terça-feira, 21 de abril de 2009

Núbia

A Núbia é a região situada no vale do rio Nilo que atualmente é partilhada pelo Egito e pelo Sudão mas onde, na antiguidade se desenvolveu o que se pensa ser a mais antiga civilização negra da África (baseada na civilização anterior do Baixo Egito, que deu origem ao reino de Kush, que existiu entre o 3º milénio antes de Cristo e o século IV da nossa era). Wikipédia

Pobre Núbia! A natureza já não a favorecia, e as grandes obras realizadas no século XX com o objetivo de domar o Nilo acabaram por riscar do mapa sua parte setentrional – a Baixa Núbia (egípcia), que vai até a segunda catarata, poupando apenas a Alta Núbia (sudanesa), ao sul de Uadi Halfa.
Um planalto árido, cortado por um rio, margens íngremes, escarpadas, que não deixam espaço para cultivo no vale, e seis cataratas, isto é, seis obstáculos à navegação. Na Antiguidade, essa região tinha pelo menos os trunfos de ser rica em ouro e constituir caminho obrigatório para a África negra. Atiçava a cobiça dos faraós. Os do Médio Império conquistaram-na até a segunda catarata, os do Novo Império, até a quarta. Em 750 a.C., a situação inverteu-se: a Alta Núbia ocupou o Egito durante um século. Um século apenas. Desde então, a Baixa Núbia voltou a ser egípcia, porém desprezada pelos egípcios do resto do país.
A glória passada e a situação geográfica privilegiada dão aos núbios uma dignidade natural, ou até um complexo de superioridade. Afinal, não estão do lado da nascente do Nilo, que corre primeiro por lá antes de seguir seu curso até o Mediterrâneo? Daí a se convencerem de que a civilização começou ali antes de espalhar-se, como as águas do rio, pelo poderoso vizinho... 
  • Altos, longilíneos, os núbios reconhecem-se nas silhuetas gravadas nos templos faraônicos e comparam sua língua à dos antigos egípcios. 
  • Como foram os últimos no Egito a tornarem-se muçulmanos, conservaram certas tradições cristãs, como a imersão dos recém-nascidos, que lembra o batismo.
A primeira represa de Assuã, construída em 1902, depois aumentada duas vezes, inundou parte da Núbia, reduzindo um pouco as terras cultiváveis. Alguns habitantes refugiaram-se nas regiões mais altas, outros migraram.  (do livro 'Egito um olhar amoroso' de Robert Solé)

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Egito

Duas grandes forças: o rio Nilo e o deserto do Saara, configuraram uma das civilizações mais duradoras do mundo. Todos os anos o rio inundava suas margens e depositava uma camada de terra fértil em sua planície aluvial. Os egípcios chamavam a região de Kemet, "terra negra". Esse ciclo fazia prosperar as plantações, abarrotava os celeiros reais e sustentava uma teocracia – encabeçada por um rei de ascendência divina, ou faraó – cujos conceitos básicos se mantiveram inalterados por mais de 3 mil anos. O deserto, por sua vez, atuava como barreira natural, protegendo o Egito das invasões de exércitos e idéias que alteraram  profundamente outras sociedades antigas. O clima seco preservou artefatos como o Grande Papiro Harris, revelando detalhes de uma cultura que ainda hoje suscita admiração.

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