Saqqara fica no deserto, na orla do planalto líbio, diante de terras cultivadas e do palmar onde foram encontrados pobres restos da gloriosa Mênfis. O local escolhido por Imhotep dominava a capital de Djoser e não era muito diferente da nécropole dos faraós da 1ª e 2ª dinastias, assegurando uma espécie de continuidade espacial. Um sítio que viveu desde o mais Antigo Egito até o século III, cuja vitalidade é ainda testemunhada por algumas obras da estatuária grega.
A obra
Imhotep mandou retirar a areia e aplainar a superfície calcária. Depois abriram poços na pedra a uma profundidade de 25 m. O seu fundo foi guarnecido de granito, embora não existam pedreiras de granito nos arredores de Mênfis. A pedra de melhor qualidade encontra-se na área da primeira catarata, a 800 km de Saqqara. Os blocos foram conduzidos por barcos até a região.
Saqqara começa já com uma pirâmide em degraus, ficando no centro da superfície de 15 hectares ocupada pelo domínio funerário e também no centro do admirável ideal de Djoser. Os degraus da pirâmide são ao mesmo tempo mastabas sobrepostas e os degraus de uma escada que une o Céu e a Terra. A pirâmide tem 6 degraus desiguais que se elevam a mais de 60 m de altura. Os 4 lados da pirâmide, cada um com cerca de 62 m, estão orientados segundo os pontos cardeais. Os aposentos funerários de Djoser sob a pirâmide, há 28 m de profundidade, uma verdadeira cidade labirinto, formada pela sepultura do rei, as suas dependências, o túmulo das rainhas e dos filhos do rei, galerias, corredores e câmaras de diversos tamanhos. Uma cidade em pedra eterna. O faraó reserva dois túmulos para si: o que se encontra sob a pirâmide, o outro sob o maciço da muralha sul, a mais de 200 m da sua múmia, este túmulo imita o jazigo situado sob a pirâmide, no qual encontramos a figura de Djoser celebrando os mesmos ritos. Um dos sarcófagos era uma obra prima de marcenaria, parcialmente chapeado a ouro. Em uma sala havia uma incrível quantidade de recipientes em pedra dura:
- 40.000 peças: em alabastros, xisto, diorito, dolerito, granito e etc...
- a "casa do Norte"
- a "casa do Sul"


- por toda parte deparamos com bastiões, portas falsas que parecem abertas, mas na verdade estão pintadas na pedra
- só junto do ângulo sul do lado leste da muralha, existe o único acesso, aberto numa porta monumental com 6m de altura por 1 m de largura, sem fechadura. A única passagem possível tem apenas como defesa o fato de ser estreita
Saqqara é o lugar de uma festa, o conjunto funerário de Djoser é voltado principalmente à eterna celebração da festa sed.
Festa de sed – os deuses das províncias do Egito, representados por sacerdotes, se unem em torno da pessoa do rei para lhe darem força e vigor. Os egípcios pensavam que a energia do faraó se esgotava ao fim de alguns anos de reinado. Durante a festa o rei ascende ao trono do Alto do Egito, usando a coroa branca, e ao trono do Baixo Egito, usando a coroa vermelha.
Origem: 'O Egito dos Grandes Faraós' de Christian Jacq
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