro – contém a bebida da embriaguez sagrada e que revela o que estava oculto
  8. coroa para a fronte de Hathor – fundida por Ptah, que escolhera o ouro, a carne dos deuses
  9. porta monumental fundada pelo Sol feminino – que abastece o país em oferendas e dá acesso ao templo
Esses objetos eram, representados nas paredes do templo da deusa e assim permaneceram vivos.

Fonte: 'As Egípcias' de Christian Jacq


segunda-feira, 20 de julho de 2009

Neftis

Uma divindade da mitologia egípcia. Representava as terras áridas e secas do deserto e a morte. Ajudou Ísis a recolher os pedaços de Osíris quando Seth o destruiu. Representada como uma figura feminina com o seu nome em hieróglifo na sua cabeça. Conhecida como a 'Senhora dos Palácios', 'Dama da Casa' e 'A Reveladora'.

Enquanto Ísis representava a força da vida e do renascimento. Neftis era a deusa do pôr-do-sol, dos túmulos e da morte. Seus respectivos cônjuges também representavam energias opostas. Osíris, o marido de Ísis, era o deus da fertilidade; Seth, o de Neftis, representava a aridez, a esterilidade e a maldade. O deus Seth é também conhecido como o assassino de Osíris. Neftis é uma deusa guardiã e ajudou Ísis a colher os pedaços de Osíris quando Seth o destroçou. Também ajudou Ísis a reanimar o corpo de Osíris por tempo o bastante para que ela concebesse um filho. Por isso é muito freqüente ver juntas ambas as deusas, uma na cabeça e outra nos pés do sarcófago. A Neftis é representada junto sua irmã, chorando e velando Osíris.

Como divindade relacionada com o mundo funerário e pelo seu papel na mumificação, as faixas que envolviam o defunto eram consideradas como madeixas do seu cabelo.

Quarta filha de Nut e Geb. Irmã de Osíris, Ísis e Seth, desposou seu irmão Seth. Após uma briga com o marido, fantasiou-se de sua irmã Ísis. Osíris, pensando que era a sua mulher, teve relações com ela. Dessa união, nasceu Anúbis, deus dos embalsamadores.

Apesar de ser representada como uma bela mulher de olhos verdes, Neftis era chamada de a irmã obscura de Ísis. Por vezes, era representada com longos braços alados estendidos em proteção; em outras vezes, ela carregava uma cesta em sua cabeça.

– Plutarco nos deu uma explicação bastante esotérica sobre estas duas irmãs:

"Neftis designa o que está embaixo da terra e que não se vê (isto é, seu poder é de desintegração e reprodução), e Ísis representa o que está sobre a terra e é visível (a Natureza física). O círculo do horizonte que divide estes dois hemisférios e é comum a ambos é Anúbis".


Como uma deusa da Lua Nova, Neftis se compadece e compreende as fraquezas humanas. Seu aconselhamento é justo e sábio. Ela rege as artes mágicas, os conhecimentos secretos, os oráculos e as profecias. Animais como serpentes, cavalos, cães brancos, e dragões eram seus, assim como aves como a coruja e o corvo. No Egito, o pentagrama (estrela de cinco pontas) era conhecido como a estrela de Ísis e Néftis.

Essa deusa regia a morte a magia escura, coisas ocultas, conhecimentos místicos, proteção, invisibilidade ou anonimidade, intuição, sonhos e paz. Neftis, apesar de seu aspecto obscuro, oculta toda a força do feminino em sua mais abnegada e sedutora expressão e representa ainda, a compreensão que nasceu do amor sem fronteiras.

Fonte: Wikipédia e ~rosanevolpatto~

domingo, 7 de junho de 2009

Rá o deus



Quando o Grande deus Rá abdicou de seu trono, ele o passou a seu filho Shu, que por sua vez o deixou para seus filhos, Seb e Nut. Eles se casaram, contrariando as orientações de Rá, e passaram tanto tempo copulando que Rá finalmente ordenou a Shu que os separasse à força. Rá declarou ainda que a deusa celeste Nut, grávida, não poderia parir em nenhum mês do ano.




O grande e sábio Thoth compadeceu-se de Nut e decidiu ajudá-la. Ele barganhou com Selene, a Lua, e conseguiu luz o bastante para criar cinco dias extras para cada ano. Uma vez que esses dias não pertenciam ao calendário egípcio original, de 360 dias, Nut pôde dar à luz. Seus cinco filhos nasceram em cinco pontos diferentes do Egito. Eram eles: 
  1. Osíris, 
  2. Haroeris, 
  3. Set, 
  4. Ísis e 
  5. Néftis. 
Esses cinco dias sagrados dos nascimentos das crianças tornaram-se um período intermediário, no qual o ano velho se findava e se iniciava o ano novo para os egípcios. Ísis e Néftis eram aspectos opostos da mesma força. Ísis era a Rainha dos Vivos, esposa de Osíris e mãe de Hórus, a deusa da Lua Cheia. Néftis era a Mãe Obscura, Rainha dos Mortos, amante de Osíris e mãe de Anúbis, a deusa da Lua Nova. Ambas possuíam grandes poderes mágicos, os quais as complementavam.


"Rá-deus-sol, é a principal divindade dos egípcios, sendo o pai de todos os deuses e criador de todos os seres vivos, que surgiram das suas lágrimas. As características deste deus são poder, força e criatividade."


Está associado ao Sol e é considerado como o pai de todos os outros deuses. Certa vez, enquanto o deus estava adormecido, um de seus olhos se desprendeu de seu rosto e fugiu. Mas, graças ao deus Thoth, Rá conseguiu recapturá-lo, e as lágrimas que dele se desprenderam deram forma e vida aos seres humanos. Maravilhado com sua própria obra, Rá reconheceu que seu olho possuía um poder próprio e transformou-o na serpente Uraeus, a quem foi confiado o comando do mundo.

Rá é a principal divindade da mitologia egípcia. É o deus do Sol. O seu principal centro de culto era a cidade de Iunu, no Norte do País (depois chamada Iunu-Rá, em sua honra), à qual os gregos deram mais tarde ainda o nome de Heliópolis ("cidade do sol"). Como uma das culturas agrícolas mais antigas e mais bem sucedidas da Terra, os antigos egípcios deram ao seu deus sol, Rá, a supremacia, reconhecendo a importância da luz do sol na produção de alimentos.


Ao amanhecer, Rá era visto como uma criança recém-nascida saindo do céu ou de uma vaca celeste, recebendo o nome de Khepri
Por volta do meio-dia Rá era contemplado como um pássaro voando ou  num barco navegando.
No pôr-do-sol, Rá era visto como um homem velho descendo para a terra dos mortos, sendo conhecido como Atum. 
Durante a noite, Rá, como um barco, navegava na direção leste através do mundo inferior em sua preparação para a ascensão do dia seguinte. 

Em sua jornada ele tinha que lutar ou escapar de Apep, a grande serpente do mundo inferior que tentava devorá-lo. Parte da veneração a Rá envolvia a criação de magias para auxiliá-lo ou protegê-lo em sua luta noturna com Apep, ajudando-o a garantir a volta do Sol.

Devido à sua popularidade, o deus seria associado a outros deuses, como Hórus, Sobek (Sobek-Rá), Amon (Amon-Rá) e Khnum (Khnum-Rá). Tinha como esposa a deusa Ret (cujo nome é a versão feminina do nome Rá) ou Rettaui ("Ret das Duas Terras", ou seja, do Alto Egito e do Baixo Egito). Em outras versões surgem como suas esposas as deusas Iusaas e Ueret-Hekau

Iconografia*
A representação habitual de Rá era na forma de um homem com cabeça de falcão encimada pelo disco solar e pelo uraeus (serpente sagrada que cuspia fogo, destruindo desta forma os inimigos do deus), segurando nas mãos o ankh e o cetro uase.

Quando o deus realizava a sua viagem noturna ao mundo subterrâneo era representado como: 
  • um homem mumificado com cabeça de carneiro (Efu Rá, "o sagrado carneiro do Oeste")
  • poderia ainda figurar como uma criança real cuja cabeça emerge de um lótus
  • Rá tinha como emblema o obelisco que era considerado como um raio do sol petrificado 
  • na sua forma animal poderia encarnar como falcão, a lendária ave Fênix; ave flamejante com o dom de renascer das cinzas (uma de suas formas animais mais famosas, mas mesmo assim a consideram uma criatura da mitologoa grega)
  • leão, gato, como touro Mnévis (o ba de Rá) ou no pássaro Benu.

Rá e os faraós
Rá foi adorado desde os tempos mais remotos da história do Antigo Egito, encontrando-se associado desde cedo à realeza. Segundo alguns relatos, Rá teria vivido em Heliópolis e teria governado o Egito antes do nascimento das dinastias históricas, sendo os faraós seus descendentes. 
  1. O nome do primeiro rei da II dinastia, Raneb ("Rá é o senhor"), foi a primeira alusão registada ao deus num nome real.
  2. No período da IV dinastia a referência ao deus entra na titulatura dos faraós através do nome de "filho de Rá" (Sa Rá), que Khafré emprega pela primeira vez.
  3. Na V dinastia os reis dedicam-se a Rá estruturas ao ar livre cujo ponto mais importante era um obelisco e que são conhecidas como templos solares.



Mitos
Segundo um dos vários mitos criados em torno de Rá e que foi conservado em papiros do tempo da XIX dinastia, a deusa Ísis lançou um feitiço a Rá, que provocou-lhe uma doença. Sob promessas de cura, Rá foi forçado a revelar o seu nome secreto a Ísis, assim oferecendo-lhe acesso a uma parte de seus poderes mágicos.



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* iconografia
i.co.no.gra.fi.a
sf (gr eikonographía) 1 Arte de representar por imagens. 2 Representação de imagens num livro. 3 Conjunto de imagens relativas a um assunto.

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Origem: blog-Caminhos de hecate  –  Wikipédia  –  Dicionário Michaelis

Egito

Duas grandes forças: o rio Nilo e o deserto do Saara, configuraram uma das civilizações mais duradoras do mundo. Todos os anos o rio inundava suas margens e depositava uma camada de terra fértil em sua planície aluvial. Os egípcios chamavam a região de Kemet, "terra negra". Esse ciclo fazia prosperar as plantações, abarrotava os celeiros reais e sustentava uma teocracia – encabeçada por um rei de ascendência divina, ou faraó – cujos conceitos básicos se mantiveram inalterados por mais de 3 mil anos. O deserto, por sua vez, atuava como barreira natural, protegendo o Egito das invasões de exércitos e idéias que alteraram  profundamente outras sociedades antigas. O clima seco preservou artefatos como o Grande Papiro Harris, revelando detalhes de uma cultura que ainda hoje suscita admiração.

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