sábado, 6 de junho de 2009

Merit-Neith, a primeira faraó do Egito

Maneton, um sacerdote da época tardia, dividiu os faraós do Egito em trinta dinastias, perpetuando uma tradição segunda a qual fora promulgada uma lei na segunda dinastia, afirmando que as mulheres podiam exercer as funções régias.

Os faraós da 1ª dinastia possuem duas sepulturas, uma em Saqqara, próxima ao Cairo; a outra em Abidos, no médio Egito. Um túmulo ao norte, o outro ao sul, para recordar que o faraó devia unir os dois pólos complementares. Uma das duas moradas da eternidade servia para a perenidade do corpo luminoso e invisível do monarca e a outra para repouso do seu corpo mumificado. Eis o enigma... Uma mulher Merit-Neith "a amada da deusa Neith", possui um túmulo em Abidos e outro em Saqqara. Só um faraó podia ter esse privilégio.

O túmulo em Abidos – mede 19m x 16m, construído no fundo de um poço, com paredes revestidas de tijolos, uma das maiores e mais bem construídas sepulturas reais dessa época. Entre as paredes de tijolos existem 8 capelas de forma alongada onde estavam colocados objetos rituais como ânforas e outros recipientes. No solo da câmara funerária havia uma espécie de parquet e era protegida por um telhado de madeira. Não faltavam estelas em memória do defunto.

Merit-Neith é o 3º faraó da 1ª dinastia e o 1º faraó do sexo feminino*. Nas estelas da faraó falta a representação do falcão Hórus, protetor dos faraós, que pode ser devido a presença da deusa Neith no seu nome para justificar essa ausência. Sob a proteção de Neith, uma mulher que ascenda ao poder é uma personalidade autônoma, tanto mais que o próprio faraó é definido como:
  • um poder divino cujas orientações regem a nossa vida, o pai e a mãe, único e sem igual

Mulheres – as escavações arqueológicas revelaram várias sepulturas de mulheres das 1ªs. dinastias:
  • rainhas
  • mães de reis ou
  • personalidades da corte
provando o respeito pela mulher e ao mesmo tempo a sua eminente posição nas altas esferas do Estado. Uma dessas rainhas esposa do último faraó da 2ª dinastia cerca de 2700 a.C merece especial menção:
Ny-Hepet-Maât – considerada a antepassada da 3ª dinastia, embora nada se saiba a seu respeito, apesar do seu nome ser revelador: "o leme" desde que os egípcio diziam o "navio do Estado" , pois o Nilo era o rio nutriente e a grande via de circulacão e o fato de uma rainha ser chamada "o leme" demostra que era capaz de orientar corretamente o barco. É também assimilada à deusa Maât, a base da civilização egípcia.

Para o historiador, a rainha Ny-Hepet-Maât, como Merit-Neith, não passa de uma sombra fugaz, mas graças aos seus nomes, essas mulheres encarnam a grandeza da aventura egípcia e fornecem-nos a chave para a sua decifração. O fato de Maât ser uma deusa e de as rainhas do Egito serem as suas encarnações terrestres, significa que confiavam à mulher a mais vital das responsabilidades.
Origem: 'As Egípcias' de Christian Jacq


Mulheres faraós
Sobek-Neferu – mulher faraó reinou de 1790-1785 a.C
Hatshepsut, rainha faraó reinou de 1490-1468 a.C
Tausert, a última rainha faraó reinou de 1196-1188 a.C

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Egito

Duas grandes forças: o rio Nilo e o deserto do Saara, configuraram uma das civilizações mais duradoras do mundo. Todos os anos o rio inundava suas margens e depositava uma camada de terra fértil em sua planície aluvial. Os egípcios chamavam a região de Kemet, "terra negra". Esse ciclo fazia prosperar as plantações, abarrotava os celeiros reais e sustentava uma teocracia – encabeçada por um rei de ascendência divina, ou faraó – cujos conceitos básicos se mantiveram inalterados por mais de 3 mil anos. O deserto, por sua vez, atuava como barreira natural, protegendo o Egito das invasões de exércitos e idéias que alteraram  profundamente outras sociedades antigas. O clima seco preservou artefatos como o Grande Papiro Harris, revelando detalhes de uma cultura que ainda hoje suscita admiração.

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