domingo, 3 de maio de 2009

Tânis, capital do Império

O estabelecimento de Tânis como capital do Egito e residência real marcou o início histórico da chamada época tanita, no Terceiro Período Intermediário. A cidade foi capital do império ao longo das XXI e XXII dinastias. Smendes I (1069-1043 a.C.), reconhecido como soberano do Alto e do Baixo Egito e sucessor de Ramsés XI, foi o primeiro faraó deste novo período e estabeleceu a capital Tânis, cidade construída com uma nova planta e dedicada ao deus Amon.

Perto da atual San el-Hagar, 167 km a nordeste do Cairo, no centro de uma grande planície, situa-se a mais extensa e singular estação arqueológica do Baixo Egito: Tânis. Dos arredores das escavações, vislumbra-se uma bela paisagem do Grande Templo e também do conjunto de ruínas.





A área do Grande Templo - infelizmente, resta apenas um grande número de blocos de granito, colossos, arquitraves e pouca coisa mais daquilo que foi o Grande Templo de Amon. Ao percorremos as ruínas, distinguimos a porta monumental de Chechonk III, rodeada por tríades e colossos. Em frente a ela, reconhecem-se os restos de uma colunata palmiforme proveniente de um monumento construído no Antigo Império. Foi usurpada por Ramsés II e Chechonk III, cujos nomes estão gravados na colunata.

O templo do leste – os restos do templo, que jazem entre a primeira e a segunda muralha, revelam que era feito de granito. Nessa mesma área, distinguem-se grandes blocos de granito pertencentes a um templo da XXX dinastia dedicado a Hórus de Sile. Após a muralha pela porta sudoeste, chegamos à região onde fica o templo de Mut e Khonsu, conhecido como Templo da Anta, a deusa cananéia à qual se prestava culto nesse local.

vista da necrópole real de Tânis

A necrópole real – em 1939, Pierre Montet descobriu uma parte da necrópole real das XXI e XXII dinastias, cujos túmulos não tinham sido percebidos pelos escavadores anteriores de Tânis, pois estavam escondidos por construções de tijolo que datavam da época baixa. As câmaras funerárias continham um valioso material, atualmente exposto no Museu Egípcio do Cairo. Do conjunto da necrópole real destacam-se três túmulos:
  1. Psusennes I (XXI dinastia) – contém 4 sepulturas intactas: a do próprio faraó, a do faraó Amenemope, a de um um faraó chamado Hekakheperré Chechonk II, e  a de um arqueiro. Sua câmara mortuária estava intacta, sendo o único túmulo faraônico descoberto nesse estado ( o túmulo da Tutancâmon fora saqueado na Antiguidade). O sarcófago magnífico talhado em granito rosa, continha um ataúde com formato humano, de granito preto, dentro da qual havia um esquife de prata. A múmia tinha uma máscara de ouro no rosto.
  2. Osorkon II (XXII dinastia) – constituído por uma cripta de granito e por 4 salas de calcário, a primeira está profusamente decorada. Na terceira câmara está o sarcófago de Takelot II(sucessor). A última câmara contém o sarcófago de Osorkon II, talhado num bloco de granito, e a sepultura intacta de seu filho, Hornakht.
  3. Chechonk III (XXII dinastia) – constituído de um poço e de uma câmara decorada com cenas da viagem da barca solar. Encontram-se 2 sarcófagos dentro da câmara, o maior pertencia ao rei. Esse faraó teve um reinado extremamente longo para sua época: 52 anos.



O reis da XXI dinastia, preocupados com o saque dos túmulos reais em Tebas, preferiram construir os seus sepulcros em Tânis. Graças a essa medida, puderam chegar até nós, entre outros tesouros, a máscara de ouro de um arqueiro de Psusennes I, e outras grandes jóias da época farônica do Terceiro Período Intermediário do Egito, como esse colar na figura ao lado.




(Fonte: Egitomania - fascículos 2001)

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Egito

Duas grandes forças: o rio Nilo e o deserto do Saara, configuraram uma das civilizações mais duradoras do mundo. Todos os anos o rio inundava suas margens e depositava uma camada de terra fértil em sua planície aluvial. Os egípcios chamavam a região de Kemet, "terra negra". Esse ciclo fazia prosperar as plantações, abarrotava os celeiros reais e sustentava uma teocracia – encabeçada por um rei de ascendência divina, ou faraó – cujos conceitos básicos se mantiveram inalterados por mais de 3 mil anos. O deserto, por sua vez, atuava como barreira natural, protegendo o Egito das invasões de exércitos e idéias que alteraram  profundamente outras sociedades antigas. O clima seco preservou artefatos como o Grande Papiro Harris, revelando detalhes de uma cultura que ainda hoje suscita admiração.

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