sábado, 14 de agosto de 2010

Gastronomia

Egito Antigo
Carne
Consumida em quantidade, principalmente a do boi. O assim chamado boi africano é um animal com chifres avantajados, de grandes proporções e rápido no caminhar. Esse animal era submetido a um regime de engorda que o tornava enorme e pesado, até o ponto de ficar impossibilitado de andar. Só então estava pronto para o abate. Ao que parece, a carne era servida geralmente cozida, provavelmente em molho, mas havia alguns tipos de carne que eram assadas no espeto. Entretanto, a carne era uma comida de luxo para a maioria das pessoas, que talvez só a consumissem em ocasiões especiais como, por exemplo, nos banquetes funerários. Pedaços de carne são representados frequentemente nos túmulos em estelas, ou compondo o conjunto de produtos dispostos nas mesas de oferendas como eterno alimento para o falecido.

Aves
Uma vez que a galinha só foi introduzida no Egito tardiamente, criava-se e consumia-se outros tipos de aves em grande escala. Em papiros que registram donativos aos templos, as quantidades de aves citadas são impressionantes. Um deles menciona 126 mil e 200 aves, dentre as quais 57 mil e 810 pombos. A caça, portanto, era uma atividade bastante cultivada pelos egípcios. Os galináceos eram consumidos grelhados, de preferência. Entretanto, Heródoto nos conta — e os documentos confirmam a informação — que os egípcios comiam crus as codornizes, os patos e alguns pequenos pássaros que tinham o cuidado de salgar antes. Todos os pássaros restantes eram comidos assados ou cozidos. As aves aquáticas eram abertas e postas a secar. Os templos as recebiam vivas, secas ou ainda preparadas para consumo a curto prazo.

Peixe
Embora em algumas localidades egípcias fosse proibido consumir certas espécies de peixe em datas específicas, a maior parte da população comia peixe normalmente. Por sua vez, os habitantes da região do Delta e os que moravam às margens do lago Fayum eram pescadores por profissão. Quanto aos peixes, Heródoto informa que alguns eram comidos crus e secos ao sol ou postos em salmoura. Entretanto, várias outras espécies eram comidas assadas ou cozidas. Uma vez pescados, os peixes eram estendidos no solo, abertos e postos a secar. Visando a preparação do escabeche, eram separadas as ovas dos mugens. Mais uma vez um papiro cita a quantidade de peixes doados a três templos: 441 mil. Os templos recebiam não apenas peixes frescos, mas também secos. Como se vê, a pesca era outra atividade importante.

Legumes
Rabanetes, cebolas e alhos fazem parte da dieta egípcia, sendo que estes últimos eram muito apreciados. Melancias, melões e pepinos aparecem representados com freqüência nas pinturas dos túmulos, sendo que neles os arqueólogos também encontraram favas, ervilhas e grãos de bico. Nas hortas domésticas cultivava-se a alface, a qual os egípcios acreditavam que tornava os homens apaixonados e as mulheres fecundas e, assim, consumiam-na em grande quantidade, crua e temperada com sal e azeite. Min, o deus da fecundidade, tem às vezes sua estátua erguida no meio de um quadrado de alfaces, sua verdura preferida. Seth, segundo nos conta a lenda, era outro deus apreciador de alface.

Frutas
Com relação aos frutos, consumiam uvas, figos e tâmaras, sendo que estas últimas também eram empregadas em medicamentos. A romeira, a oliveira e a macieira foram introduzidas no Egito somente por volta de 1640 aC. O azeite era utilizado não apenas na alimentação, mas também para iluminação. Frutos como laranjas, limões, bananas, peras, pêssegos e cerejas não eram conhecidos dos antigos egípcios, sendo que os três últimos só passaram a ser consumidos na época romana.

Outros
O leite era recolhido em vasos ovais de cerâmica tampados com um punhado de ervas, evitando-se fechar totalmente a
abertura, para afastar os insetos do líquido. O sal era utilizado na cozinha e em medicamentos. O papel do açúcar era desempenhado pelo mel e pelos grãos de alfarroba. Embora o mel e a cera de abelha fossem buscados no deserto por homens especializados nesse ofício, também havia criação de abelhas no exterior das residências. Para a formação das colméias colocavam-se jarras de cerâmica e os apicultores caminhavam sem proteção por entre os insetos, afastando-os com as mãos nuas para recolher os favos. O mel era mantido em grandes tigelas de pedra, seladas. Em suas iguarias os egípcios empregavam ainda manteiga ou nata e gordura de pato ou de vitelo.

Pães e bolos
Eram preparados nas casas das pessoas ricas e também nos templos, o que incluía a moagem dos grãos. É possível, entretanto, que moleiros e padeiros independentes trabalhassem para atender as pessoas humildes. A panificação era um trabalho conjunto de homens e mulheres.

Bebida
A número um dos egípcios era a cerveja, consumida em todo o país, tanto nas cidades como nos campos. Era feita com cevada ou trigo e tâmaras e sorvida em taças de pedra, faiança ou metal, de preferência em curto espaço de tempo, pois azedava com facilidade. O vinho, sem dúvida, ficava em segundo lugar na preferência etílica dos egípcios, havendo grande comércio do produto. Eles apreciavam o vinho doce, de uma doçura que ultrapassasse a do mel.

Os egípcios alimentavam-se sentados, a sós ou acompanhados, diante de uma mesinha sobre a qual eram postas as provisões. Os rapazes sentavam-se sobre almofadas ou esteiras. Pela manhã não havia a reunião da família para a refeição. O marido e a esposa eram servidos em separado. Ele, tão logo se aprontara e ela ainda quando a penteavam ou logo após. Pão, cerveja, uma coxa de galináceo e um bolo era um bom repasto para o esposo.

– A relação das grandes refeições compreendia:
  • carnes, galináceos, legumes e frutos da estação, pães e bolos, tudo bem regado com cerveja.
Não é de todo certo que os egípcios, mesmo os da classe rica, comessem carne a todas as refeições. Só podiam mandar abater um boi aqueles que estavam certos de o consumir em três ou quatro dias, isto é, os grandes proprietários que tinham um pessoal numeroso, o pessoal do templo, os que davam um festim. As pessoas humildes só o faziam para festas e peregrinações.

Os arqueólogos, em suas escavações, encontraram pratos, terrinas, travessas, cálices, facas, colheres e garfos, o que abre a possibilidade para o consumo de sopas, purês, pratos guarnecidos acompanhados de molho, compotas e cremes. As baixelas dos ricos eram de pedra: granito, xisto, alabastro e uma certa espécie de mármore. As taças de formato pequeno eram de cristal. Por outro lado, o material pictórico deixado pelos egípcios mostra que, à mesa, eles se serviam muito dos dedos (comia-se com as mãos).

Fonte: curiosidades egipcias



Mais recente
A gastronomia não é o forte do Egito. Sua cozinha, frequentemente inspirada em tradições vizinhas (turca ou sírio-libanesa) carece de diversidade e de imaginação. Na verdade, distingue-se pelos excessos. O abuso de samna (espécie de manteiga derretida) torna os pratos demasiado gordurosos. Um dos pratos mais populares, vendido nas ruas:

  • kochari – mistura indigesta de arroz, macarrão, lentilha e cebola frita, tudo regado com molho de tomate e muito temperado.

Com os legumes recheados, a história é outra. Os egípcios são exímios na arte de embalar recheios em pimentões, berinjelas e folhas de parreira.
  • Bamya – pequeno chifre grego, às vezes cozido com carne de carneiro, mas sempre acompanhado de molho e arroz com aletria.

A iguaria do rei é a molokheya. Num primeiro momento, o prato pode surpreender, mas um paladar treinado sabe apreciar suas qualidades. Há um modo especial de picar as folhas de juta comestíveis, que são a base do prato. As folhas são acrescentadas por último a um caldo feito com dentes de alho, coentro seco triturado e manteiga. Essa sopa verde é acompanhada de arroz, carne ou frango, vinagre e pão seco, mas não de qualquer jeito: cada conviva dispõe os ingredientes no prato à sua maneira, segundo um rito pessoal. Comer a molokheya assemelha-se a uma liturgia. O califa fatímida Al-Hakim (996-1021), para quem uma loucura a mais ou a menos não fazia diferença, tinha proibido esse prato.


Sobremesas


É preciso citar o om ali – folhas de massa cozida, mergulhadas em leite com açúcar, pistaches, amêndoas e nozes. A combinação é saborosa. Há um creme com leite aromatizado, bem mais leve, a mehallabeya.





Carne
Comer carne todos os dias é um luxo. Muitas aldeias do Alto Egito nem possuem açougue. Alimentar-se bem continua a ser um privilégio, e metade das famílias gasta mais de 3/4 de sua renda com alimentação. Na classe média, um homem não se sentiria de fato casado, se chegasse em casa e não encontrasse o ensopado cotidiano. "O caminho mais curto para o coração de um homem passa pelo estômago", afirma um ditado que as esposas levam a sério.

  • A obesidade se generaliza de maneira assustadora na população, que abusa não só dos alimentos feculosos e da gordura, mas também do açúcar, quase um objeto de culto. Qualificar alguém de sokkar (açúcar), assal (mel) ou charbatt (xarope, sorvete) é uma forma de elogiar suas qualidades ou sua beleza.

Sementes
Não se pode falar em gastronomia egípcia sem mencionar tassali (divertimentos) e, principalmente, esse esporte nacional que é o consumo de lebb. Nada é mais propício ao devaneio que essas sementes de melancia ou de abóbora (apelidadas de "morenas" e "brancas") secas ao sol, assadas no forno e salgadas. Colocamos a ponta entre os incisivos e, com uma dentada, rachamos a semente, para recolher a amêndoa com a língua. A casca é discretamente cuspida na mão, quando prevalecem as boas maneiras.

Fonte: 'Egito um olhar amoroso' de Robert Solé

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Egito

Duas grandes forças: o rio Nilo e o deserto do Saara, configuraram uma das civilizações mais duradoras do mundo. Todos os anos o rio inundava suas margens e depositava uma camada de terra fértil em sua planície aluvial. Os egípcios chamavam a região de Kemet, "terra negra". Esse ciclo fazia prosperar as plantações, abarrotava os celeiros reais e sustentava uma teocracia – encabeçada por um rei de ascendência divina, ou faraó – cujos conceitos básicos se mantiveram inalterados por mais de 3 mil anos. O deserto, por sua vez, atuava como barreira natural, protegendo o Egito das invasões de exércitos e idéias que alteraram  profundamente outras sociedades antigas. O clima seco preservou artefatos como o Grande Papiro Harris, revelando detalhes de uma cultura que ainda hoje suscita admiração.

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