sexta-feira, 31 de julho de 2009

Iniciadas nos mistérios de Hathor



Quem é Hathor?
O nome da deusa é composto de duas palavras: Hut e Hor, traduzido como "o templo de Hórus". Hathor é o espaço sagrado, a matriz celeste que contém Hórus, o protetor da instituição faraônica. Hathor é o céu e é também aquela que espalha pelas superfícies celestes a esmeralda, a malaquita e a turquesa para com elas fazer estrelas. É muitas vezes chamada de "a dourada", porque é o ouro das divindades, a matéria alquímica que forma o seu corpo.

"Única e sem paralelo no céu"

Hathor encarnava numa vaca imensa, da dimensão do cosmos, que oferecia generosamente o seu leite para que as estrelas vivessem. Goza de grande popularidade no Egito, sua residência preferida era no Alto Egito em Dendera – onde sobrevive um templo ptolomaíco de grande beleza e encanto.
  • Mãe das mães, gerava o Sol e derramava nos corações a alegria de viver.
  • Concedia a beleza, a juventude e o fogo do amor sob todas as suas formas, do desejo físico ao amor do divino.
  • Favorecia os casamentos e os tornava harmoniosos, mas somente quando o homem e a mulher escutavam a sua voz.
  • Ensina aos seus adeptos a dança e o sentido da festa, protetora dos vinhos, chama os seus fiéis à mesa do banquete divino.
Na sua qualidade de protetora e ama da alma dos justos, reside muitas vezes num sicômoro; com a madeira dessa árvore fabricavam sarcófagos. Era a mãe dos vivos e dos ressuscitados. Acolhe todos aqueles que empreendem a grande viagem para o outro mundo. Sorridente, enigmática, está na orla do deserto e tem na mão o sinal hieroglífico da vida, e a haste de papiro que simboliza o eterno crescimento da alma dos justos.

Para vencer as provas do Além, o homem deve tornar-se Osíris; o mesmo acontece com a mulher, que tem a vantagem de ser ao mesmo tempo Osíris e Hathor. Alimentada pelo leite da vaca celeste, a ressuscitada percorre para sempre o caminho das estrelas, dança com elas, ouve a música celeste e saboreia a sutil essência de todas as coisas.


A Confraria das sete Hathor
Na época dos Ptolomeus, os mistérios de Hathor eram celebrados nos mammisis por uma comunidade de mulheres intituladas "perfeitas, belas e puras". Esses ritos remontavam à Alta Antiguidade, mas como muitas outras vezes, foi o Egito crepuscular que os revelou.

As Hathor tocavam música, cantavam e dançavam depois de um passeio ritualístico pelos pântanos, onde haviam feito zumbir os papiros em honra da deusa, ritualizando a Criação do Mundo. A cerimônia terminava com uma oferenda de vinho, líquido que abria o caminho à intuição do divino. «As Hathor eram 7, número sagrado e particularmente ligado à espiritualidade feminina» que são também chamadas "as veneráveis". Seu papel consistia em:
  • afastar o Mal
  • manter a harmonia
  • favorecer todos os fenômenos do nascimento
Festivas, tocam tamboril e batem palmas. Tranquilas e recolhidas, dão as mãos para formar uma cadeia. Têm na fronte uma uraeus, e o seu toucado apresenta os chifres da vaca celeste emoldurando o globo solar.

A superiora das 7 Hathor segurava um cetro cuja extremidade tinha a forma de uma umbela de papiro. Sua irmãs envergavam, como ela, vestidos longos, enfeitadas com fitas vermelhas formando sete nós nos quais o Mal ficava encerrado. As 7 filhas da divina Luz, Rá, eram responsáveis pelo tempo de vida dos humanos e pelo seu destino. Presidiam simbolicamente a todos os nascimentos e vinham visitar as parturientes.

As serpentes uraeus que trazem na fronte lançam chamas purificadoras ou destrutivas, dependendo da autencidade do ser que as enfrenta. Podem conceder longevidade, estabilidade, saúde e descendência, mas também estabelecem as provas e o termo de um destino.

As fadas da Europa pagã foram suas herdeiras

Em Dendera e Edfu as 7 Hathor tocam tamboril e sistro em honra da deusa e do faraó que acabam de nascer. As iniciadas nos mistérios de Hathor manejavam 10 objetos sagrados, que podiam ser executados em miniaturas e em materiais preciosos:
  1. colar da ressurreição – cujos sons recriam o mundo
  2. clepsidra – relógio de água associado a Thot, senhor do tempo sagrado
  3. dois sistros – afastam a violência e proporcionam a tranquilidade
  4. símbolo hatórico real – 2 asas que protegem o Egito e o cosmos
  5. mammisi – lugar do repouso e templo onde se realiza o mistério do nascimento
  6. pote de leite – doce para o ka, alimento celeste que ilumina e rejuvenesce
  7. cântaro – contém a bebida da embriaguez sagrada e que revela o que estava oculto
  8. coroa para a fronte de Hathor – fundida por Ptah, que escolhera o ouro, a carne dos deuses
  9. porta monumental fundada pelo Sol feminino – que abastece o país em oferendas e dá acesso ao templo
Esses objetos eram, representados nas paredes do templo da deusa e assim permaneceram vivos.

Fonte: 'As Egípcias' de Christian Jacq


quarta-feira, 29 de julho de 2009

Os cemitérios reais

O falcão voou para o céu... e o rei, seu filho, está sentado no trono de Rá em seu lugar

Assim o chefe da Medjay (polícia) anunciou "ao povo dos túmulos" a morte do faraó e a ascensão de seu sucessor ao trono, em um papiro conservado em Turim. Esse anúncio era seguido de uma sequência de cerimônias funerárias, que culminavam no sepultamento da múmia em uma tumba, munida com tudo aquilo que era considerado necessário para o local de descanso do filho de Rá e para garantir magicamente sua regeneração.

Desde os tempos remotos, as tumbas da realeza eram distintas das de seus súditos, da mesma maneira que o destino espiritual dos reis era diferente. As mastabas de "fachada de palácio" do início do Período Dinástico, depois as pirâmides em degraus e por fim as verdadeiras pirâmides (e não só os famosos exemplares de Quéops, Quéfren e Miquerinos) parecem, em sua estrutura sólida e impenetrável, simbolizar os "tronos eternos" dos homens que personificaram o deus Hórus e que foram os governantes do mundo. Esse era um mundo também considerado seguro e imutável.

No entanto os eventos acabaram por demonstrar a fragilidade intrínseca, tanto da estrutura política, abalada pelas revoluções do Primeiro Período Intermediário, quanto da presumida invulnerabilidade das pirâmides, como foi amargamente notado em um famoso texto:

Assim, aquele que foi sepultado como um falcão foi arrancado de seu sarcófago. O segredo das pirâmides foi violado... Assim, aquele que estava impossibilitado de fazer um ataúde, agora tem uma tumba. Assim, os mestres dos lugares sagrados, foram lançados no deserto (de Lamentações de Ipu-ur).

Com o restabelecimento do poder centralizado no começo do Novo Império, os cemitérios reais foram transferidos para as imediações da capital do reino na ocasião, onde quer que ela estivesse. As tumbas dos governantes de Tebas da 11ª dinastia estavam localizadas na margem oeste do Nilo em Tebas, em el-Tarif e em Deir el-Bahri (como a tumba monumental de Mentuhotep I), enquanto eles retornavam ao norte com a 12ª dinastia.

Durante o Segundo Período Intermediário, marcado pela traumática experiência da invasão dos hicsos, Tebas foi o centro da construção das tumbas dos reis da 13ª dinastia e posteriormente dos da 17ª dinastia, que foram os responsáveis pelo contra ataque que culminou na expulsão dos invasores. Essas tumbas, assim como as da 11ª dinastia, também eram localizadas em áreas contíguas às zonas habitadas, em Dra Abu el Naga, nas encostas das colinas que fechavam o Vale do Nilo a oeste. A múmia de Seqenenre Tao II, cujos danos provocados à cabeça são a evidência de uma luta sangrenta que terminou com a vitória de seus sucessores Kamose e Amosis, veio de uma destas tumbas não identificadas.

Os governantes da 18ª dinastia, depois de se transformarem nos senhores incontestáveis do país escolheram um vale atrás de Deir el-Bahri como seu "trono da eternidade". O vale era isolado e invisível para as pessoas que habitavam as margens do rio e o complexo funerário tradicionalmente integrado, consistindo na tumba e no templo, foi assim dividido. O templo funerário, "a casa dos milhões de anos", permanecia perto do Nilo para assegurar a perpetuação do culto devido ao rei por toda a eternidade. O local de sepultamento era isolado, em uma área inacessível pelas montanhas que a rodeavam, aberta apenas em uma única passagem estreita, usada pelas procissões funerárias. Este local chamado Vale dos Reis, é conhecido em árabe como Biban el-Muluk (portas dos reis). Para os antigos egípcios, ele era o Ta-set-aat, "o grande palácio", ou mais simplesmente Ta-int, "o vale". Um cume piramidal, "a cúpula" dominava a paisagem do vale, sua forma simbólica pode ter sido um fator na seleção deste local. O vale principal se dividia:
  • Vale Oriental – que contém a maioria das tumbas, e
  • Vale Ocidental – de beleza extraordinária e selvagem, com seus precipícios íngremes de pedra; estão localizadas apenas as tumbas de Amenófis III e de Ay.
A tumba mais antiga é a de Tutmés I, que também era associada ao nome de Ineni, o arquiteto que a projetou e construiu. Os operários chegavam ao vale através de uma trilha que partia de uma aldeia, a atual Deir el-Medina que era isolada e inclusa entre paredes de pedra. Os habitantes eram as pessoas envolvidas na construção das tumbas: pedreiros, escribas, pintores, escultores, carpinteiros e ourives. O isolamento serviu para garantir o segredo do que se passava no Vale dos Reis e no Vale das Rainhas – localizado ao sul da aldeia, abrigava os corpos dos filhos, das esposas e dos parentes dos governantes. As tumbas dos reis eram escavadas profundamente nos precipícios e eram compostas de uma série de degraus, rampas e corredores, com ocasionais poços profundos interrompendo as passagens. A câmara funerária era maior que as outras salas e seu teto era geralmente apoiado por pilares esculpidos na pedra. A sucessão de salas variou com o decorrer do tempo. Na 18ª dinastia (com exceção da de Ay) planta em ângulo reto com mudança brusca na direção a partir da metade do caminho. As da 19ª dinastia organizadas em linha quase reta, com uma leve angulação, a partir da metade do caminho.


Vale dos Reis


O lugar era escolhido pela:
  1. seleção da qualidade da pedra e a
  2. a proximidade com as tumbas prévias
Os operários eram divididos em duas equipes, que trabalhavam juntas:
1. os pedreiros e os operários – escavam a tumba e removem quantidades enormes de fragmentos de pedra calcária;
2. os escultores e os pintores – cobriam as paredes e os tetos da salas e dos corredores com cenas e textos destinados a garantir ao faraó a vida após a morte.

Apesar das tumbas do vale serem escondidas e protegidas pelas equipes da Medjay (polícia), logo começaram a ser o centro das atenções dos ladrões. Já na 18ª dinastia há testemunhos precisos de violação das tumbas reais. A situação piorou até o ponto em que no início da 21ª dinastia não era mais possível defender o vale. Várias múmias reais ainda não foram encontradas. Pode muito bem haver outro esconderijo ou sepulcro comunal, como o descoberto em 1908 na Tumba de Horemheb, que ainda precisa ser interpretado corretamente. A atual renovação da atividade arqueológica no vale por parte das autoridades egípcias e as numerosas missões estrangeiras sugerem que o futuro nos pode trazer mais surpresas.

do Livro 'Tesouros do Egito' do Museu do Cairo – Editado por Francesco Tiradritti e Fotografias de Araldo De Lucca – texto de Anna Maria Donadoni Roveri

Período dinástico inicial

2920-2575 a.C

Primeira dinastia (2920-2770 a.C)
Aha (Menés?)
Zer
Den
Anez-jeb
Semerchet
Qa'a

Segunda dinastia (2770-2649 a.C)
Hetep-sechemui
Raneb
Ninetjer
Perj-íbsen
Ca'sechem (Ca'sechemui)

Terceira dinastia (2649-2575 a.C)
Sanecht (2649-2630 a.C)
Djosern (Netjrikhet) (2630-2611 a.C)
Sekhemkhet (2611-2603 a.C)
Ca'ba (2603-2600 a.C)
Huni (2600-2575 a.C)

Fonte: 'Tesouros do Egito' do Museu Egípcio do Cairo - de Francesco Tiradritti e Araldo De Luca

domingo, 26 de julho de 2009

Arsinoé II rainha divinizada

Os persas invadem o Egito pela segunda vez em 342 a.C . Foi preciso esperar por Alexandre 'o grande' até 332 a.C , para ver os persas abandonarem o Egito, e o país ser governado por soberanos gregos – os Ptolomeus – que residem em Alexandria, concebida pelo espírito grego e aberta ao mundo mediterrâneo. A espiritualidade faraônica sobrevive, principalmente no Sul.


Para serem admitidos como faraós, os Ptolomeus fazem-se coroar segundo os ritos. Uma rainha, Arsinoé II, esposa de Ptolomeu II, o Filadelfo (285-246 a.C), conheceu um destino notável. Ptolomeu II havia ascendido ao poder aos 25 anos. Criado em Alexandria por mulheres que o enchiam de mimo, parece que o rei tinha um grande encanto, mas pensava mais em si mesmo do que no país. Achando Alexandria fria e aborrecida, Ptolomeu II tentou dar um certo brilho ao seu reinado. Estava impressionado com o caráter grandioso da arquitetura egípcia e com o esplendor do passado das Duas Terras.


Sua irmã Arsinoé II, de 37 anos, chega ao Egito em 278 a.C . Bela e voluntariosa, é uma mulher temível. Seu corpo era magnífico e maravilhosamente perfumado. Sua viagem era uma fuga para escapar dos inimigos. O Egito agradou-lhe, e concebeu um plano para tomar as rédeas do Estado: tinha de desposar seu irmão, Ptolomeu II que a admirava e temia. Mas o rei já era casado, por coincidência com outra Arsinoé. Conseguiu desacreditar sua rival e exilá-la em Coptos morreu de solidão e tristeza, tornando-se assim rainha do Egito.


Moeda de Ptolomeu II e Arsinoé II



Mandou inscrever o seu nome em rolos, como um faraó, e interveio em todas as circunstâncias como uma co-regente. Fraco de caráter e fascinado por essa mulher de personalidade forte, Ptolomeu II aceitou tudo. Mas o casamento era um incesto, um problema delicado. Arsinoé foi procurar na mitologia «Zeus desposou a sua irmã Hera» A corte aprovou e se calou, e quem não aceitou foi exilado ou assassinado.
Arsinoé II acabou por governar sozinha, abandonando o irmão às suas amantes e à sua vida de luxo e ociosidade. Comportou-se durante 8 anos como uma verdadeira faraó. Era uma mulher de Estado, quis fazer de Alexandria a capital econômica do Oriente. Pensou em alargar a zona de influência do Egito e dotar o país de um exército bem equipado. Não faltavam riquezas ao país: minas de ouro, searas, vinhas, pesca, fábricas de tecidos e perfumes, manufaturas de papiros. Uma economia sanada consentiria todas as esperanças.

Ptolomeu II e Arsinoé II como Ísis


A saúde de Arsinoé declinou e após alguns meses de sofrimento, morreu em 270 a.C . A dor de seu irmão foi imensa, pois este estranho casal acabara por agir em harmonia. Considerada intransigente e ambiciosa, conseguira dar ao rei um ideal e o senso da responsabilidade. Teve um extraordinário destino póstumo, seu irmão a divinizou. Filadelfo em grego significa "que ama a sua irmã".

No próprio ano da sua morte, Arsinoé entrou no colégio das divindades da cidade de Mendés, no Delta. Qualificada como "deusa entre os deuses vivos sobre a Terra" foi venerada nos templos de Saís, Mênfis, Fayum, Karnak. Um templo especial foi erigido em sua memória em Alexandria, outro perto da cidade de Canopo, no extremo do Cabo Zefírio, onde reinava na qualidade de deusa que realizava os desejos dos marinheiros, concedendo uma boa viagem aos navios e aplacando o mar furioso.

Os historiadores não são indulgentes com Arsinoé, mas não mudou ela completamente em contato com a terra do Egito, a ponto de querer fazer reviver a grandeza do reino dos faraós?































































Origem: 'As Egípcias' de Christian Jacq

sábado, 25 de julho de 2009

Tutmósis III

O jovem filho de Tutmósis II, só reinou praticamente na teoria, deixando o poder à sua tia Hatshepsut. Durante o brilhante reinado de sua tia, Tutmósis III permanece na sombra. As afirmações que teria estado preso são fantasiosas. Foi educado no palácio real, e se preparou, nesses longos anos, para a função de rei. Oficialmente faraó por muitos anos, só exerce realmente suas funções a partir de 1468 a.C . O mais conquistador dos reis do Egito.

De acordo com o exame de sua múmia, encontrada quebrada em 3 fragmentos e restaurada pelos sacerdotes que a salvaram da destruição, Tutmósis III era um homem de estatura e corpulência mediana.

Quando sobe ao trono, o perigo asiático torna-se real. O rei de Kadesh encabeça um movimento contra o Egito, e acontece uma longa guerra contra os asiáticos. Vão ser necessárias 17 campanhas para assegurarem a vitória egípcia, que formam os chamados "Anais" de Tutmósis III – uma espécie de diário de guerra inscrito nas paredes de Karnak.

As campanhas de Tutmósis III para ampliar as fronteiras:
  1. Gaza
  2. Síria
  3. Palestina
  4. Fenícia
  5. Mitami
Os espólios das campanhas:
  • 6500 prisioneiros
  • 4000 cabeças de gado de grande porte
  • 1000 cavalos
  • 100 quilos de ouro
Nenhuma destruição total, nenhum saque, poucos mortos de ambos os lados. As vitórias do faraó não aniquilavam o inimigo, mas dominavam economicamente as áreas turbulentas.

Tutmósis ocupou-se muito da Ásia, mas não esqueceu o sul do Egito. No ano 50 do seu reinado empreende uma campanha na Núbia. Não se tratava de uma batalha, mas de inspecionar a região.

Exército
As numerosas campanhas de Tutmósis III exigiram um exército numeroso e disciplinado. No Novo Império os faraós que praticavam uma política de conquista e intervenção, formavam um verdadeiro exército profissional com oficiais valorosos, como Ahmés, filho de Abana, que teve uma longa carreira. O exército tornou-se uma casta privilegiada, seus membros adquiriram uma glória indiscutível. Os grandes oficiais do exército egípcio, são escribas reais, letrados, homens de cultura e saber que nunca tiveram gosto pela crueldade e sangue.

Os carros têm um papel capital nos conflitos do Novo Império. O carro egípcio é ocupado por 2 soldados e puxado por 2 cavalos. Esta arma divide-se em vários grupos de 25 carros comandados por capitães que recebem ordens de um comandante. Os carros exigem uma intendência que utiliza chefes de cavalos, chefes das estribarias e uma administração especializada que vela sobre a manutenção dos "veículos" e dos animais.

O grosso da tropa é formado pela infantaria. A unidade menor é a seção de 50 homens. Uma companhia compreende 200, e cada uma delas possui um estandarte. Os soldados de infantaria usam uma tanga curta e protegem o ventre com uma peça em couro. Importado da Ásia por volta de 1600 a.C, o cavalo foi utilizado na guerra, mas também serviu para uma atividade mais pacífica: os correios. Os cidadãos comuns não montam a cavalo, mas continuam a circular a pé ou a andar de barco.

Construções
Como seus antepassados, Tutmósis também é um construtor. Ele fez de Karnak a maior obra do Egito, honrando seu pai Amon-Rá e agradecendo-lhe as vitórias. Imenso, colossal, reflexo da sua soberania celeste e terrestre. Obeliscos apontados para as nuvens a fim de dissiparem as influências nocivas e de protegerem o recinto sagrado, ou pilares maciços onde as cenas rituais contam as batalhas vitoriosas, e salas com colunas – Karnak canta ao rei dos deuses um hino de pedra.



A obra-prima do reinado é a chamada "sala das festas" o akh-menu, cujo nome egípcio significa "brilhante dos monumentos". Este conjunto de construções, que forma um todo coerente no interior de Karnak, era o templo da regeneração de Tutmósis III. As partes essencias:

  1. uma grande sala com pilares e colunas,
  2. capelas consagradas à simbólica do renascimento e
  3. outras capelas que exprimem o renascimento da natureza sob o efeito benéfico do Sol.
akh-menu foi o local de iniciação aos mistérios dos sacerdotes de Amon. O santuário de Tutmósis III é assimilado a um céu cujas portas são abertas a quem é digno de entrar nele.

Enriquecendo Karnak, Tutmósis enriquece também seu clero, mas seu caráter enérgico não precisa ser sublinhado. Não tinha boas relações com o alto clero de Amon. Foi o sumo sacerdote Hapuseneb quem permitiu a tomada de poder por Hatshepsut. Quando o faraó reinou, nomeou sumo sacerdote um amigo de infância – Menkheperreseneb. O rei não tolera partilhas : quem reina é o faraó e mais ninguém.

Restitui um certo esplendor a Heliópolis, reconstruindo edifícios em ruína ou caídos no esquecimento.

Seu vizir Rekhmire era de grande classe. Seu túmulo tebano é um dos mais belos de toda a história egípcia. O gabinete do vizir é na realidade uma enorme administração na qual estão centralizados os arquivos do reino.

Fim do reinado
Durante os últimos 12 anos não há menção sobre expedições à Ásia. As riquezas acumulam-se, o gosto pelo luxo amplia-se. O Egito é o senhor do Mundo Antigo, a maior potência militar, a mais radiosa civilização com a qual todos desejam manter boas relações.

Associa ao trono seu filho Amenófis II. Tutmósis III morre por volta de 1436 a.C , com aproximadamente 60 anos, e o Egito é um império que se estende do Eufrates ao Sudão. É a maior expansão territorial jamais alcançada pelo Duplo País.

Escavado no Vale dos Reis, o túmulo de Tutmósis III celebra cerca de 740 divindades representadas no salão principal. Entre as diversas cenas, nota-se a amamentação do rei por Ísis, numa câmara com dois pilares que apresenta uma surpreendente característica: como os seus cantos são arredondados, tem a forma de um gigantesco rolo no interior do qual o espírito do grande Tutmósis III vive para sempre.

Fonte: 'O Egito dos Grandes Faraós' de Christian Jacq

sexta-feira, 24 de julho de 2009

No Antigo Império...

No organizado mundo do Antigo Império ( cerca de 2575-2150 a.C ) existem:
  • um exército
  • uma polícia
As forças militares não têm um exército regular, têm tropas recrutadas pelos nomarcas nas suas províncias e enviadas à capital quando necessário. Consistem mais de milícias temporárias do que de regimentos profissionais. Este exército é necessário em circunstâncias precisas:
operações de comandos na Líbia, na Palestina, na Núbia e no Sinai. O Antigo Império não procura conquistar territórios estrangeiros, mas conter ordem nas zonas de influência. Corpos de elite têm uma função paramilitar – trata-se essencialmente da guarda do palácio, que assegura a proteção do rei e de intérpretes que falam línguas estrangeiras e servem de diplomatas ou negociadores. São eles que estão encarregados de concluir tratados comerciais com o estrangeiro. Do armamento dos soldados fazem parte:
  • lanças,
  • punhais,
  • machados,
  • maças,
  • fundas,
  • diversos tipos de arcos e
  • escudos em madeira ou em couro
os materiais comuns são a pedra para as maças herdadas da pré-história e o cobre.

A guarda palaciana exercia as funções de polícia do Estado, os nomarcas possuíam "policiais" locais, indispensáveis para resolverem os problemas da aldeia e fazerem reinar a ordem nas estradas. Existe as brigadas especializadas como a dos "caçadores" – uma verdadeira polícia do deserto, que responde pela segurança nos itinerários dos confins orientais e ocidentais do país.

Mênfis é a capital e a grande cidade do Antigo Império. Conservará sempre uma importância econômica que varia com as épocas, mas que nunca é desprezível em toda história faraônica.

Heliópolis é a capital teológica do país, situada não muito longe de Mênfis. Cidade santa, local onde se erguia o templo do deus Rá. Cidade venerada por todos os faraós até os Ptolomeus. Ali batia o coração religioso do primitivo Egito. Do esplendor da cidade solar, dos seus numerosos e magníficos monumentos, resta hoje apenas um único vestígio:
  • o obelisco de Sesóstris I

Os chefes das províncias, os nomarcas – levam uma vida de riqueza. Condutores do país, na medida em que a prosperidade do seu nomo depende da sua gestão. Alguns deles se fazem representar nas paredes de sua sepultura numa postura quase real, dá-se ao luxo por vezes da barba postiça, privilégio dos deuses e dos reis.

De todas as riquezas desta época, uma deve ser particularmente assinalada porque pertence propriamente ao Antigo Egito e não à cultura árabe que cobriu todo o país: a vinha. Grandes comedores de carne, amantes de legumes e de frutas, os antigos egípcios apreciavam muito o vinho. A produção do Estado era importante e os particulares plantavam vinhas nos seus jardins. A qualidade era severamente verificada, principalmente, as colheitas que envelheciam nas caves do rei e dos notáveis. O nascimento da designação controlada remonta ao Egito do Antigo Império, em vista do que se lê nas etiquetas de ânforas com vinho:

"O ano X do rei TAL, vinho de TAL qualidade proveniente de TAL vinhateiro".

As principais regiões produtoras situavam-se no Delta e nos oásis, geridas por um governador e fornecendo igualmente natrão. Certas colheitas excepcionais foram conservadas durante 2 séculos antes de serem consumidas. Nestas circunstâncias não é de se admirar que a deusa Hathor tenha sido ao mesmo tempo a padroeira do amor e a da embriaguez. O tema da embriaguez divina faz parte do mais velho substrato da religião egípcia.

Não haviam os egípcios do Antigo Império convidado os deuses para um dos mais belos banquetes da História, durante o qual se sentaram lado a lado grandes faraós, construtores de pirâmides, escultores inspirados e simples mortais cuja existência assumia sentido porque era integrada na harmonia de uma civilização autêntica?

Fonte: 'O Egito dos Grandes Faraós' de Christian Jacq

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Heliópolis

Heliópolis, ou Iunu (jwnw) em egípcio antigo, era o nome que os gregos davam à cidade egípcia de Iunu ou Iunet Mehet ("O Pilar" ou "Pilar do Norte"). Capital do 13ª nomo do Baixo Egito, foi uma das cidades mais importantes do ponto de vista religioso e político durante a época do Império Antigo. Situa-se a cerca de 10 km a noroeste da atual cidade do Cairo.

A cidade existia já na época tinita, tendo recebido grandes projetos de construção no Império Antigo e no Império Médio. Hoje em dia está praticamente destruída. A divindade principal era o deus solar Rá, que era adorado no templo principal da cidade.

Heliópolis foi ocupada desde o Período pré-dinastico, hoje é em grande parte destruída, seus templos e outros edifícios foram utilizadas para a construção medieval.

Segundo Diodorus Siculus, Heliópolis foi construída por Actis, um dos filhos de Helios e Rhode, quem batizou a cidade depois de seu pai. Embora todas as cidades gregas foram destruídas durante as inundações, incluindo as cidades egípcias, Heliópolis sobreviveu. A principal divindade de Heliópolis foi o deus Atum, venerado no templo principal, era conhecida pelos nomes Per-AAT ("Casa Grande") e Per-Atum ("Templo do Atum "). Durante o período Amarna, o rei Akhenaton introduziu o culto de Aton, deificando o disco solar, construindo um templo chamado Wetjes Aton ("elevando-disco do Sol"). Blocos deste templo foram posteriormente utilizados para construir as muralhas da cidade medieval do Cairo e pode ser visto em algumas das Portas da Cidade. O culto ao touro Mnevis, uma encarnação do deus Rá, teve seu centro aqui, e possuía um enterro formal terreno ao norte da cidade.

Foi a capital do Egito, por um período de tempo. Grãos foram armazenado em Heliópolis para os meses de inverno, quando muitas pessoas chegavam a cidade para se alimentar, o que levou a cidade a ganhar o título de "local de pão". O Livro dos Mortos vai mais longe e descreve como Heliópolis foi o lugar da multiplicação dos pães – um mito de Horus, que alimenta o povo com apenas 7 pães.

Heliópolis era bem conhecida pelos antigos gregos e romanos, sendo notada por geógrafos importantes do período, incluindo: Ptolomeu, Heródoto, Strabo, Diodorus, Arrian, Aelian, Plutarco, Solon, Diogenes Laertius, Josefo, Plínio o Velho, Tácito, Pomponius Mela e do bizantino geógrafo STEPHANUS de Byzantium, sv Ἡλίουπόλις.



Para as divindades, foi dedicado o famoso templo, a "Casa de Ra", construído pelo primeiro rei da 12 ª dinastia, Amenemhat I, no local de um templo anterior. Dois grandes obeliscos foram criados em frente do templo por seu filho e sucessor Sesostris (Senusret) I, em comemoração do seu jubileu. Grande parte da literatura religiosa do Egito originou com os sacerdotes de Heliópolis, e suas doutrinas foram amplamente divulgadas em todo o país. Sabemos a partir de registros das dimensões do recinto do templo principal em Heliópolis, em geral, tomavam a forma de um trapézio de cerca de 1.200 m de oeste para leste, e 1.000 m de norte a sul. Ainda que apenas fragmentos permanecem em pé.




Heródoto afirma que os sacerdotes de Heliópolis foram os mais bem informados em matéria de história de todos os egípcios. Heliópolis floresceu como um lugar de aprendizagem durante o período grego, o ensino de filosofia e astronomia foi frequentado por Orfeu, Homer, Pitágoras, Platão, Solon, e outros filósofos gregos. Manethon, o sacerdote chefe de Heliópolis, nos deixa a lista dos antigos reis do Egito a partir de seus arquivos. Mais tarde Alexandria eclipsou a aprendizagem de Heliópolis, assim, com a retirada do benefício real Heliópolis diminuiu rapidamente.

A posição do grande templo é marcada por um obelisco ainda de pé (o obelisco Massalla, mais antigo conhecido, sendo um de um par, criado pela Senusret I, o segundo rei da 12ª dinastia) e alguns blocos de granito com o nome de Rameses II. O obelisco ainda em sua posição original, de granito vermelho, 20 m de altura e pesa 120 toneladas ou 240.000 quilos. (fig. do obelisco Massalla)



A mitologia greco-romana disse que o Phoenix, depois de subir as cinzas de seu antecessor, traria as cinzas ao altar do deus do sol, em Heliópolis.


Origem: translate.google.com e Wikipédia

terça-feira, 21 de julho de 2009

Tutancâmon

O faraó mais conhecido para o público é um dos mais desconhecido e menos importante da história egípcia. Esse é Tutancâmon. A descoberta de seu túmulo em 1922 por Howard Carter que deu a esse faraó a celebridade mundial.

O príncipe Tutancaton viveu na corte de Amarna, foi rei aos 9 anos e morreu aos 18 anos (1347-1338 a.C). Era filho de Akhenaton, de Amenófis III, ou plebeu... Desposa a terceira filha de Akhenaton, mas está pouco presente na vida pública. Seu nome é mencionado em textos, mas não é representado nas cenas dos túmulos ou nas estelas. Ao casar-se é uma criança unida a uma menina muito jovem. Essa criança se torna faraó, investido do supremo cargo num país conturbado e dominado pela incerteza, dividido entre os partidários de Amon e Aton.


A sagração não se realiza em Amarna e sim em Tebas. Dois homens o protegem:
  1. Ay "pai divino – tenente geral dos carros, hábil cortesão que manteve os contatos entre as duas cidades, conciliador que evita uma guerra cívil;
  2. Horemheb – general de fibra que comanda as forças armadas, verdadeiro senhor do Egito.
Tutancaton passa a ser Tutancâmon, o que mostra o abandono da doutrina de Aton a favor da religião de Amon – o grande deus do império volta a ocupar o primeiro plano.


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Uma estela em quartzito, conservada no Museu do Cairo, tinha sido instalada no ângulo nordeste da grande sala hipóstila de Karnak. É nomeada "da restauração" pois conta-nos como, sob a inspiração divina de Amon, Tutancâmon devolveu seu país ao bom caminho. Horemheb que teria inspirado este grande projeto, usurpará o documento, de modo a outorgar-se o benefício das ações empreendidas por Tutancâmon.

Diz-se que o novo rei dirigiu-se ao seu palácio de Mênfis. Aconselhou-se com o seu coração e percebeu que o reinado de Akhenaton havia sido desastroso. Era indispensável restabelecer a harmonia para agradar a Amon e às grandes divindades. Os templos dos deuses e das deusas, de norte a sul, de Elefantina aos pântanos do Delta, encontram-se em estado lamentável. Os santuários estão abandonados. Só restam ruínas. As salas secretas estão todas escancaradas. O culto já não é assegurado de acordo com as tradições. Os deuses deixaram o Egito.

O mais urgente é moldar uma estátua de Amon em ouro e incrustada de pedras raras e maior do que as anteriores. O clero de Tebas ficará satisfeito. Outra estátua será dedicada a Ptah, senhor de Mênfis. Os notáveis e seus filhos são restabelecidos nas suas funções. As riquezas que pertencem aos templos lhe são restituídas. Amon amará assim a Tutancâmon mais do que a qualquer outro faraó.
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– Poderíamos crer depois de ler este texto que Tutancâmon desenvolveu uma imensa atividade arquitetônica, mas na realidade só houve renovações no domínio econômico.

  • Tebas – recupera o estatuto de capital político-religiosa, muitas estátuas apresentam o nome de Tutancâmon
  • Luxor – vemos o rei oferecer flores a Amon
  • Heliópolis – se considera o senhor da cidade
Horemheb o general, impediu qualquer tipo de invasão, Tutancâmon lhe deu todos os poderes, era o "escolhido do rei", favorito dos favoritos, o confidente dos confidentes. Horemheb era um escriba, um homem culto, que ama acima de tudo o direito e a justiça.

Com 15 anos e no seu 6º ano de reinado Tutancâmon está habituado ao modo de vida da corte e começa a conhecer o seu ofício de rei. O Egito reafirma sua presença e o jovem faraó está prometido a um futuro brilhante. Mas Tutancâmon morre aos 18 anos, seu túmulo não está pronto e o enterram num modesto jazigo, que não estava destinado a abrigar um rei.

Sua viúva Ankhesenamon, desposará Ay, escreve uma carta ao rei dos hititas. A versão cuneiforme conservou-se:
"o meu marido morreu, os teus filhos são adultos. Envia-me um deles. Desposa-lo-ei e farei dele um rei do Egito".

O rei hitita desconfia e manda outra mensagem perguntando:

Onde está o filho de Tutancâmon? como morreu este?

Esta troca de mensagens leva tempo e há que agir depressa.
"o meu marido morreu, eu não tenho filhos".
Depois de refletir e constatar que a rainha não mentia e que era talvez possível explorar a situação, enviou seu filho para ser coroado no Egito. Mas levou tempo demais e Ay, já tinha se tornado faraó. O jovem rei hitita nunca chegou ao Egito, talvez assassinado, fato que tornou ainda mais tensas as relações entre hititas e egípcios.


Reinado de Ay
Ay conduziu as exéquias de Tutancâmon e procedeu ao ritual da abertura da boca na múmia real. Ay era já um homem importante na corte de Amenófis III, seu prestígio cresceu em Amarna, onde foi um dos íntimos de Akhenaton.
  • É em seu túmulo que está gravado o «Grande Hino a Aton»
Já idoso, reina durante 4 anos ( 1337-1333 a.C ), resolve os assuntos correntes com a aprovação de Horemheb.


Reinado de Horemheb
Reina por 27 anos ( 1333- 1306 a.C ), depois de servir a 3 faraós: Akhenaton, Tutancâmon e Ay. Sua tomada de poder foi legitimada. Desposou uma princesa de sangue real. Usurpou os monumentos de Tutancâmon e de Ay, apaga os três reinados que o precederam e liga-se diretamente a Amenófis III, que considera seu antepassado. Em Tebas manda desmontar as construções de Akhenaton, mas não as destrói. Horemheb reorganiza o Egito. A autoridade central é restaurada. Um verdadeiro faraó está de novo à frente do país. Nem mesmo os mais altos funcionários escapam à justiça.

Sendo um rei piedoso, desconfia da casa sacerdotal, e escolhe alguns sacerdotes entre os seus amigos militares. Reorganiza tribunais, colocando à sua frente homens íntegros. A circulação do Nilo é restabelecida, permitindo que a economia funcione.

Com esse reinado pacífico, chega ao fim a 18ª dinastia, a mais célebre da história egípcia. A 19ª dinastia instaura-se com um rei soldado como Horemheb. O Egito prepara-se para conhecer uma etapa do seu longo percurso em que a guerra assumirá uma importância cada vez maior.



Tutancâmon não deixou muitos vestígios históricos, mas o tesouro artístico, espiritual e simbólico que nos legou fez brilhar a glória do Egito por séculos e séculos.



Fonte: 'O Egito dos Grandes Faraós' história & lendas' de Christian Jacq

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Neftis

Uma divindade da mitologia egípcia. Representava as terras áridas e secas do deserto e a morte. Ajudou Ísis a recolher os pedaços de Osíris quando Seth o destruiu. Representada como uma figura feminina com o seu nome em hieróglifo na sua cabeça. Conhecida como a 'Senhora dos Palácios', 'Dama da Casa' e 'A Reveladora'.

Enquanto Ísis representava a força da vida e do renascimento. Neftis era a deusa do pôr-do-sol, dos túmulos e da morte. Seus respectivos cônjuges também representavam energias opostas. Osíris, o marido de Ísis, era o deus da fertilidade; Seth, o de Neftis, representava a aridez, a esterilidade e a maldade. O deus Seth é também conhecido como o assassino de Osíris. Neftis é uma deusa guardiã e ajudou Ísis a colher os pedaços de Osíris quando Seth o destroçou. Também ajudou Ísis a reanimar o corpo de Osíris por tempo o bastante para que ela concebesse um filho. Por isso é muito freqüente ver juntas ambas as deusas, uma na cabeça e outra nos pés do sarcófago. A Neftis é representada junto sua irmã, chorando e velando Osíris.

Como divindade relacionada com o mundo funerário e pelo seu papel na mumificação, as faixas que envolviam o defunto eram consideradas como madeixas do seu cabelo.

Quarta filha de Nut e Geb. Irmã de Osíris, Ísis e Seth, desposou seu irmão Seth. Após uma briga com o marido, fantasiou-se de sua irmã Ísis. Osíris, pensando que era a sua mulher, teve relações com ela. Dessa união, nasceu Anúbis, deus dos embalsamadores.

Apesar de ser representada como uma bela mulher de olhos verdes, Neftis era chamada de a irmã obscura de Ísis. Por vezes, era representada com longos braços alados estendidos em proteção; em outras vezes, ela carregava uma cesta em sua cabeça.

– Plutarco nos deu uma explicação bastante esotérica sobre estas duas irmãs:

"Neftis designa o que está embaixo da terra e que não se vê (isto é, seu poder é de desintegração e reprodução), e Ísis representa o que está sobre a terra e é visível (a Natureza física). O círculo do horizonte que divide estes dois hemisférios e é comum a ambos é Anúbis".


Como uma deusa da Lua Nova, Neftis se compadece e compreende as fraquezas humanas. Seu aconselhamento é justo e sábio. Ela rege as artes mágicas, os conhecimentos secretos, os oráculos e as profecias. Animais como serpentes, cavalos, cães brancos, e dragões eram seus, assim como aves como a coruja e o corvo. No Egito, o pentagrama (estrela de cinco pontas) era conhecido como a estrela de Ísis e Néftis.

Essa deusa regia a morte a magia escura, coisas ocultas, conhecimentos místicos, proteção, invisibilidade ou anonimidade, intuição, sonhos e paz. Neftis, apesar de seu aspecto obscuro, oculta toda a força do feminino em sua mais abnegada e sedutora expressão e representa ainda, a compreensão que nasceu do amor sem fronteiras.

Fonte: Wikipédia e ~rosanevolpatto~

Pi-Ramsés

Pi-Ramsés ou também Per-Ramsés ("A Casa de Ramsés"), foi a capital do Baixo Egito durante o reinado de Ramsés II e até ao fim da 20ª dinastia egípcia. A cidade localizava-se em Aváris, na região central do Delta do Nilo.

Para essa localidade Ramsés II transferiu a capital do Egito, antes sediada em Mênfis, pois o centro econômico e internacional do país havia se deslocado para o Delta e também porque sua família era originária daquela região. A mudança lhe permitiria escapar da influência do poderoso clero de Tebas e ficar mais próximo das fronteiras com a Síria e a Líbia, paises vassalos cuja reação ainda era um tanto imprevizível, sendo bom dar maior proteção às fronteiras egípcias. A maior proximidade com a costa do Mediterrâneo era outro fator positivo do deslocamento da capital.

A cidade foi erguida sobre uma aglomeração fundada por Seti I no começo do reinado de Ramsés II. Para lá são transferidos obeliscos e nela se erguem templos dedicados às principais divindades egípcias, como Amon, Rá e Ptah. Dois séculos depois as suas estátuas e obeliscos da cidade foram transferidas para Tânis, a nova capital da 21ª dinastia egípcia. As razões que explicam esta mudança de capital, além das raízes familiares do pai de Ramsés II – Seti I, é a sua localização estratégica estar mais próxima do principal inimigo do Egito na época, o reino Hitita (atual Turquia), facilitando assim a vigia das fronteiras e uma intervenção militar.


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Aváris (em egípcio: Hut-waret (ḥw.t-wˁr.t), em grego: Auaris, αυαρις) foi uma cidade fortificada do Antigo Egito contruída pelos invasores hicsos para servir-lhes de capital. Foi destruída quando da derrota dos hicsos, na 17ª dinastia, por Kamósis e recontruída mais tarde por Ramsés II, que a rebatizou de Pi-Ramsés ou Per-Ramsés (Casa dos Ramessidas), e fez da cidade a nova capital de seu reinado. Estima-se que a localização da cidade esteja na atual Tell el-Daba, localizado no Delta do Nilo.
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Em Pi-Ramsés localizava-se o palácio dos ramessidas, que começou a ser construído por Seti I (c. 1306 a 1290 a.C), pai de Ramsés II, de suntuosidade impressionante. As paredes interiores do palácio eram decoradas com lindíssimos mosaicos de cerâmica. Foi daí que Ramsés II partiu, no 5º ano do seu reinado, em campanha contra os hititas. No decorrer da 20ª dinastia (c. 1196 a 1070 a.C) o braço oriental do Nilo começou a secar e, em consequência, a cidade foi abandonada durante a 21ª dinastia (c. 1070 a 945 a.C) e tudo o que era transportável foi removido para Tanis e Bubástis, inclusive muitos dos monumentos de pedra. (imagem de um mosaico do palácio dos ramessidas)


Sabe-se que em Pi-Ramsés foram construídos vários templos importantes:
  1. o principal – situado no centro da cidade, foi dedicado a Amon-Harakhti-Atum.
  2. um templo do deus Seth foi encontrado,
  3. dois templos menores dedicado, um à deusa Astarte e o outro à deusa Wadjit.
Todas as áreas da cidade, sejam residenciais, destinadas ao culto ou ao enterro dos mortos, estão sendo mapeadas pelos arqueólogos. Embora os templos e os palácios possam ter sido destituídos de seus monumentos quando a capital mudou de local, muitas estátuas e blocos foram recuperados em Tanis, pois sabe-se agora que originalmente pertenciam a Pi-Ramsés. Diante do templo de Amon havia duas estátuas colossais de Ramsés II que foram re-usadas no templo de Tanis. Também havia um pátio impressionante construído por Ramsés II para os seus festivais sed, com obeliscos, estátuas e colunas.

– Entre as descobertas estão:
  • oficinas militares destinadas à fabricação e manutenção de armas, de carros de guerra leves, de duas rodas;
  • um enorme conjunto de estábulos que se calcula possam ter abrigado até 460 cavalos. Tais estábulos surpreendentes, os maiores já encontrados, cobrem uma área de quase 17.000 m². Incluem 6 filas idênticas de corredores, sendo que cada um deles foi dividido em 12 baias, de 12 m de comprimento cada uma. O chão é inclinado na direção de buracos destinados a coletar a urina dos cavalos, a qual se acredita que era empregada no tingimento de tecido, tratamento do couro e fertilização de vinhedos. O conjunto estava conectado a um vasto pátio, que era provavelmente usado para exercícios ou aprendizado de equitação. Havia duas camadas de estábulos, sendo que os maiores e posteriores provavelmente tenham sido construídos por Ramsés III (c. 1194 a 1163 a.C). Um dos pesquisadores enfatizou que os cavalos eram muito importantes na expansão do império egípcio e que os estábulos descobertos foram construídos em um local estratégico, perto de rotas comerciais que levavam ao Líbano e à Síria e que passavam não muito longe do território hitita.
  • os arqueólogos também localizaram oficinas de produção de vidro e faiança e um palácio com um piso feito de estuque folheado a ouro, com um cartucho policromado de Ramsés II nele embutido.
  • ao redor das oficinas militares, várias partes de carros de combate, cabos de setas, pontas de flecha em pedra, cabeças de dardo, punhais e lâminas de bronze para armaduras foram descobertos.

Fonte: Wikipédia e Cidade de Pi-Ramsés

domingo, 19 de julho de 2009

Nemes

Adorno listrado enfeitado na parte da frente com a serpente protetora dos faraós.
Era um toucado usado pelos reis do Antigo Egito desde o Império Antigo até à época ptolomaica.

Era feito com linho ou talvez em alguns casos com couro. Cobria a cabeça do rei, possuindo umas abas simétricas que caíam sobre os ombros. Na parte posterior o tecido era amarrado com uma espécie de trança. As cores mais comuns eram o amarelo-ouro e o lápis-lazúli, apesar dos Textos das Pirâmides aludirem à sua cor branca, associada à deusa Nekhbet, padroeira do Alto Egito. A parte da testa era decorada com o uraeus – uma serpente que representava Uadjit, deusa tutelar do Baixo Egito; acreditava-se que o uraeus era capaz de proteger o rei dos seus inimigos.

O primeiro rei que se conhece representado com o nemes é Djoser da 3ª dinastia egípcia. O nemes surge quer em representações do rei vivo, quer nas do rei falecido. Está também presente na Esfinge do Planalto de Guizé. (Wikipédia)








Fotos: lenemes.tk

19ª Dinastia


Seti I e seu filho Ramsés II, contemplando os seus antepassados

Foi fundada em 1293 a.C quando o faraó Ramsés I assumiu o trono. O último faraó da 18ª dinastia, Horemheb, conseguiu no seu reinado de cerca de um quarto de século estabilizar o Império Egípcio e as suas fronteiras, após o conturbado período dos Reis de Amarna. Morreu sem herdeiros e deixou como sucessor o seu vizir – Paramesse, agora, Ramsés I que morre no seu segundo ano de reinado. A sua Grande Esposa Real, foi a pioneira na criação de túmulos no Vale das Rainhas. Até à data, as rainhas eram normalmente supultadas nos túmulos dos seus esposos. Se morressem posteriormente, o túmulo seria reaberto. Contudo, Sitré teve direito a túmulo próprio numa zona adjacente ao Vale dos Reis, hoje conhecida como Vale das Rainhas.

A 19ª dinastia, ou dinastia Ramséssida devido ao nome do seu fundador, prosseguiu com Seti I, filho de Ramsés I. E depois com o filho deste: Ramsés II 'o Grande'. Sob a proteção destes dois monarcas o Egito prosperou. O Egito conheceu um esplendor inimaginável. Tanto no curto reinado de pouco mais de uma década de Seti I, como no longo reinado de 64 anos de Ramsés II, as campanhas militares sucederam-se e o Egito era a primeira potência da zona do Médio Oriente e Norte de África. O fulgor artístico e a magnificência do aparato régio e clerical não encontram par em nenhum outro período da história egípcia.


Com a morte de Ramsés II 'o Grande', entrou também em declíneo a época áurea do Egito faraônico. O seu filho e sucessor Merenptah teve de enfrentar um período de crescente instabilidade durante o seu reinado de cerca de uma década. Quando da sua morte ocorreu um intervalo na sucessão do Trono das Duas Terras: os indícios arqueológicos apontam para um golpe de Estado em que um príncipe, Amenmesés, terá aproveitado a ausência do presuntivo herdeiro para tomar o poder durante quatro anos. O verdadeiro herdeiro do faraó Merenptah, o príncipe Seti-Merenptah, recupera o trono, com o nome de Seti II. O Egito cada vez mais se abria ao Mundo Mediterrânico, perdendo o isolamento quase total que o seu enquadramento geográfico lhe proporcionava. Já desde o Império Médio que as relações diplomáticas, quer hostis quer amigáveis, se vinham intensificando. Com faraós como Amenhotep III, da 18ª dinastia ou Ramsés II, da 19ª dinastia, tal intercâmbio com o estrangeiro atinge apogeus de intensidade. Situação que se mantém em continuo daí em diante e que levará a situações como a vivida por Ramsés III face aos Povos do Mar.


A Seti II sucede o filho Siptah num curto e atribulado reinado de 6 anos. Com a morte de Siptah extingue-se a linha dos Ramséssidas. A Grande Esposa Real de Seti II, Tausaret, apodera-se do trono e declara-se faraó tomando todos os nomes e títulos inerentes ao cargo. A 19ª dinastia acaba assim em grande confusão e os egiptólogos acreditam que a presença de uma mulher no trono provocou um período de anarquia. Um novo faraó acabará por se impor, Setnakht; fundando a 20ª dinastia egípcia.


























































_______Lista de Faraós_________

Nome (Nome do cartucho) – Datação aproximada do reinado (ainda há muitas divergências quanto as datas)

1º - Ramsés I (Menpehtire) – 1293 a 1291 a.C.
2º - Seti I (Menmaat-re) – 1291 a 1278 a.C.
3º - Ramsés II (Usermaat-re-setepenre) – 1279 a 1212 a.C.
4º - Merneptah (Baenre-hotepirmaat) – 1212 a 1202 a.C.
5º - Amenmesés (Menmi-re) – 1202 a 1199 a.C.
6º - Seti II (Userkheprure-setepenre) – 1199 a 1193 a.C.
7º - Siptah (Akhenre-setepenre) – 1193 a 1187 a.C.
8º - Tausert (Sit-re-meritamun) – 1187 a 1185 a.C.

Fonte: Wikipédia

sábado, 18 de julho de 2009

Depois de Ramsés II – antes de Ramsés III

O Egito estava mergulhado no caos, desde que morrera Ramsés II . Como seu sucessor, seu filho Merenptah, o império ainda tinha conseguido manter suas fronteiras, enfrentou a invasão de povos a partir da Cirenaica, que tentaram entrar no Egito sob o comando de um príncipe líbio. O faraó foi a seu encontro, e o fez fugir na "profundidade da noite". (ao lado imagem do 'sarcófago de Merenptah')

No entanto, a crise política ia crescendo, desde que Ramsés II mandara construir sua nova capital em Pi-Ramsés, no Delta. As antigas rivalidades entre o Baixo e o Alto Egito foram aumentando, Ramsés II aplacou-as com enormes donativos ao clero de Amon em Tebas. Mas eram tempos de abundância, tempos de riquezas, que entravam por todos os lados, as fronteiras expandiam como nunca em toda a sua história. Com a morte de Ramsés II, a situação começou a deteriorar, e de forma gradual, já no fim do reinado de seu sucessor Merenptah, os príncipes tebanos manobraram habilmente para não perder o poder preponderante que havia ostentado durante os últimos 400 anos.

Merenptah tomou como esposa real Ísis-Nefert, sua irmã, que lhe deu 2 filhos:
  1. o herdeiro Seti-Merenptah e
  2. a menina Tawsret
Mas com Tajat, uma das mulheres do harém, que não tinha sangue real, teve outro filho:
  1. Amenmés
Com a morte de Merenptah, o clero tebano, por meio do seu sumo sacerdote Roi, dotado de grande inteligência e detentor de enorme poder e influência, impôs Amenmés no trono como legítimo faraó do Egito. Durante 3 anos, o país continuou enfraquecendo. As arcas de Amon monopolizaram riquezas e a aristocracia tebana manteve suas parcelas de poder. Os príncipes do Delta, contrários à supremacia que de novo era imposta a eles desde o sul, iniciaram desordem ao mesmo tempo que apoiavam Seti-Merenptah, o legítimo herdeiro. O Egito se encontrava à beira de uma guerra civil. Amenmés morre repentinamente e de forma misteriosa no terceiro ano de seu reinado, Seti se proclama o rei do Alto e Baixo Egito, e reina com o nome de Seti II. (ao lado estátua de Seti II)

Naquele tempo, um estrangeiro de nome Bay, ascendeu vertiginosamente dentro do aparelho governamental, transformando-se em Grande Administrador do selo real. Seti II morre no seu 6º ano de reinado e sua irmã e grande esposa real Tawsret, ficou sozinha, tinha a alternativa de se casar com seu administrador real, e deixar sobre ele todo o peso do Estado. Mas Bay sendo estrangeiro, não podia ocupar o trono das Duas Terras, então Tawsret fez com que seu filho menor de idade, chamado Siptah, junto com Bay governassem juntos.

Siptah foi proclamado faraó com 14 anos, sofria de uma doença desde a infância, poliomielite. Mas Siptah-Merenptah (que se fez coroar com esse nome), não estava disposto a permitir que os negócios do estado continuassem nas mãos da rainha mãe e pouco a pouco foi controlando as rédeas do país. Como primeira medida, enviou generosos presentes aos funcionários núbios e nomeou um novo vice rei para esta província, de nome Seti. Com essa hábil medida, o faraó conseguiu que toda a nobreza tebana ficasse entre duas forças, com o que as revoltas ficaram sufocadas e o barco egípcio pode navegar por águas mais tranquilas. Mas lamentavelmente aos 20 anos, ele morreu e de novo Tawsret ficou com o governo, junto com seu primeiro ministro, que na sombra detinha mais poder ainda a cada dia que passava, a rainha continuou ditando a lei no país durante 2 anos, quando faleceu. Bay proclamou-se príncipe e ditou novas lei:
  • todo país a pagar tributos;
  • saqueou, junto com seus seguidores, todos os bens e rendimentos;
  • igualou os deuses com os homens;
  • proibiu as oferendas nos templos;
e a anarquia tomou conta do Egito.

Um velho general da região do Delta, aparece com determinação, ergue-se em meio ao caos, tomando o controle absoluto do país. Suas tropas foram em socorro de cidades e templos, até que limpou todo resquício de poder criado por Bay. Em apenas 2 meses, nada restava da desordem introduzida pelos asiáticos e o país estava outra vez em paz. Foi coroado com grande pompa e elevado ao trono com o nome de Usi-Khaure-Setepen-Rá, embora o povo o chamasse de Setnajt, seu nome de batismo. Com ele começa a 20ª dinastia.

Tudo volta à normalidade de antigamente e o Vale do Nilo se transforma outra vez no lugar aprazível onde os deuses voltaram a ser venerados e as velhas tradições respeitadas.

Setnajt morre 2 anos depois. Seu filho Ramsés o sucedeu. O general havia preparado bem este momento, fazendo com que seu filho governasse em co-regência com ele durante seu último ano de vida. A troca de faraó implicou apenas uma transferência de poderes oficial, pois Ramsés já governava o Egito de fato. Era o ano de 1182 a.C e com ele iniciava-se um reinado de 31 anos, que seria o do último faraó do Egito: Ramsés III .




Origem: do livro 'O Ladrão de Tumbas' de Antonio Cabanas - págs. 61 a 64.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Elefantina

É uma ilha de rochas de granito, fica em frente da cidade de Assuão, no rio Nilo, no sul do Egito. Encontra-se a cerca de 900 km ao sul do Cairo, a capital egípcia, próximo a primeira catarata. Tem cerca de 1500 m de comprimento e 500 m de largura na parte sul. Antigamente, na época predinástica foi habitada e a partir do período da 1ª dinastia atingiu grande importância religiosa, comercial e militar, e manteve assim até o fim da História Egípcia Antiga. Elefantina, Apw em hieróglifos, logo foi conhecida pelos gregos como “Elefantina” provavelmente porque lá houvesse um centro mercantil ou mercado notório onde se vende o marfim africano. Sabe-se que os reis egípcios construíram templos dedicados à tríade da ilha ( Khnum, Satet e Anqet).

Quando as atividades comerciais foram transferidas a cidade de Assuão durante a época greco-romana Elefantina começou a perder parte da sua importância. No século V a.C a ilha foi convertida a uma fortaleza pelos romanos. Os monumentos da ilha foram usados por séculos como pedreiras o que resultou em grande destruição das estruturas antigas. Entre as mais marcantes ruínas monumentais do local destacam-se:
  • O templo da deusa Satet, a deusa da Guerra e a esposa do deus Khnum, deus da criação segundo as crenças antigas. Este templo foi construído na época Ptolomaica. Parece que tal templo foi instalado em cima de ruínas de outro templo mais antigo datado do reinado de Hatshepsut (18ª dinastia).
  • As ruínas do templo do deus Khnum ainda se encontram lá, e atestam que aquele templo construído no reinado de Nekht-Nebf (o último faraó nacional da 30ª dinastia) foi enorme e de destaque. Também houve aumentos adicionados à construção durante o período greco-romano.
  • Se encontra também o cemitério dos carneiros sagrados que abrigam muitos sarcófagos de pedra, onde umas múmias de carneiros foram achados, e esses carneiros, sem dúvida, simbolizam o deus Khnum, deus da criação e senhor da catarata. Hoje em dia essas múmias estão exibidas no Museu de Assuão na ilha.
Na época do rei Apriés (26ª dinastia) os judeus fixaram-se na ilha, onde formaram uma comunidade próspera. Após o período de dominação persa sobre o Egito os judeus foram perseguidos. Sabe-se que na ilha existiu um templo dedicado a seu deus, que foi destruído.
Atualmente Elefantina é uma atração turística, onde chegam os vários cruzeiros que percorrem o Nilo.

____Arqueologia______
A ilha tem sido alvo de escavações arqueológicas intensas nas últimas décadas, apesar do governador turco de Assuão ter mandado destruir vários achados da ilha em 1822.

Destaca-se na ilha o «Nilômetro», mencionado pelo grego Estrabão – era uma forma de medir o nível do Nilo, consistindo num conjunto de oitenta degraus que se acham na costa, junto ao rio. É possível observar marcações nas suas paredes que remontam ao período romano.

O faraó Amen-hotep III (Amenófis III) mandou construir na ilha um templo por ocasião do seu jubileu, no 30º ano do seu reinado. Este templo, situado a oeste do Nilômetro, existiu até o século XIX, mas nada resta dele atualmente. Sucedeu o mesmo ao templo de Tutmés III, destruído em 1822. Ramsés II também mandou construir um pequeno templo, igualmente perdido.

Nesta ilha foi descoberta uma pequena pirâmide da época do Império Antigo e um calendário inscrito na rocha da época do rei Tutmés III (18ª dinastia). Nectanebo II mandou construir na ilha um grande templo dedicado a Khnum que foi concluído no período ptolemaico e romano, cujas ruínas se acham no local. Na margem esquerda do Nilo, em Qubbet el-Haua, localizam-se túmulos escavados na rocha de governantes locais da época dos Impérios Antigo e Médio, destacando-se o túmulo do governador Sarenput (12ª dinastia).

Fonte: Wikipédia e descobriregipto.com

sábado, 11 de julho de 2009

O porta jóias da rainha Hetepheres I


Hetepheres I era a esposa de Snefru, o primeiro governante da 4ª dinastia, que reinou de 2575 a 2551 a.C . Ela também foi a mãe de Quéops, que subiu ao trono do Egito quando seu pai morreu. Sua tumba original devia estar em Dahchur, perto da pirâmide do marido, mas quando foi violada por ladrões, logo após o funeral, decidiu-se que tudo seria transferido para uma tumba mais segura, próxima a pirâmide de Quéops.

Os objetos encontrados na tumba da rainha eram particularmente ricos e excepcionais, numerosos, empilhados perigosamente dentro da tumba, e o porta jóias de madeira dourada, estava dentro de uma arca.



Porta jóias – suas superfícies, interna e externa, são cobertas com folhas de ouro horizontais cortadas, as bordas apresentam um padrão semelhante ao das tranças das esteiras de palha. A tampa, fixa por dobradiças, na parte posterior, é erguida por um puxador de marfim colocado no centro. A cada lado desse puxador há uma inscrição hieroglífica horizontal:
  • lado esquerdo – "caixa com pulseiras"
  • lado direito – "mãe do rei do Alto e do Baixo Egito, Hetepheres"
O porta jóias foi feito para guardar duas fileiras de 10 pulseiras. As jóias eram rosqueadas nas barras de madeira, cujas as extremidades tinham discos de ouro. Continha 20 pulseiras, algumas em estado de deterioração, as pulseiras feitas de folhas encurvadas de prata, abrindo-se no interior. A superfície externa tem algumas depressões para a inserção de incrustações coloridas, formando uma decoração policromática e vívida. Quatro borboletas estilizadas são separadas uma das outras por um pequeno disco de cornalina vermelha. Os corpos dos insetos e partes de suas asas são incrustados com lápis-lazúli. As cabeças e as asas são feitas de turquesa, enquanto as caudas são de cornalina. O porta jóia tem 41,9 cm de comprimento, 33,7 cm de largura, 21,8 cm de altura e as pulseiras 9 a 11 cm de diâmetro.


A rainha deve ter usado estas pulseiras nos antebraços, como podemos ver em numerosas esculturas em relevo das tumbas do Antigo Império, e não ao redor dos tornozelos.



Origem: 'Tesouros do Egito' do Museu Egípcio do Cairo – editado por Francesco Tiradritti e fotografias de Araldo De Luca

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Conto do Náufrago



O Conto do Náufrago ou A Ilha da Serpente é um conto literário do Antigo Egito da época do Império Médio, século XX a.C.



Conhecido graças a um único manuscrito, o Papiro São Petersburgo 1115 – 12ª dinastia. Este papiro também é conhecido como o Papiro Golenischeff, em honra ao egiptólogo russo Vladimir Semenovitch Golenischeff que o encontrou no Museu Imperial de São Petersburgo em 1881, publicando só em 1913, desconhecendo-se como foi ali parar. Atualmente o papiro encontra-se no Museu Pushkin em Moscou. Trata-se de um papiro de 3,8 m de comprimento, em excelente estado de conservação, contendo 189 linhas (136 verticais e 53 horizontais).

História – Relata as aventuras de um marinheiro egípcio que partiu num barco para uma expedição num país onde se achavam as minas de cobre do faraó. Durante a viagem ocorre um naufrágio, no qual morrem todos os 120 integrantes da tripulação, descritos como os melhores marinheiros egípcios, com exceção do protagonista. Agarrado a uma prancha permanece 3 dias em alto mar, até alcançar uma ilha.

Nesta ilha habitava uma grande serpente de cores dourada e lápis-lazúli, que o recebeu e levou para uma caverna, sem atacá-lo. Esta serpente era a soberana da ilha, que se caracterizava por possuir grandes riquezas. A serpente comunica ao náufrago que dentro de quatro meses passará pela ilha um barco que o levará de volta a casa.

Quatro meses mais tarde, as palavras da serpente cumpriram-se. A serpente carrega o navio com as riquezas da sua ilha, como a canela, o marfim, as peles, óleos perfumados e macacos. A história termina com o regresso do herói ao Egito dois meses depois de ter partido da ilha.
___FIM___


Embora trate de uma obra de ficção, os investigadores encontram no texto elementos da história e cultura egípcia, como a exploração mineira no Sinai (que foi intensamente desenvolvida pelo rei Amenemhat III da 12ª dinastia) e as viagens comerciais ao país de Punt, um local ainda não totalmente identificado (seria talvez na região do Corno de África), mas que se caracterizava pela sua riqueza. Atualmente os textos, do Conto do Náufrago e o Romance de Sinué, são usados em aulas de aprendizagem da língua egípcia. (Wikipédia)

A História de Sinué

Não é de se admirar que o período de Sesóstris (Senusert) tenha sido considerado, como aquele em que a língua egípcia atinge a sua idade "clássica". Quando se inicia nos hieróglifos, se começa a leitura pelos textos do Médio Império como o Conto do Náufrago ou o Romance de Sinué.

O Romance de Sinué – trata-se de uma história completa, reconstituída graças a diversos papiros e ostracas. A narrativa é feita na primeira pessoa. Sinué que significa "filho do sicômoro", conta a sua vida.


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Nascido num meio modesto e educado na corte de Lischt, era servo do harém da rainha Snefru, esposa de Sesóstris I, ano 10 de seu reinado, partilhando o reinado com seu pai, Amenemhat I. Sesóstris I conduz uma operação militar no território líbio. Sinué que fez a viagem, vai se ver envolvido numa complicada situação que decidirá o seu destino.

No sétimo dia do terceiro mês da estação das inundações, no ano 30, o rei Amenemhat I subiu ao seu horizonte, unindo-se ao disco solar. Sesóstris recebe a notícia e parte imediatamente para regressar a capital. Sinué surpreende, em uma noite, a conversa secreta que parece revelar um complô contra o rei; foge, dominado por um grande pânico. "O meu coração perturbou-se", confessa, "os meus braços soltaram-se do meu corpo, pois todos os meus membros tremiam. Afastei-me de um salto, em busca de um esconderijo".

Sinué parte para sudeste, passa o extremo meridional do Delta, atravessa o Nilo e alcança "as muralhas do príncipe". Uma célebre fortaleza construída pelo Faraó Amenemhat I na fronteira nordeste do Egito para proteger o país contra eventuais investidas asiáticas no Delta. Caminha durante a noite, mas vai perdendo as forças. "Tive um ataque de sede, de modo que sufocava e tinha a garganta seca. Disse para comigo: ' É o sabor da morte ' ." Ouve mugir um rebanho. Beduínos aproximam-se, um xeque que havia estado no Egito reconhece Sinué e dá-lhe água e leite, levando-o para sua tenda.

Prossegue a vida de eremita, anda de terra em terra. Percorre a Síria-Palestina e chega a Qedem ao sul de Biblos e passa lá um ano e meio. É então levado pelo príncipe do Retenu superior, um principado palestino, e casa com a filha mais velha do príncipe, recebendo terras magníficas: "Produziam figos e uvas; o vinho era mais abundante do que a água; tinha muito mel e azeite em quantidade; as suas árvores davam frutos de todas as espécies. Também havia cevada e trigo, e o gado de todos os gêneros era enorme." Sinué passa alguns anos nesse paraíso. "Os meus filhos tinham-se tornado fortes, e cada um deles dominava a sua tribo." Sinué era general dos beduínos, alcança numerosas vitórias e a sua fama aumenta na região.

Um "valentão de Retenu", uma espécie de gigante que ninguém ainda conseguiu vencer, provoca o egípcio. "Dizia que lutaria comigo: pensava que me roubaria e propunha-se furtar o meu gado." Sinué não conhece o homem e não entende seu ódio. Mas prepara-se para o combate. Vence o adversário com uma seta lançada em seu pescoço, o gigante cai de bruços, abate-o com seu próprio machado e brada a vitória.

Mas Sinué não é feliz "Ó deus, sejas tu quem fores que predestinaste esta fuga, sê clemente e devolve-me à corte." Os antigos egípcios, quando no estrangeiro, desejavam voltar ao Egito, a idéia de não poderem ser enterrados em sua terra era insuportável. As suas preces foram atendidas e o faraó envia uma carta ao egípcio exilado: "Regressa ao Egito, para que voltes a ver a corte em que cresceste, para que beijes a terra da dupla grande porta e te reúnas com os amigos" escreve Sesóstris I.

Sinué distribui os seus bens pelos filhos. Quando chega ao palácio do faraó em Lischt e depara com Sesóstris fica tão emocionado que perde os sentidos. O rei se mostra amigável e benévolo chegando a dizer à rainha: "Olha como Sinué parece um asiático, um verdadeiro filho de beduínos!". Sinué é de novo introduzido no círculo dos nobres, dos próximos ao monarca. É instalado numa casa principesca. Tem cerca de 60 anos e passou pelos menos 25 no estrangeiro. Operários são encarregados de restaurar uma casa no campo que havia pertencido a um nobre. E é lá que Sinué terminará os seus dias, num túmulo preparado com muito esmero. "Eu fui contemplado pelos favores reais até o dia da minha morte".
_______FIM________


Assim nos é apresentado este belo texto que evoca maravilhosamente o tempo de Sesóstris e a requintada civilização dos faraós do Médio Império. O mundo sírio-palestino é descrito com certa precisão e sem preconceitos, em grande contraste com o Egito e a sua corte real, onde se afirmam os valores espirituais e culturais. Elegância da língua em que o texto é redigido, encanto da aventura, profundidade dos pensamentos e dos símbolos: O Romance de Sinué merece ser considerado uma obra-prima.

do livro' O Egito dos Grandes Faraós' de Christian Jacq

Egito

Duas grandes forças: o rio Nilo e o deserto do Saara, configuraram uma das civilizações mais duradoras do mundo. Todos os anos o rio inundava suas margens e depositava uma camada de terra fértil em sua planície aluvial. Os egípcios chamavam a região de Kemet, "terra negra". Esse ciclo fazia prosperar as plantações, abarrotava os celeiros reais e sustentava uma teocracia – encabeçada por um rei de ascendência divina, ou faraó – cujos conceitos básicos se mantiveram inalterados por mais de 3 mil anos. O deserto, por sua vez, atuava como barreira natural, protegendo o Egito das invasões de exércitos e idéias que alteraram  profundamente outras sociedades antigas. O clima seco preservou artefatos como o Grande Papiro Harris, revelando detalhes de uma cultura que ainda hoje suscita admiração.

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