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sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O profissionalismo das egípcias




Muitas egípcias tinham uma profissão absorvente: donas de casa. Mas muitas tiveram um ofício fora da vida familiar e ocuparam importantes funções, a começar pelas grandes esposas reais que estavam à cabeça do Estado, ao lado dos faraós.





Vizir
O braço direito do casal régio era o vizir – uma espécie de primeiro ministro com múltiplas tarefas. O termo verdadeiro é tchaty "o da cortina", aquele que conhece os segredos do faraó, porque foi admitido do outro lado do véu e sabe guardar silêncio "correndo a cortina". Encarregado de executar a vontade do soberano, o vizir jurava cumprir, sem fraquejar, todos os seus deveres e devia observar uma total integridade, sob pena de ser demitido das suas funções, as quais, confirma o texto da investidura podiam ser "amargas como fel".

Uma inscrição do Antigo Império, mostra um documento de memória dos títulos de uma dama "a soberana, a senhora", que foi princesa hereditária (repat), diretora (haty-batet). O caso é raro, se conhece outra mulher que foi vizir, na 26ª dinastia, período deliberadamente inspirado na idade áurea do Antigo Império. Mas o fato não é considerado excepcional, e a inscrição particularmente não o realça.


Altas funcionárias
Na documentação poupada pelo tempo e pelas destruições, descobrimos que uma mulher podia ser governadora de uma província, de uma cidade ou de uma circunscrição administrativa o que implicava um importante trabalho à frente de um pessoal numeroso. Podia tranquilamente ser inspetora do Tesouro, superiora das estofas e da casa da tecelagem, dos cantores e dos bailarinos, das salas das perucas. A exceção do exército, estavam abertos quase todos os setores de atividade que caracterizavam a civilização faraônica.

Fonte: 'As egípcias' de Christian Jacq

domingo, 29 de agosto de 2010

A Ama

Após o nascimento da criança, entra em cena – a ama. Em muitos casos a própria mãe amamentava o filho, mas a ama a assistia para resolver os problemas que surgissem.

A primeira questão era dar nome à criança, que recebia dois nomes:
  1. utilizado diariamente
  2. que definia o seu ser autêntico e secreto (nome dado pela sua mãe e revelado à criança caso esta se mostrasse digna)
Os nomes dos egípcios e das egípcias eram extremamente variados, e especialistas na matéria redigiram abundantes repertórios. A mãe pode dar ao filho o nome de "o Sírio", "o Núbio", mesmo que não seja originário dessas regiões; mas porque considera que sua existência estará relacionada com elas; também escolhe "a Bela", "o Guardador de pássaros"... o fato de atribuir um nome implica um dom de vidência praticado quer pela mãe, quer por uma mulher consultada. Cada nome tem um sentido preciso, que orienta a existência do seu portador.


A importância da ama
Várias tiveram um importante papel na corte egípcia. Tiyi – esposa do dignatário Ay, futuro faraó, e que deu o seio a Nefertiti e educou-a. Chamava "Grande ama" àquela que amamenta um futuro rei. Dispondo de um servo, a ama real tem ainda a possibilidade de mandar escavar um belo túmulo.

Satré, ama da rainha Faraó Hatchepsut, teve o grande privilégio de ver sua estátua colocada no interior do templo de Deir el-Bahari.

Datados da época baixa, determinados contratos especificam que, em troca de honorários, a ama se comprometia a amamentar a criança ou a tratar dela durante um período bem determinado. Também exercia uma função médica e tratava em particular da incontinência urinária da criança, fazendo-a absorver pílulas compostas de parcelas de pedra fervida ou de um líquido à base de cana. O pior para uma ama era não ter leite, ela dispunha de um remédio eficaz contra este inconveniente: ungir as costas com um unguento a base da espinha dorsal de um peixe, o lates niloticus, cozida em azeite.

Como as crianças tinham que ser amamentadas durante pelo menos 3 anos, segundo as prescrições médicas, o trabalho não faltava às amas, sendo mais bem pagas do que certos terapeutas.

Considerado como "o líquido que cura", o leite era examinado com atenção, devia ter o cheiro das plantas aromáticas ou de farinha de alfarroba. A longa duração da amamentação explica a inexistência de raquitismo nos esqueletos das crianças egípcias. O leite podia ser recolhido em recipientes de barro em forma de mulheres apertando os seios e com uma criança no colo.

Tratar os seios das amas era uma tarefa essencial, destinada a evitar pruridos, sangrias e supurações. Os médicos utilizavam produtos à base de cana, fibras vegetais, pistilos e estames de junco.


Leite para o faraó
Em uma estela da XVIII dinastia vemos uma mulher de peruca, sentada numa cadeira de espaldar baixo, dando o seio a uma criança, provavelmente um rapaz, deitado em seu colo. Diante dela, uma das suas filhas despeja água num recipiente, praticando um rito de purificação. Atrás, uma segunda filha traz flores de lótus. As 3 crianças celebram a memória da sua falecida mãe, e esta cerimônia de amamentação tem de exepcional o fato de se desenrolar no ouro mundo, onde a mulher, para sempre viva, continua a exercer a sua função de nutriente.

O leite dá vida, poder e uma longa existência. Hórus conseguiu reconquistar a sua antiga realeza porque foi amamentado por Ísis. Desde a época do Texto das Pirâmides, o mais antigo corpus sagrado, a amamentação faz parte dos ritos de coroação do faraó, que graças a ela volta a ser vivo, reconhecendo a capacidade de exercer as funções reais.

A amamentação implica mais do que a absorção de uma beberagem eterna, é mais do o gesto de uma proteção mágica ou de um simples rito de adoção... Trata-se de uma espécie de iniciação. A alcançar a sua nova dignidade, o Faraó entra no mundo dos deuses. (Jean Leclant)

Fonte: 'As egípcias' de Christian Jacq

domingo, 1 de agosto de 2010

Nefertari e sua maravilhosa tumba

A vivacidade das cores impressiona. A decoração parece ter sido terminada na véspera. Seguindo a norma, nenhum grama de tinta foi acrescentado durante o trabalho de restauração: os técnicos italianos que recuperaram essa tumba, a mais espetacular da necrópole tebana, limitaram-se a remover a poeira dos séculos para reavivar as cores originais.

Nefertari foi a mais mimada entre as esposas de Ramsés II. Para ela foram construídos o pequeno templo de Abu Simbel e essa tumba fabulosa, descoberta em 1906. Não se sabe quantos anos tinha quando morreu "a amada de Mut", "a mais bela de todas". De sua múmia só restaram os joelhos. A tumba já fora saqueada na Antiguidade. Sobraram apenas poucos objetos, como fragmentos de joias e um par de sandálias.

Dezoito degraus conduzem até a porta do túmulo. Num primeiro cômodo, quadrado, duas banquetas destinam-se a receber as oferendas. Uma outra escada leva à "sala de ouro" que abriga a sepultura. Quatro pilares inteiramente decorados sustentam o teto, que representa a abóbada celeste. Todo o túmulo de Nefertari é uma sucessão de imagens. Em companhia de diferentes deuses e deusas, a rainha às vezes é representada sob a forma de um pássaro com cabeça humana. Em cada cômodo ela é representada numa posição diferente – em pé, sentada ou ajoelhada – em atitude de veneração às sete vacas sagradas e ao touro. Uma enorme serpente alada amarela e verde junto ao teto e protege com as asas o cartucho de Nefertari (moldura que contém o nome da soberana). Há um detalhe significativo: a pele da rainha não é pintada de amarelo, conforme prescreve a regra no caso da representação de mulheres, mas de rosa vivo.

A tumba estava ameaçada por infiltrações e movimentos do terreno. O estuque desprendia-se das paredes. Utilizando instrumentos cirúrgicos, foi preciso remover, livrar do sal, reforçar e recolocar no lugar. Nas fissuras, injetou-se uma resina solidificadora. Foram necessários 3 anos de trabalho e mais 2 anos de observação.

Desde o término dos trabalhos, em 1995, a última morada de Nefertari recebe um número limitado de visitantes: apenas 150 pessoas, munidas de uma autorização especial ou de um ingresso caríssimo, são admitidas por dia. Na opinião dos egiptólogos mais radicais, a tumba não pode suportar a respiração de mais de dois visitantes num dia.


Leia também: Nefertari, a grande esposa de Ramsés II e Nefertari


Fonte: 'Egito um olhar amoroso' de Robert Solé

quarta-feira, 21 de julho de 2010

A conhecedora e maga


Como revelam os arquivos de Deir el-Medina, existia em todas as comunidades, uma "mulher sábia, conhecedora", para resolver mil e um problemas.
  • Vidente, capaz de dar a uma criança o nome na qual estaria contido o seu destino;
  • Curandeira, previa o futuro, aliviava os males psíquicos e físicos;
  • Sabia encontrar objetos perdidos e distinguir a verdade da mentira;
  • Guardiã das tradições, transmitia oralmente os mitos, as lendas e os contos;
  • Era capaz de dizer se a pessoa era habitado por forças positivas ou negativas e neste caso como se libertar.
Essas "conhecedoras" exerceram influência considerável na vida diária dos antigos egípcios.

Enquanto ciência que dava acesso às leis universais, a magia está presente no universo egípcio, onde a fronteira entre a vida e a morte é mera aparência. As divindades residem na Terra e impregnam com seu poder as menores atividades diárias, reclamando aos camponeses, artesãos e donas de casa uma consciência do sagrado. Por isso utilizavam meios carregados de magia, como escaravelhos e amuletos.

A "conhecedora" é também uma maga. A expressão "grande, rica em magia" designa ao mesmo tempo a coroa real, a serpente uraeus erguida na fronte do faraó e de várias deusas, entre as quais Ísis. A maga nada ignora acerca dos malefícios e das virtudes de seres perigosos. Identificada com os quatro ventos, a maga abre as portas dos céus, estende o seu olhar até os confins da Terra, percorre o caminho da luz e da água e vive na unidade que existia antes do nascimento da multiplicidade.

Fonte: 'As Egípcias' de Christian Jacq

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Cleópatra, o derradeiro sonho faraônico

Os sábios do Egito tiveram consciência de sua morte programada, que se prolongou durante séculos. É certo que a instituição faraônica havia triunfado sobre muitos invasores, mas o mundo acabara por resvalar para um sistema político e econômico que não levava em conta nem Maât nem os valores antigos. E nunca mais as Duas Terras conheceriam a liberdade e a independência.

Uma mulher recusou submeter-se à História. Nascida em 69 aC, Cleópatra, 7ª princesa com esse nome, que significa "a glória de seu pai", perseguiu o sonho impossível de um império ressuscitado centrado na velha terra dos faraós.


Quem era Cleópatra
A confiar nos raros retratos da época, não devia possuir um aspecto muito notável, mas era uma intelectual e falava várias línguas. Culta, ambiciosa, não lhe faltava encanto, e possuía uma voz cativante – era uma delícia ouvi-la, e a sua língua era como uma lira de várias cordas.

A sua volta um mundo decadente e uma única potência: Roma. Em Alexandria, cidade mais grega do que egípcia, conserva a memória de Alexandre Magno, vencedor dos persas e libertador do Egito. A dinastia dos Ptolomeus está agonizante, os homens da família não possuem inteligência, vigor ou projetos políticos.

Acusada por Roma de utilizar processos mágicos para encantar os homens, Cleópatra tem outros horizontes. Sonha com um Egito poderoso e independente, como nos tempos antigos. Mas ela não é popular, desconfiam dela. Quando seu pai morre em 51 aC, o trono é partilhado entre ela e seu irmão Ptolomeu XIII, que se torna seu esposo teórico. Em 48 aC, é afastada do poder.


César seduzido pelo Egito e por Cleópatra
César não resistiu aos encantos conjugados de Alexandria e de uma jovem de 20 anos, viva, erudita e apaixonada. Afastada do poder e sem estima do povo, mesmo assim César decide a seu favor. Os rivais de Cleópatra são eliminados de forma brutal; e ela toma o poder sozinha. E se torna mãe de Cesarião, seu filho com César.

Em 46aC Cleópatra vai a Roma e instala-se nos Jardins de César, o atual Palácio Farnese. Manda colocar no templo de Vênus uma estátua de ouro à sua imagem. A 15 de março de 44 aC, César é assassinado e Cleópatra é obrigada a retornar ao Egito.


Cleópatra, a nova Ísis
Aos vinte e sete anos, sabe que pode contar com a sua cultura e o seu encanto. A rainha do Egito não é uma mulher vulgar, é a encarnação de uma deusa.

Marco Antônio, integrante do triunvirato, designado como o senhor do Oriente, vencedor da Batalha de Filipes, está descontente com a atitude da egípcia, que não o apoiou como ele desejava. E a chama em Tarso para explicar-se.

Uma deusa vem ao seu encontro. Sobe o Rio Cydnos e aparece como a encarnação viva de Ísis, a mãe universal, a esposa perfeita, a figura divina. Tenta persuadir Antônio de que ele se tornará o novo Osíris e de que juntos, formarão um extraordinário par. Antônio deixa se enfeitiçar, esquece a vida militar, a moral romana e é seduzido pelo luxo da corte de Cleópatra.

Cleópatra trabalha:
  • reforma o sistema monetário,
  • o saneamento,
  • o comércio,
  • acaba com os monopólios e
  • faz ressurgir o Egito no cenário internacional
Antônio lhe oferece o que faltava: o poder militar.

Antônio e Otávio partilham o mundo. O Ocidente para Otávio e o Oriente para Antônio e para selar esse pacto, Antônio deve casar com Otávia, irmã de Otávio, em 40 aC. Em 36 aC, Antônio volta para o Egito e desposa Cleópatra.


O sonho desfeito
Otávio declara guerra a Cleópatra. Áccio, 31 aC a frota egípcia é vencida, Antônio suicida-se em Alexandria. Aos 39 anos e sem grandes esperanças, Cleópatra tenta seduzir Otávio, mas falha.

Cleópatra se mata, é inumada no túmulo que mandara construir perto do Templo de Ísis.

  • Cleópatra foi a última representante de uma longa linhagem de mulheres de Estado que haviam reinado no amado país dos deuses.




* Leia também : Cleópatra



Fonte: 'As Egípcias' de Christian Jacq

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Nefertari, a grande esposa de Ramsés II

É difícil, impossível, discernir através das inscrições oficiais os sentimentos de um faraó pela sua grande esposa. Mas quanto a Ramsés II e Nefertari, o faraó honrou sua esposa de maneira excepcional. Mesmo vivido bem mais que ela e outras esposas reais a sucederem, foi Nefertari a única rainha ligada ao reinado de Ramsés II.

Os pais de Nefertari são desconhecidos, ela talvez era de origem relativamente modesta. Seu nome significa "a mais bela" , "a mais perfeita". Casou-se com Ramsés, antes deste suceder a seu pai, Seti I; possuí os títulos que sublinharam o papel essencial da grande esposa real:
  • soberana do duplo país
  • aquela que preside o Alto e o Baixo Egito
  • a senhora de todas as terras
  • aquela que satisfaz os deuses

Os textos especificam que ela tinha um belo rosto e uma doce voz.

Interpretando as inscrições ao pé da letra, Nefertari teve 4 filhos e duas filhas com Ramsés II. Mas a noção de "filho" e "filha" corresponde muitas vezes a um título.

Nefertari na política
No primeiro ano do reinado de Ramsés ela foi associada a importantes atos e participou dos ritos da coroação. Teve um papel ativo nos grandes rituais do estado, como a Festa de Min e forte influência na política externa.

Os templos de Abu-Simbel
No centro da Núbia, na segunda catarata do Nilo, dois templos foram escavados na margem do rio, 1 300 km ao sul de Pi-Ramsés. A deusa Hathor reina nesse lugar mágico, a soberana do amor celeste. O faraó decidira exaltar o casal régio encarnando-o, de maneira monumental, nos dois templos próximos um do outro. Esses templos foram inaugurados pelo casal, no inverno do ano 24 do reinado.

Ramsés e Nefertari penetraram no grande templo, consagrando a regeneração perpétua do ka do faraó, avançaram na alameda ladeada de pilares representando o rei Osíris, transpuseram as portas que davam acesso às salas secretas e foram até o fundo do santuário, onde reinavam quatro divindades: Ra, Amon, Ptah e o ka de Ramsés.

Ramsés mandou construir esse templo "como obra de eternidade para a grande esposa real Nefertari, a amada de Mut, para todo o sempre, Nefertari, para cujo esplendor o Sol brilha". Sua coroa composta de um sol no meio e de dois chifres e duas altas plumas, que fazem dela a encarnação de todas as deusas criadoras. Na fonte, o uraeus, a cobra fêmea que queima os inimigos e dissipa as forças negativas. Ladeando a rainha, duas deusas, Ísis e Hathor, que a magnetizam depois de lhe terem colocado a coroa.

Ramsés é o esposo do Egito, e Nefertari a mãe, no naus do seu templo, ela identifica-se com Hathor e Ísis, cria as cheias e dá vida a todo o país.

A morada eterna de Nefertari
Quando Ramsés celebrou sua primeira festa sed, no fim de 30 anos de reinado, Nefertari não figurou entre as personalidades presentes. Conclui-se que Nefertari havia cruzado as portas do Além.

Outro monumento que canta a glória de Nefertari é a sua morada eterna no Vale das Rainhas. Obra prima da arte egípcia. O túmulo de Nefertari foi o único do vale das Rainhas que escapou à destruição e as degradações. Monumento vasto e inclui várias salas que conduzem à "sala do ouro", onde o corpo de luz da rainha havia sido animado pelos ritos, a fim de servir de suporte aos elementos espirituais do ser.

A morada eterna de Nefertari é um verdadeiro livro de sabedoria, reconstituindo as etapas de uma iniciação feminina. Muito para além da sua existência terrestre, a grande esposa real de Ramsés II lega-nos assim um inestimável testemunho.


* Leia também: Nefertari e Nefertari e sua maravilhosa tumba


Fonte: As Egípcias de Christian Jacq

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Mulheres de negócios



Em Gizé, as moradas eternas, estão cheias de informações apaixonantes e revelam muitas personalidades femininas de primeiro plano.




Empresária
A dama Hemet-Ra era uma verdadeira empresária. Tinha a seu serviço um intendente e vários escribas. Mas não possuía empregados. As cenas do seu túmulo, destinadas a perpetuar a sua existência no outro mundo, celebram a autoridade dessa princesa, que distribuía as suas diretivas a vários funcionários e que provavelmente geria todo um setor administrativo.


Especialista em finanças
A dama Tchat, "a jovem" vivia no Médio Império, durante a 12ª dinastia, na magnífica região de Beni Hassan, no Médio Egito. Nessa época, os chefes das províncias eram ricos proprietários rurais e ocupavam uma importante posição no reino. Trabalhava como funcionária na casa do governador local. Estimada e influente, possuía o título de "tesoureira e guardiã dos bens do seu amo"; ministra das finanças de um governo local. Era confidente de seu patrão, e talvez tenha sido até mais, talvez se casaram depois que a mulher dele morreu, e que Tchat lhe deu dois filhos. Foi certamente uma das gloriosas antepassadas das mulheres dedicadas à gestão das finanças públicas e capazes de assegurar a prosperidade de uma região.


Proprietária rural
No Antigo Egito, são mulheres belas que simbolizam os domínios agrícolas; aparecem nas paredes dos templo e dos túmulos, em procissão, trazendo suas riquezas aos deuses ou ao ka do defunto. A partir da 3ª dinastia, reconheceu-se a aptidão jurídica da mulher para possuir uma grande superfície agrária, e essa disposição legal perdurou durante todo o regime faraônico. Nenuphar, vivia no Novo Império, foi uma mulher de negócios muito ativa. Estava à frente de uma importante exploração agrícola e era também a patroa de uma equipe de representantes do comércio, encarregados de vender os produtos das suas explorações. Qualquer mulher podia encarregar-se de uma propriedade familiar, sem nenhuma diferença de tratamento social ou jurídico em relação a um proprietário do sexo masculino. A mulher podia comprar, vender e dispor dos seus bens como entender. Existem vários tipos de mulheres proprietárias de terras.


Última mulher de negócios independente
De origem grega Apolônia vivia em Pathyris, 30 km ao sul de Tebas, no século II aC. Filha de um soldado, possuía também um nome egípcio, Sen-Montu, "a irmã de Montu (deus-falcão e guerreiro de Tebas)". Seus avós, seus pais e outros familiares possuíam igualmente nomes gregos e egípcios; vindos de Cirene, instalaram-se no Egito, adotando o modo de vida local. Aos 20 anos, desposou Dríton, viúvo, oficial de cavalaria e pai de um filho, ela lhe deu 5 filhas. Embora reinasse no Egito soberanos gregos, os Ptolomeus, as egípcias gozavam ainda dos direitos reconhecidos e aplicados nos textos dos faraós nativos. Os gregos opunham-se inteiramente às liberdades que o antigo Direito egípcio concedia às mulheres (autonomia jurídica e capacidade de gestão das suas terras). Nenhum rei grego ousara ainda modificar a legislação vigente há tantos séculos. Baseando-se no Direito egípcio, Apolônia, arrendou as suas terras, emprestou dinheiro e trigo a um veterano e continuou a subsistir às custas dos negócios. No reinado de Ptolomeu IV Filopátor (221-205 aC) começou a reforma dos gregos: a mulher considerada um ser infantil e irresponsável, deveria ter um tutor, guardião legal da esposa, que lhe assinaria todos os atos jurídicos. No final do século II aC as egípcias perderam de vez a independência e a autonomia.

Origem: 'As Egípcias' de Christian Jacq

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Pepi II e suas mulheres

O faraó Pepi II (2278-2184 aC) foi o principal faraó da 6ª dinastia – 94 anos à frente do Egito, o mais longo reinado da história. Quando foi escolhido para reinar, tinha apenas 5 anos, não podendo governar, essa função foi conferida a uma mulher : Meryrê-Ankhenés, viúva do faraó Pepi I, que assumiu os assuntos de Estado até Pepi II conseguir assumir o seu cargo.

Pepi II teve 3 esposas sucessivas:
  1. Neit,
  2. Ipuit e
  3. Udjebten.

Há muito se construíam pirâmides para as mães de reis e as grandes esposas reais, que assim partilhavam o destino estelar do faraó; quanto aos príncipes; estes não tinham sepulturas tão monumentais. As 3 esposas de Pepi II viveram a sua eternidade nas 3 pirâmides próximas da do rei – as duas primeiras a noroeste, a terceira a sudeste. Cada uma delas possuía um templo onde os ritualistas celebravam um culto do ka dedicado à rainha defunta.


A grande Neit
que o nome evoca o da deusa, foi a primeira grande esposa real de Pepi II; igualmente "esposa da pirâmide do rei", foi venerada por todos os dignatários da corte. A sua própria pirâmide era rodeada por uma muralha com uma única porta precedida por dois pequenos obeliscos. Na primeira sala, dita "sala dos leões" praticavam-se ritos de ressurreição. Depois encontrava-se um pátio, câmaras onde conservavam objetos rituais e estátuas, e o santuário propriamente dito, encostado à parede da pirâmide. Um corredor estreito conduzia ao jazigo que abrigava um sarcófago de granito rosado, comparável ao de Pepi II.

A pirâmide de Ipuit
e o seu templo, mal conservados, compreendem conjuntos idênticos, mas com uma disposição diferente. Um lintel em granito especifica que o faraó mandara construir esse monumento para a sua esposa.

A pirâmide de Udjebten
que não teria sido de origem real, ao contrário das duas prmeiras esposas, não era menos importante.


Atualmente esses 3 monumentos não passam de ruínas, mas contêm um tesouro excepcional, descoberto parcialmente em consequência da dificuldade das escavações: colunas de textos hieroglíficos consagrados aos múltiplos modos de ressurreição da alma real e à sua perpétua viagem no Além. Esses Textos das Pirâmides, concebidos na cidade santa de Heliópolis, foram revelados pela primeira vez no interior da pirâmide de Unas, o último faraó da 5ª dinastia e as 3 mulheres de Pepi II foram autorizadas a mandar inscrever nas paredes do seu jazigo essas fórmulas de magia e de conhecimento. Tal como Pepi II, elas repousam no interior de um Livro da Vida onde cada hieróglifo está carregado de poder.

A menos que falte descobrir uma pirâmide feminina com textos, foi a primeira vez que se gravou em pedra a identificação de uma rainha com Osíris. Essas 3 grandes damas fazem ouvir uma voz única e insubstituível. Formam uma trindade hieroglífica que opera para a concretização de um dos grandes ideais do Antigo Egito – a vitória sobre a morte.


Fonte: 'As Egípcias' de Christian Jacq

sábado, 26 de dezembro de 2009

Hatchepsut

homem e mulher

Era a rainha do faraó Tutmósis I, Hatchepsut a esposa régia. Mas não casou, traiu a principal regra da instituição faraônica, que devia ser sempre encarnada por um monarca e uma grande esposa real.

Parece que todos os faraós do sexo masculino reinaram na companhia dessa esposa ritual, ao passo que os do sexo feminino permaneceram "celibatários". Tendo adquirido a qualidade de homem ao se tornar rei, elas eram esposas de si próprias e reconstituíam na sua esposa o casal régio.

Hatchepsut é uma "mulher de ouro", uma "mulher perfeita de rosto de ouro", o "Sol feminino (Râyt)" que os textos identificam como Mâat que entra precisamente no nome dela, Mâat-ka-Râ. Hatchepsut é identificada com Hórus feminino, o Sol feminino, a radiosa que ilumina a escuridão, aquela que brilha como o ouro; pelo seu olhar, ela é iluminadora.


dois ministros fiéis

Havia velhos servidores de Tutmósis I que ela conservou junto de si, entre eles:
  1. Hapuseneb – o sumo sacerdote de Amon, vizir e iniciado nos ministérios da Enéada; os textos nos indicam que praticou Mâat, a Ordem, na Terra. Ele desempenhou um determinante papel econômico no início do reinado, era quem vigiava as diferentes construções, dirigia a equipe de trabalhadores que escavou a morada eterna da rainha.
  2. Senenmut – conviveu muito próximo da rainha, aparece como seu amante em muitas obras, e também como o pai de sua filha Neferuré. Era de origem modesta, oficial do exército, perceptor da filha da rainha. Foi representado muitas vezes em estátuas segurando a criança sob a forma de "estátua cubo", no mínimo 24 vezes aparecem essas estátuas em templos. Diz-se que este grande personagem de múltiplas responsabilidades pronunciava palavras benéficas ao rei, que sabia ser silencioso quando era preciso e que guardava segredos de Estado. Ele realmente tinha seus privilégios com a rainha: 2 túmulos, um magnífico sarcófago em quartzito, numerosas estátuas. Dirigiu obras em Karnak, Luxor e Hermontis, mas sua maior glória é o templo de Deir el-Bahari. Desconhece as circunstância e a data de sua morte, sua múmia nunca foi encontrada.


Neferuré, filha única

"a perfeição da Luz divina" talvez sua mãe desejasse que ela acedesse à categoria de grande esposa real, que aprendesse o ofício de rei, graças ao ensino ministrado por Senenmut. Quando Hatchepsut tornou-se faraó, transferiu o cargo de esposa real à sua filha, que possuía igualmente os títulos de "filha real" e de "regente do Sul e do Norte". Neferuré exerceu funções religiosas. Depois do ano 16, deixa de haver sinais de Neferuré, que leva a crer que morreu jovem.






Fonte: 'As Egípcias' de Christian Jacq

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

A enigmática Meresankh

Os nomes de Quéops, Quéfren e Miquerinos celebrizam-se graças as suas 3 pirâmides erigidas no Planalto de Gizé. A 4ª dinastia viu nascer esses gigantes de pedra, verdadeiros centros de energia espiritual, raios de luz petrificados que permitiam à alma real ascender aos céus para se juntar às divindades e guiar os humanos sob a forma de estrela.


Os baixos-relevos das sepulturas dessa época mostram um Egito próspero, cuja riqueza se baseia numa administração rigorosa e eficaz, numa agricultura diversificada, numa criação desenvolvida e num artesanato de excepcional qualidade.


Entre as altas personalidades da corte, haviam 3 mulheres com o mesmo nome – Meresankh – que parecem formar uma linhagem. Tradução do nome: "Ela ama a vida" ou "A Viva (uma deusa, provavelmente Hathor) ama-a". Seja qual for a solução, o relacionamento direto de uma linhagem feminina com o conceito essencial de "vida" sublinha uma vez mais o papel preeminente da mulher na civilização do Antigo Egito.

Não sabemos nada a cerca da primeira Meresankh, foi talvez a mãe do faraó Snefru, fundador da 4ª dinastia. A segunda Meresankh parece ter sido filha de Quéops. A terceira reserva uma surpresa.


  • Dez mulheres para uma morada eterna
Numa das "ruas de sepulturas" do Planalto de Gizé, a leste da pirâmide de Quéops, abre-se a estreita porta de uma bela e grande morada eterna escavada na rocha para Meresankh III. A sepultura fora preparada por uma rainha de nome Hetep-Herés, como mãe de Quéops, mas que não se deve confundir com ela – existe uma dificuldade, quase uma impossibilidade, em se estabelecer as genealogias egípcias. Hetep-Herés era a filha de Quéops, pois tinha o nome da mãe e era muito dedicada a sua filha Meresankh, a terceira com o mesmo nome e certamente a esposa de Quéfren.

Ao entrar no túmulo dessa 3ª Meresankh, uma visão única, um conjunto esculpido, que tanto quanto sabemos, só existe nessa morada eterna. Brotando da pedra, uma confraria formada por 10 mulheres(*) de pé, de idades compreendidas entre adolescentes e a mulher madura. Temos a impressão que estão vivas, que seus olhos nos contemplam e que continuam a proferir as frases rituais indispensáveis ao bom andamento do mundo. Intimamente ligadas à rocha, essas estátuas foram animadas por magia e contêm ainda o ka, o poder imortal que faz delas estátuas da Luz.

Como Meresankh tinha acesso à morada da acácia, podemos supor que está representada na companhia das "irmãs" da confraria, e que a transmissão se faz da mais antiga à mais nova, passando por etapas. Duas delas abraçam-se: a mais velha pousa o braço pela cintura da sua iniciadora. Um profundo sentimento de comunhão desprende-se desse grupo de 10 mulheres unidas para sempre pelos laços de uma mesma experiência de eternidade; contemplando-as no silêncio da capela, compreendendo a verdadeira dimensão das egípcias.

A "mãe", Hetep-Herés, é igualmente representada com a sua "filha" Meresankh em diversos episódios rituais, durante os quais a mais velha ensina a sua sabedoria à mais nova; é assim que as 2 mulheres exploram os pântanos de barco, para colherem flores de lótus. Não se dedicam apenas ao culto das divindades; também preservam o perfume da primeira aurora, quando a vida nasceu da Luz. Durante esse passeio de barco, a mãe revela à filha o segredo do lótus, a partir do qual se desenvolveu a Criação.


  • Meresankh guardiã das escrituras sagradas
Entre os personagens presentes no túmulo figuram escribas. Meresankh possui um título notável: sacerdotisa do deus Thot, criador da linguagem sagrada e senhor das "palavras de deus", os hieróglifos. Diretamente relacionada com o deus do conhecimento. Isso prova que Meresankh tinha acesso à ciência sagrada e aos arquivos dos templos, denominados "a manifestação da luz divina (bau Ra)". É também uma deusa, Sechat, que rege a Casa da Vida onde se compunham os rituais e onde os faraós eram iniciados nos segredos da sua função. Guardiã das bibliotecas e dos textos fundamentais, ela maneja perfeitamente o pincel, que utiliza tanto para escrever as palavras da vida como para praticar a requintada arte da maquilagem. Vestida com uma pele de pantera, a cabeça coroada por uma estrela de sete pontas (as vezes 5 ou 9), é Sechat quem redige os Anais régios e inscreve os nomes do faraó nas folhas da árvore sagrada de Heliópolis. Dessa deusa detentora dos segredos de construção do templo, que partilha com o rei, depende o secretariado do palácio. No templo de Sethi I, em Abidos, Sechat, "encarregada dos arquivos dos rolos divino", escreve o destino do faraó e diz:
Minha mão escreve o seu longo tempo de vida, a saber: do que sai da boca da luz divina (Ra), o meu pincel traça a eternidade, a minha tinta, o tempo, o meu tinteiro, as inúmeras festas de regeneração.

Meresankh, iniciada nos mistérios de Thot e no conhecimento das escrituras rituais, foi instruída em toda a ciência sagrada do Antigo Egito; mais de 3000 anos após o seu desaparecimento, podemos encontrá-la na companhia de sua "mãe" e de suas "irmãs", numa das mais surpreendentes sepulturas de Gizé. Essa misteriosa e fascinante Meresankh permite descobrir que o universo do conhecimento estava inteiramente aberto à mulher egípcia.

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(*) Dois grupos distintos: o primeiro formado por três mulheres (encabeçadas pela superior) e o segundo por sete, quatro adultas e três mais jovens, por ordem decrescente de estaturas.
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Origem: 'As Egípcias' de Christian Jacq

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Castigos e recompensas

Toda mulher podia trabalhar fora de casa, e nem o pai, nem o marido, nem outro homem qualquer tinham a possibilidade de trancá-la em casa. O historiador grego Heródoto ficou espantado ao constatar que as egípcias andavam à vontade, frequentavam os mercados e exerciam atividades comerciais. Quando recebiam um salário este não era inferior ao de um homem, pelo mesmo trabalho.

Tecelãs e fiandeiras exerciam uma profissão tão importante aos olhos das autoridades que suas obras-primas eram recompensadas de maneira notável.


Exemplos:
– Um baixo relevo da época baixa (se encontra no Museu do Cairo) põe em cena 5 mulheres pertencentes a uma comunidade artesanal. Estão na presença de um grande personagem, "o escriba dos livros divinos" assistido por um escriba sentado e um intendente. Este último chama uma das mulheres e lhe entrega um colar e outras joias, como recompensa pelo trabalho bem feito. Um texto afirma, reiteiradamente, com exatidão que essas tecelãs são honradas pelo "dom de ouro". Essas riquezas provinham de uma câmara do tesouro que o escriba dos livros divinos aceitara abrir; o que saía era cuidadosamente registrado por um "escriba do ouro".

– O drama de uma camponesa, Téti era uma alegre camponesa que vivia no Médio Império. Sob as ordens de um escriba dos campos, recusou trabalhar e fugiu; uma falta tão grave que desencadeou um inquérito policial. Membros de sua família, acusados de cumplicidade, foram detidos e encarcerados na "grande prisão", termo utilizado para designar um centro administrativo onde se estabelecia um cadastro judiciário e se repartiam os trabalhos de utilidade pública, em função das penas infligidas aos condenados: manutenção dos diques, saneamento dos canais, tarefas agrícolas. Téti foi informada das consequências de sua fuga. Não suportando saber que inocentes fossem condenados em seu lugar, apresentou-se na "grande prisão". Para obter o perdão definitivo, foi obrigada a fazer horas extras nos campos.


Mulheres e homens eram iguais perante a lei e, por conseguinte, perante ao castigo. Dois pormenores:
  1. uma mãe condenada a trabalhos de utilidade pública não era separada do filho
  2. a mulher não era responsável pelas faltas do marido, não podendo sofrer em seu lugar as penas que eram impostas a ele.




Fonte: 'As Egípcias' de Christian Jacq

sábado, 28 de novembro de 2009

As que servem ao ka

O ka é a energia criadora que anima todas as formas de vida. Deposita-se no ser humano, cuja sobrevivência depende das relações que mantém com o seu ka, de modo que é essencial, depois da morte de um indivíduo, ritualistas pratiquem as expressões necessárias à manutenção desse poder invisível e imaterial.

Existem "servidores do ka" e desde épocas altas, mulheres que exercem essas funções, são chamadas "aquelas que servem ao ka".
  • oficiam nas capelas dos túmulos,
  • queimam incenso e perfumes,
  • apresentam oferendas líquidas e sólidas, que tornam eficazes fazendo-as "sair para a voz", enunciando-as.
Assim a matéria é transformada em espírito.

Ser "servidora do ka" era uma profissão, em troca dos serviços prestados, a ritualista recebia um salário em alimentos. Tinha a capacidade de consagrar o monumento funerário do marido, de um parente ou de um amigo.

Homens e mulheres são idênticos perante o Além. Podem atingir o mais elevado estado espiritual, o akh – termo que significa "ser útil, ser luminoso". A mulher iniciada é um "ser venerado (imakh)", "a venerada junto do grande deus".


A dama Neferet-labet, "A bela oriental" era uma personalidade excepcional. Na sua estela (hoje no Louvre) encontrada em Guisé e datada do reino de Quéops, está sentada num banquinho com pés de touro, com uma longa peruca frisada, vestida com uma pele de pantera, a mão esquerda sobre o peito, estende a direita para uma mesa de oferendas. Com este gesto, ela consagra 1000 pães, 1000 cântaros de cerveja, 1000 cabeças de gado, 1000 peças de caça, 1000 vasos de alabastro, 1000 peças de tecido, o incenso, o azeite, o pó verde, o pó negro, os frutos, o vinho e todas as outras coisas boas e puras que figurarão nas festas e nos banquetes do Além.


Origem: "As Egípcias' de Christian Jacq

domingo, 22 de novembro de 2009

Mutnedjemet, irmã de Nefertiti

Viveu dias felizes e tranquilos na Cidade do Sol. Desposou o general Horemheb, que nada tinha de soldado grosseiro ou de guerreiro ávido de combater o inimigo. Escriba real, fino, letrado, especialista em Direito, era um dos responsáveis pela segurança externa do Egito.

Horemheb mandou construir uma magnífica morada eterna em Saqqara, cujos baixos-relevos exaltam a sua atividade militar e sua capacidade para manter a ordem. Akhenaton e Nefertiti confiaram nele, que soube se mostrar digno. A carreira de Horemheb parecia traçada, a sua esposa Mutnedjemet seria uma grande dama da corte e levaria uma vida luxuosa.

Com a morte de Akhenaton, a corte regressou a Tebas e Tutancamon tornou-se faraó e Horemheb tornou-se um dos homens fortes do regime, e sua esposa uma personalidade de destaque. Após a morte de Tutancamon, Ay um funcionário mais velho subiu ao trono (1325-1321 aC).

Horemheb cujo nome significa "Hórus em festa" subiu ao trono e seu reinado durou 28 anos. Foi autor de uma importante reforma jurídica:
  • suprimiu direitos abusivos
  • restabeleceu a justiça

Mutnedjemet teve os títulos de "grande princesa hereditária" (repâtet uret) e de "soberana do Alto e do Baixo Egito" e participou dos ritos de coroação do marido. No grupo estuário da coroação, conservado no Museu de Turim, Mutnedjemet aparece do mesmo tamanho que o esposo.. Por mais forte que fosse sua personalidade, Horemheb não podia reinar sem uma grande esposa real que justificasse a sua função.

Mutnedjemet significa "Mut, a doce, a apazível, a agradável (nedjemet). O hieróglifo que serve para escrever essas noções é uma alfarroba, que era de uma suave doçura para o paladar dos antigos egípcios. A rainha encarnava a grande mãe, a Antiga que rege as Duas Terras. A palavra Mut significa "mãe". Grande foi a responsabilidade da rainha Mutnedjemet. Encarnando o aspecto doce e maternal de Mut, teve a missão de dar ao mundo um novo Hórus, um novo faraó que poria o Egito em festa.

Considera-se por vezes, que Horemheb foi o verdadeiro fundador da 19ª dinastia na qual aparecerão os faraós excepcionais como Sethi e Ramsés II.

Fonte: 'As Egípcias' de Christian Jacq


sábado, 14 de novembro de 2009

Hetep-Herés, mãe de Quéops

Em 1925, arqueólogos americanos procediam exploração no Planalto de Guisé, no cemitério real a leste da pirâmide de Quéops (2589-2566 aC). Um fotógrafo assentando seu tripé, encontra um obstáculo numa cavidade, com uma camada de gesso. Os escavadores encontraram uma trincheira retangular obstruída por pequenos blocos de calcário que escondiam uma escada prolongada num túnel que conduzia a um poço, obstruído por pedras. Depois de descobrirem o poço. os escavadores tiveram acesso a um nicho contendo ânforas, o crânio e as patas de um touro embrulhadas em redes. Chegou-se a câmara funerária, uma pequena sala talhada na rocha, inviolada!

O tesouro da rainha– mãe do rei
Uma sepultura há 25 m da superfície do solo e inviolada. O sarcófago estava vazio. Mas a sala continha muitos objetos. O nome da legítima ocupante era Hetep-Herés, que provavelmente significa "o faraó é plenitude graças a ela". Era esposa do faraó Snefru e a mãe do construtor da Grande Pirâmide. O equipamento que levou para o além era notável:
  • baixela em ouro,
  • um dossel em madeira,
  • tronos revestidos a ouro,
  • uma cama e sua cabeceira,
  • colares,
  • cofres,
  • recipientes de cobre e de prata,
  • pulseiras de prata com incrustações de cornalina, lápis lazúli e turquesa,
  • pequeno cofre de madeira dourada contendo dois rolos para guardar essas jóias,
  • bandejas e taças de ouro,
  • pote de cobre,
  • liteira descoberta em peças soltas e depois montada
A magnífica liteira da mãe de Quéops é um símbolo associado à sua função. A rainha do Egito possuía os títulos de "liteira de Hórus" e de "liteira de Seth", "a Grande que é uma liteira". Assim como Ísis é o trono de onde nasce o rei do Egito, a rainha é a liteira que permite ao monarca deslocar-se e estar em ação. (*)

O título de "mãe do rei" será utilizado até a última dinastia. A expressão não designa obrigatoriamente a mãe carnal de um faraó. A filiação corporal é proclamada, mas é impossível afirmar a existência de laços familiares mais concretos.



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(*) uma das palavras que serve para indicar a liteira – hetes – é também o nome de um dos cetros utilizados pela rainha e que lhe permite, nomeadamente, consagrar uma construção transformando-a em "centro de produção" de energia sagrada.
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Origem: 'As Egípcias' de Christian Jacq

sábado, 7 de novembro de 2009

As reclusas

As "reclusas" khenerut formavam uma grande categoria de iniciadas que podiam passar longos períodos no interior de um templo ou lá residir definitivamente. A rainha do Egito era a superiora das reclusas, as quais se colocavam sob a proteção do faraó, de Amon, Min, Khonsu, Sobek, Osíris, Knum, enfim de quase todos os deuses e deusas.

Não lhes era exigida a virgindade nem o celibato, mas praticavam várias purificações antes de entrarem no templo e de participarem nos ritos, pois eram lavadas numa bacia, depiladas e incensadas.

– Deviam usar:
  • uma veste comprida e apertada, até os calcanhares;
  • uma tanga curta ou à altura dos joelhos, por vezes presa com faixas cruzadas sobre o peito e nas costas;
  • um cinto com duas compridas faixas na frente;
  • joias, pulseiras nos braços e nos tornozelos;
são as principais peças de vestuário e os ornamentos das reclusas, cuja função consistia em atrair energia divina sobre a Terra e concentrá-la no santuário.

Para além das atividades musicais, elas olhavam pelos objetos sagrados e pronunciavam palavras de poder contida nos hinos, apaziguando assim as forças cósmicas cuja intensidade podia ser destrutiva.

Essas iniciadas, habituadas a viverem os mistérios do templo, estavam incumbidas da tarefa de encarnar as deusas na representação secreta dos mitos. As carpideiras, estavam ligadas a uma comunidade de reclusas, "as da Casa da Acácia". Eram dirigidas por uma "superiora da Casa da Acácia", capaz de utilizar o formidável poder da leoa Ackhmet e de permitir que suas irmãs vencessem a morte.

A rainha Tiaa, esposa do faraó Amenhotep II, foi "diretora dos trabalhadores da Casa da Acácia". Ao lado do santuário onde essas iniciadas oficiavam, haviam um setor econômico encarregado de assegurar seu bem estar material.

Um baixo relevo da mastaba de Mereruka mostra 3 reclusas da Casa de Acácia vestidas com uma curta tanga, os braços em arco sobre a cabeça e dançando em um ritmo lento. Acompanham-nas 2 irmãs. O essencial do seu cântico ritual reside nestas palavras: "Que seu corpo permaneça intacto" , ou seja, que Osíris seja preservado da morte. As reclusas da Casa da Acácia participavam dos mistérios da ressurreição de Osíris e colocavam-se sob a proteção de Hathor, "dama da Casa da Acácia".



Origem: 'As Egípcias' de Christian Jacq

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Ahmés-Nefertari

"Nascida do deus-lua, a mais bela das mulheres". Soberana das Duas Terras, "mãe real", foi também uma espécie de faraó – sobreviveu ao marido (Ahmés), depois de ser associado a todos os grandes atos do seu reinado; foi regente do reino durante a infância de Amenhotep I (1551-1524 aC) e morreu velha, no início do reinado de Tutmósis I (1524-1518 aC), depois de assistir à sua coroação. Foi uma dessas extraordinárias rainhas do Egito.

Nasceu provavelmente em Tebas e lá foi criada; o desenvolvimento religioso que ela deu a essa região demonstra o amor que lhe dedicava. Exerceu o poder durante muitos anos, quando Amenhotep I era muito jovem para assumir o cargo. Foi também autora de notáveis inovações cujas consequências seriam ainda perceptíveis vários séculos após o seu desaparecimento, quando a dinastia das Divinas Adoradoras reinava em Tebas.


Numa estela em fragmentos, foi encontrado um texto que revelou que Ahmés-Nefertari tinha o título de "segundo servidor do deus" na hierarquia do templo de Karnak e renunciou. O rei oferece em troca os meios materiais necessários para criar uma nova instituição religiosa e ecomômica: a da "esposa do deus" de que a rainha se tornou a fundadora. Passou a dispor de bens móveis e imóveis destinados a constituir o domínio da esposa do deus:
  • terras, ouro, prata, bronze, vestes, trigo e unguentos.

O rei mandou construir uma morada para a esposa do deus, e um registro foi selado a seu favor. Nas suas funções, Ahmés-Nefertari usava um vestido estreito até os calcanhares, apertado na cintura e com alças que cobriam parcialmente os seios, um vestido clássico como os da sacerdotisas do Antigo Império; uma peruca curta, cingida por um aro. Usava duas altas plumas que completavam o toucado tradicional das rainhas e que eram "os despojos do abutre", símbolo da função materna no seu aspecto espiritual.

– Chefiou um colégio de sacerdotisas que a ajudariam a exercer a sua principal função:
  • manter, com o seu amor, a energia do deus Amon, a fim de que o amor divino alimentasse o Egito.
A morte da grande rainha no início do reinado de Tutmósis I cerca de 1524 aC, tinha marcado seu tempo, e sua memória nunca se apagou. Cerca de 70 escaravelhos ostentam o seu nome, estelas amovíveis e estatuetas com a sua efígie, inúmeros objetos rituais como os sistros que lhe são dedicados, a sua presença em cerca de 50 cenas pintadas nos túmulos tebanos. Sua múmia foi recolhida num enorme sarcófago depositado num túmulo a oeste de Tebas, em Dra Abu el-Neggah.

Foi considerada a santa padoreira da necrópole tebana e durante várias décadas gozou de grande popularidade. Seu templo foi edificado perto de seu túmulo, "aquele cuja localização é estável (menset)", na orla das terras cultivadas. Esse tipo de construção estava normalmente reservado aos faraós, sendo conhecidas poucas exceções. Ao longo da história do Egito, algumas mulheres colaboraram nas escritas dos textos utilizados nas liturgias, Ahmés-Nefertari foi certamente um desses autores sagrados.

– Várias representações da grande rainha espantaram os observadores:
  1. não havia dúvida de que tinha a pele negra
  2. seria de origem negra
A descoberta de sua múmia, retirada do seu túmulo de Dra Abu el-Neggah e abrigada no esconderijo de Deir el-Bahari depois de uma onda de assaltos aos túmulos reais no reinado dos últimos ramessidas, ofereceu uma certeza:
  • ela morrera velha e tinha a pele branca;
em contato com o ar e por falta de precauções, o corpo decompôs. Por que razão certas estátuas da rainha são em madeira betumada, e por tanto da cor negra? No simbolismo egípcio, ela encarna a ideia da regeneração, do processo alquímico pelo qual a alma deve passar para reviver no Além.

Ahmés-Nefertari prefigura assim as Virgens negras, outrora numerosas nas catedrais e igrejas do Ocidente; remotas figuras de Ísis segurando Hórus, o menino-deus, eram também descendentes de uma rainha do Egito, tornada deusa da ressurreição.

Origem: 'As Egípcias' de Christian Jacq

terça-feira, 22 de setembro de 2009

A beleza egípcia

O ideal de beleza é indissociável do esplendor do seu ser. O olhar de uma bela egípcia é claro, seu andar nobre, e seus dedos são como cálices de lótus. A egípcia tem o culto da beleza, deve ser magra, ter membros finos, quadris bem delineados, seios redondos e pequenos. Mas encontramos várias estátuas e estatuetas que mostram mulheres de simpáticas curvas, faces gordas e as vezes com musculatura firme. As deusas são eternamente jovens e esbeltas. O sorriso das egípcias, é a expressão perfeita de uma feminilidade feliz e acabada, tão radiosa que imediatamente seduz.

A convenção adotada pelos pintores exige que a mulher tenha a pele de um amarelo pálido e que a do homem seja de um vermelho acastanhado; um simbolismo relacionado com a luz doce e "hathórica", para a mulher, e uma energia vermelha "sethiana", para o homem.

A moda egípcia tem como principal elemento o linho branco e fino, mais ou menos transparente, que molda o corpo feminino com um toque de mistério. O vestido cingido de linho, descendo até os calcanhares e dotado de alças que passam por cima dos seios ou deixando-os à mostra, é o traje das belas damas do Egito Antigo, e atravessou séculos, e deu às egípcias uma inimitável nobreza, altivez que não exclui encanto nem doçura. É igualmente o vestido das deusas. Para trabalhar a mulher usa os seios nús, uma tanga, por vezes enrolada atrás, ou um vestido muito simples.

Apesar do seu gosto pelos trajes mais excêntricos, o Novo Império conservará o vestido clássico das origens. Mas as beldades de Tebas, Mênfis ou Pi-Ramsés adotaram o plissado e mangas curtas. Por baixo dos vestidos uma camisa muito fina. Essa peças são por vezes transparentes a fim de sublinharem a delicadeza do corpo. Túnicas e vestidos são tão estreitos que valorizam o contorno dos seios e das ancas, a delicadeza da cintura e a graça das pernas. A roupa interior eram tangas triangulares e mais nada. Para o frio usavam xales e casacos, pois o inverno era relativamente rigoroso, principalmente no Baixo Egito. Gostavam de andar descalças, mas existiam vários tipos de sandálias, desde a simples sola em papiro até o sapato em couro tingido e decorado.

Pulseiras nos pulsos e nos tornozelos, colares, diademas e aros ornados de motivos florais; anéis, brincos e pingentes. Ouro, prata, turquesa, ametista, cornalina e outras pedras semipreciosas serviam para fabricar essas pequenas maravilhas, que aumentavam a sedução feminina. As grandes damas possuíam verdadeiros tesouros.

A inalterável beleza das egípcias, era sempre ligada a Hathor, soberana do outro mundo; quando uma bela jovem, numa postura de suprema elegância, aspira uma flor de lótus, sente o perfume da ressurreição. Ela própria, transformada em lótus, renasce a cada instante, tornando-se a primeira manhã do mundo e o primeiro raio de luz.



O espelho
A princesa Sat-Hathor-Iunet, vivia em Illahun, na entrada da província de Fayum. Possuia um magnífico espelho para apreciar a sua beleza. O objeto era considerado muito precioso; o cabo era uma haste de papiro encimada pela cabeça da deusa Hathor, com orelhas de vaca, e essa coluna vegetal suportava a abóbada celeste. O espelho propriamente dito, tinha a forma de um disco polido e prateado. Prata, ouro, quartzo, cristal de rocha e lápis-lazúli eram utilizados na fabricação dos espelhos, manejados pelos iniciados durante a celebração dos ritos secretos dos templos. O nome do espelho é ankh, sinônimo da palavra que significa "vida". Para uma egípcia, ver-se no espelho não é apenas um ato estético, mas corresponde ao desejo de se identificar com Hathor, de participar da vida do céu e do Sol, evocado pelo disco de metal polido.
(esse espelho encontra-se no Museu do Cairo)




Origem: 'As Egípcias' de Christian Jacq

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A esposa hitita de Ramsés II

Um tratado de paz com os hititas, põem fim a um longo período de guerras e conflitos armados. E para selar essa paz, um casamento entre uma princesa estrangeira e o faraó foi necessário.

Tutmósis III havia desposado 3 estrangeiras, certamente filhas de chefes sírios, a fim de acalmar os ímpetos dessa região. Tutmósis IV também celebrou um casamento diplomático com a filha do rei de Mitami. No ano 10 do reinado de Amenhotep III, a filha do rei do Naharina viera ao Egito acompanhada de uma importante escolta, para um casamento com o faraó, que teve outros casamentos com estrangeiras. Quando chegavam ao Egito, essas princesas estrangeiras, recebiam nomes egípcios e tornavam-se certamente damas da corte e lá passavam anos felizes.

Essa diplomacia dos casamentos se efetuava apenas do estrangeiro para o Egito; o rei da Babilônia, que havia casado a sua filha com Amenhotep III e pediu ao faraó que lhe enviasse uma princesa egípcia, recebeu deste a resposta: Jamais, desde tempos remotos, a filha de um Faraó foi dada a qualquer um.

Ramsés II consolidou a paz no Oriente Próximo, casando-se ao que parece com:
  • uma babilônia,
  • uma síria e
  • duas hititas
No ano 34 de seu reinado casou com a filha de Hattusil "o grande chefe" hitita, o principal adversário do faraó. A viagem foi longa, atravessando Canaã, a costa do Sinai, chegando a Pi-Ramsés, a magnífica capital de Ramsés II, que a recebeu pessoalmente e amou de imediato o seu belo rosto. Deu-lhe o nome de Mat-Hor-neferu-Ra, "aquela que vê Hórus e a beleza de Ra" e tornou a grande esposa real – honra extraordinária.

Uma estela do Louvre, constitui um documento redigido na 21ª ou 22ª dinastia, conta o casamento da princesa hitita com Ramsés II. Dezessete meses de viagem de uma bela princesa, vinda de um país muito distante, Bakhtan, para descobrir o Egito...

Origem: 'As Egípcias' de Christian Jacq

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Mulheres no campo

A mulher podia possuir, dirigir e gerir um domínio agrícola; e com isso ser dispensada dos trabalhos pesados. Limpar o trigo e moer, eram trabalhos muitas vezes atribuídos à mulher, que manejava o crivo – uma espécie de pá oval.




Debruçadas para frente, as moedeiras levantam alto o seu instrumento para o trigo cair longe delas. Depois de formado um monte, aparecem as peneireiras que eliminam as impurezas. Varredoras estão encarregadas de limpar o terreno e de varrer a palha. É necessário moer várias vezes. Esses trabalhos não estava estritamente reservados às mulheres, podiam ser confiados a homens também.


As mulheres também participavam, mas de maneira modesta, nas vindimas – colhendo as uvas, e apreciavam também aos bons vinhos.
Guardiã do jardim – vigilância, jardinar que era considerado um trabalho duro, necessário uma irrigação cotidiana e repetitiva. Os jardineiros sentiam dores no pescoço de carregarem os baldes de água, pendurados nas extremidades dos paus.

Os trabalhos agrícolas prosseguem no outro mundo. Os uchebtis "os que respondem" – figurinhas mágicas ativadas por quem conhece as fómulas mágicas para os animar. Em certos casos, os ressuscitados continuam a manejar a charrua, a lavar e a ceifar, mas estão sorridentes e serenos, envergando imaculadas vestes brancas.

imagem de árvores e arbustos, encontrada no túmulo de Senedjem em Deir el–Medina

É assim que no pequeno mais magnífico túmulo de Senedjem, em Deir el-Medina, vemos o marido ceifar as espigas de trigo, ao mesmo tempo em que a mulher as apanha e as coloca num cesto. Ceifeira feliz, os campos da eternidade têm para ela o sabor do paraíso.





































Origem: 'As Egípcias' de Christian Jacq

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

A rainha Ísis



Cada parte do corpo de Osíris deu origem a uma província, e assim todo o Egito foi assimilado ao seu ressuscitado esposo, animando a totalidade do país. Ísis sentia-se, em toda parte como na sua própria casa.


Por isso quando percorremos o Egito, descobrimos 3 lugares particularmente ligados a Ísis, de norte para sul:


  1. Behbeit el-Hagar – no Delta, é um local desconhecido dos turistas. Num labirinto de ruelas, o que resta do templo de Ísis, é um monte de enormes blocos de granito ornado com cenas rituais. Onde já foi um templo colossal.
  2. Dendera – lugar simbolicamente dedicado ao nascimento de Ísis, no Alto Egito. O santuário está praticamente preservado. Existem ainda o templo coberto e o mammisi (templo do nascimento de Hórus), e um pequeno santuário, onde segundo os textos, Ísis veio ao mundo com uma pele rosada e uma cabeleira negra. Foi a deusa dos céus que lhe deu vida, enquanto Amon, o princípio oculto, e Chu, o ar luminoso, lhe concediam o sopro vital.
  3. Filas – fronteira meridional do Antigo Egito , ilha-templo de Ísis; ali viveu a derradeira comunidade iniciática egípcia, aniquilada por cristãos fanáticos. Ameaçados de destruição pela inundação (a grande barragem de Assuã) os templos de Filas foram desmontados pedra por pedra e reconstruídos numa pequena ilha vizinha. A «pérola do Egito» foi salva da águas. De acordo com a vontade dos egípcios, os ritos continuam a ser celebrados graças aos hieróglifos gravados na pedra.

A eternidade de Ísis
Vitoriosa sobre a morte, sobreviveu à extinção da civilização egípcia, desempenhando um importante papel no mundo helenístico até o século V. Seu culto espalhou-se por todos os países da bacia mediterrânea e mais além. Tornou-se protetora de várias confrarias iniciáticas, que a consideraram o símbolo da onisciência, detentora do segredo da vida e da morte, capaz de assegurar a salvação dos seus fiéis. Ísis foi durante muito tempo uma temível concorrente do cristianismo. Aliás, se dissimulou Ísis sob as vestes da Virgem Maria, tomando o nome de "Nossa Senhora" a qual tantas catedrais e igrejas foram dedicadas.

Ísis, modelo de mulher egípcias
Uma civilização molda-se de acordo com um mito ou um conjunto de mitos. No mundo judaico-cristão, Eva é pelo menos suspeita e daí o inegável e dramático estado espiritual das mulheres modernas que se regem por esse tipo de crença. No universo egípcio não acontece, pois a mulher não era fonte de nenhum mal ou deturpação. Ao contrário, através da grandiosa figura de Ísis, que enfrentava as piores provações e descobria o segredo da ressurreição. Modelo das rainhas, foi também modelo das esposas, das mães e das mulheres mais humildes. Aliada à fidelidade, uma indestrutível coragem perante a adversidade, uma intuição fora do comum e uma capacidade fantástica para penetrar nos mistérios. A sua busca servia de exemplo a todas quantas procuravam viver a eternidade. (ver também: Ísis)





Ísis, criadora do universo, soberana do céu e das estrelas, senhora da vida, regente das divindades, maga de excelentes conselhos. Sol feminino que tudo marca com o seu selo, os homens vivem às tuas ordens, sem o teu acordo nada se faz.






Fonte: 'As Egípcias' de Christian Jacq

Egito

Duas grandes forças: o rio Nilo e o deserto do Saara, configuraram uma das civilizações mais duradoras do mundo. Todos os anos o rio inundava suas margens e depositava uma camada de terra fértil em sua planície aluvial. Os egípcios chamavam a região de Kemet, "terra negra". Esse ciclo fazia prosperar as plantações, abarrotava os celeiros reais e sustentava uma teocracia – encabeçada por um rei de ascendência divina, ou faraó – cujos conceitos básicos se mantiveram inalterados por mais de 3 mil anos. O deserto, por sua vez, atuava como barreira natural, protegendo o Egito das invasões de exércitos e idéias que alteraram  profundamente outras sociedades antigas. O clima seco preservou artefatos como o Grande Papiro Harris, revelando detalhes de uma cultura que ainda hoje suscita admiração.

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